quarta-feira, 30 de novembro de 2016

EU E A FOTOGRAFIA: a construção de um olhar.

Um relato, um resgate, uma memória sobre meu caminho com a fotografia.




Minha história com a fotografia talvez tenha começado na infância, observando a relação da minha mãe com o fotografar: filhos crescendo e reuniões de família. 


Lembro de brincar com essa Kodak antiga quebrada.
Essas fotos sempre me trouxeram grande prazer e quem tem família grande sabe como é. Mil fotografias! Tenho um irmão mais velho, convivi com mais ou menos 10 primos/primas e 8 tios/tias. Isso só de São Paulo, boa parte da minha família é do Paraná. 

Na adolescência sempre andava com uma máquina na bolsa e um filme novo para registrar momentos espontâneos: a diversão com os amigos e as viagens em turma. 
Um outro modelo da Kodak que me acompanhou. 

Mais tarde, quando iniciei meu primeiro estágio na área da educação como auxiliar de classe, lembro-me de receber elogios pelas minhas fotos e isso me fez pensar sobre. Continuei a fotografar nas escolas onde trabalhei, mas por documentação, por registro do processo de aprendizagem para complementar os relatórios e mostras de trabalho.

Depois um namorado que fotografava me ensinou a usar uma Nikon profissional e cada vez mais minha paixão pela fotografia aumentava e ganhava novos sentidos. 

Já não era um registro do trabalho ou da diversão com os amigos, era um registro mais pessoal do meu olhar sobre cada lugar que visitávamos viajando: Ubatuba, Pindamonhangaba, Campos do Jordão, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Luiz do Paraitinga, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina, Chile e Deserto do Atacama. Além de experimentações/registros caseiros de objetos, momentos, luzes etc.

Também aprendi sobre o olhar dele em relação ao fotografar, o que me influenciou a quebrar aquele mesmo jeito de sempre olhar e enquadrar o que me chamava atenção, inclusive, a me questionar sobre essas escolhas. Assim cresci nas minhas reflexões e cliques, até que no fim de 2012 resolvi comprar minha própria câmera. 


Canon T3i, minha atual.
Um amigo fotógrafo me ajudou a escolher esse modelo, peguei uns conselhos e com a câmera em mãos, li o manual e me joguei!

Os primeiros registros foram viajando sozinha pelo Brasil de mochilão e viagens internacionais de estudo: Minas Gerais, Espirito Santo*, Itália, Londres, Paris, Curitiba, Pará, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte. 

Acredito que o contato com diferentes histórias, culturas, povos, folclores...contribuíram com a construção do meu olhar. De repente estava eu fotografando a arquitetura das cidades, as flores, os animais, os grafites, as pessoas...Ganhei um olhar investigativo. E também comecei a usar o temporizador da câmera para fotografar paisagens que eu queria aparecer e fazer alguns retratos. Meus gatos também foram modelos importantíssimos nesse processo!

Com câmeras de boa qualidade nos celulares, fotografar tornou-se muito mais acessível e faz pouco tempo que uso esse recurso com frequência. Com duas formas de fotografar (câmera e celular) as experiências e reflexões aumentaram: testar, selecionar, apagar, escolher o que registrar...não precisava mais de um motivo para fotografar, o olhar já estava tornando-se poético, singular, autoral.

Ao mesmo tempo meu olhar fotográfico na escola, com o fazer das minhas crianças também cresceu, evoluiu. Tinha um gosto diferente fotografá-las.



Na parte 2 vou escrever sobre o olhar do professor e fotografia na educação. Já, já fica pronto!






*Entre uma cidade e outra fui de trem e fotografei o Rio Doce inteiro antes da tragédia


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

COLEÇÃO BRINCO E CANTO: música e arte para crianças.

Autoras: Maristela Loureiro e Ana Tatit
Coleção Brinco e Canto
Editora: Melhoramentos



A coleção é simplesmente encantadora e muito importante como material de apoio aos professores que atuam com educação infantil e séries iniciais. São quatro volumes com conteúdos riquíssimos, trata-se de um livro-CD-DVD: brincadeiras, músicas e danças da nossa tradição e de outras culturas. Um luxo de material! Pensado com todo cuidado e delicadeza por parte das autoras e dos envolvidos.

Maristela Loureiro e Ana Tatit são amigas educadoras que uniram as artes visuais e a música com o mundo infantil. A coleção nasceu do desejo de compartilhar e ampliar o repertório do cancioneiro popular com crianças, jovens, adultos, educadores e com todas as pessoas que tiverem interesse.




Esse repertório foi resgatado de memórias da infância das educadoras e de vivências em diversas regiões do Brasil. As canções estão sempre vinculadas a uma brincadeira e toda coleção é organizada com a letra da canção, a tradução - se necessário, a explicação de como se brinca, a partitura e até alguma curiosidade.

No início de cada livro, há uma apresentação bem detalhada do volume e uma parte dedicada a importância de se trabalhar com o conteúdo oferecido. Mesmo para quem não tem muito jeito ou não conhece as brincadeiras e as canções, é possível aprender, se divertir e ensinar para as crianças. A orientação contida em cada volume permite essa formação cultural e prática do professor.

O CD e o DVD conta com a participação de músicos e brincantes muito sabidos e especialistas no que fazem.

Uma coleção única e que contribui de forma muito especial com a inserção da música e da arte no cotidiano das escolas de educação infantil. A música e a arte são desafios na formação do professor polivalente, por isso acredito que essa coleção complementa e traz um repertorio incrível para desenvolver em sala de aula, indispensável na biblioteca do professor.




Boa diversão!

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

LITERATURA INFANTIL: indicações Brinque-Book

Texto e Ilustração: Fernando Vilela
Editora: Brinque-Book

Uma cabra inquieta e um jacaré sabido passeiam juntos por diversas cidades brasileiras. É só dizer uma palavra mágica e pronto, eles aparecem no lugar desejado! Mas durante a passagem pela Floresta Amazônica um acontecimento inesperado faz a cabra seguir sozinha...

Um livro divertido, com um ótimo texto e ilustração. Cheio de paisagens turísticas e informações típicas de cada lugar visitado. E você ainda pode conferir um mapa do Brasil com os locais onde as personagens viajaram e algumas curiosidades sobre cada região.

Boa viagem!

Texto e Ilustração: Sophie Schmid
Tradução: Camila Werner
Editora: Brinque-Book

Muitos bichos reunidos tentam resolver o probleminha de um colega, ninguém aguentava mais. Até que um dia, um cartaz promete uma recompensa para quem conseguisse acabar com o soluço de Hugo, assim os amigos candidatos colocaram em prática várias ideias para desaparecer com esse tal soluço que tanto os incomodava.

Hugo passa por vários testes e nada dá certo, até que um desses bichos têm uma atitude nova e não é que deu certo?! 

Qual será o segredo para acabar com o soluço? Você já teve soluço? Como conseguiu acabar com ele?


Texto: Alice Bassié
Ilustração: Sylvain Diez
Tradução: Gilda de Aquino
Editora: Brinque-Book

Essa é uma história de um lobo com cara de bravo, ele entra em uma confeitaria, faz o seu pedido e diz SENÃO...e logo a senhora ovelha, com medo, entrega o pedido. 

A ovelha pede para uma amiga substituí-la na confeitaria, mas não conta o motivo e assim mais uma amiga passa pela mesma situação, até que uma delas resolve contar tudo a um amigo e ele aceita enfrentar o lobo.

Então quando o lobo vai novamente a confeitaria, encontra um senhor no atendimento que lhe responde "Senão o quê?".

Qual será a reação do lobo? Será que ele tinha só fama de bravo ou era bravo mesmo? Será que não era melhor a ovelha contar a verdade desde o início?


Texto e Ilustração: Helga Bansch
Tradução: José Feres Sabino
Editora: Brinque-Book


Certo dia, um ganso selvagem pousa no meio dos gansos da granja e causa grande agitação, isso porque gansos de granja não sabem voar.

Mitzi é uma gansa sonhadora, diferente do seu grupo, ela se encanta pela ideia de aprender a voar e decide treinar. Alguns animais aconselham a gansa, enquanto outros não acreditam que ela vai conseguir e tentam convencê-la de que é melhor ser gordinha e elegante.

Será que Mitzi conseguirá voar com os gansos selvagens ou desistirá do seu sonho? Será que enquanto os outros não acreditam nos seus sonhos devemos desistir ou seguir em frente? 



segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Manual da Família: inspirações para educar no século XXI

Como conquistar valores, atitudes e comportamentos fundamentais ao exercício da cooperação, cidadania, exercer a tolerância e a compreensão junto aos nossos companheiros de viagem nesta fascinante e complicada vida no século 21?*



A Associação Cultural Casa das Caldeiras em parceria com a Fundação Itaú Social desenvolveu esse projeto, pesquisou por meses junto a comunidade e lançou em 14 de junho de 2016, o e-book Manual da Família - A difícil arte de educar no século XXI. 

Está disponível gratuitamente para todos que tiverem interesse em repensar as relações e discutir sobre a instituição família, independente da sua formação familiar.

O objetivo desse projeto é que as pessoas possam incluir no seu cotidiano reflexões a cerca dos desafios e das necessidades existentes na educação das crianças e jovens no século XXI, que possam compartilhar experiências, vivenciar encontros e trocar informações.

A publicação ajuda a tirar diversas dúvidas e ressalta a importância da família no desenvolvimento integral das crianças e jovens: ao participar mais ativamente da vida deles, temos a possibilidade de formar uma sociedade melhor para todos.

Não se trata de um livro de receitas de como educar e sim uma ferramenta que apoia as famílias na conscientização da necessidade do trabalho com as emoções de todos os envolvidos.

O e-book pode ser baixado no formato simples em pdf, no formato interativo com vídeos e uma versão para smartphones e tablets.

Confira os links para acessar o e-book:




*Texto elaborado pela equipe do Manual.

domingo, 7 de agosto de 2016

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de agosto


Texto e Ilustração: Stephen Michael King
Tradução: Gilda de Aquino
Editora: Brinque-Book

Uma criança descreve o pai e as ilustrações dão vida a esse pensamento infantil: se o pai é alto e cheio de pintas, só pode ser uma girafa!

Conta sobre as qualidades do pai, o respeito entre eles, as aventuras e os passeios, tudo que eles podem fazer juntos, coisas incríveis que podem fazer e o quanto é especial para essa família.

As ilustrações são muito belas, divertidas, expressivas e estimulam a imaginação. Ótimo para crianças que estão em processo de alfabetização, pois as letras são maiúsculas.

Um livro adorável!


                                  Texto e Ilustração: Celso Sisto
Editora: Escarlate


Histórias africanas são encantadoras, trazem mistérios, magia, alegria e muita riqueza cultural.  Esse livro traz sete contos populares e uma apresentação bem bacana para situar o leitor em relação a essa obra. Para cada conto há uma ilustração bem forte e marcante, cheia de cores e detalhes.

Quando leio contos da tradição oral de outros povos, as crianças se interessam muito por toda simbologia, querem saber o significado de todas as palavras diferentes que aparecem e comentam sobre os fatos, ficam encantados com a relação homem/animal/natureza, os mistérios, as magias, as maldades e as espertezas. Gosto muito de contar histórias do mundo todo, assim as crianças ampliam o repertório literário e principalmente o cultural, contribuindo com observações e conversas muito interessantes.

Boa aventura cheia de fantasias!



Texto e Ilustração: David McKee

Tradução: Clarice Duque Estrada

Editora: Pequena Zahar

A capa e a folha de rosto já são um convite para as crianças tentarem adivinhar do que se trata a história. Um tema fundamental para ser tratado com os pequenos: as diferenças, a tolerância e o preconceito.

Dois elefantes, um preto e outro branco, vivem em harmonia com a natureza e os animais, mas entre eles se odiavam. E assim começa uma briga entre os elefantes da floresta. Alguns não quiseram participar, outros foram para batalha. Até que elefantes não forma mais vistos no mundo. Certo dia, elefantes cinzas apareceram e viveram...

Boa reflexão!


Texto: Luís Ernesto Lacombe
 Ilustração: Leo Queiroz 
Editora: Escrita Fina

Esse manual foi lançado no mês de junho com uma edição atualizada. Apresenta os esportes olímpicos de forma divertida e poética, ótimo para apresentar as crianças nesse momento de Olimpíadas: informação e muita sensibilidade. Afinal, podemos fazer poesia com qualquer assunto!

São 32 esportes que contemplam os Jogos Olímpicos 2016 e para cada um deles um pouco de história, regras e modalidades. As ilustrações seguem um estilo único e são cheias de humor. 

Leitura para todas as idades!



Texto: Tatiana Filinto
Ilustração: Graziella Mattar
Editora: Grão

O título já desperta a curiosidade, ao observar a capa podemos pensar no que poderia acontecer nessa história com uma ilha tão pequena?

A história trata de um grande segredo, daqueles que não pode ser compartilhado com ninguém. Mas será mesmo que há algum segredo que deva ser tão guardado assim? Será que contar um segredo afasta ou aproxima, ajuda ou atrapalha? Qual a sensação de ter um segredo e não ter coragem de contá-lo a ninguém? O que pode acontecer? Será que algo ou alguém pode ajudar e não deixar o guardador de segredo afundar? Será que não é melhor desabafar, ser acolhido, sentir-se parte? Compartilhar um segredo pode deixar a vida mais leve? E assim voltar a brilhar, ter uma nova forma de ser feliz?

Boa apreciação!


Texto: José Jorge Letria
 Ilustração: Silvia Amstalden
Editora: Peirópolis

Um livro que brinca com as palavras, brinca com os olhos e com a imaginação!

As ilustrações são demais! Recortes que se juntam, formam imagens e palavras. As crianças adoram descobrir o que aparece em cada página, além de identificar as rimas nos versos.

O texto convida a pensarmos mais sobre as palavras: como são, onde estão, do que gostam, onde vivem, quais são seus sons, por onde andam, o que transmitem, o que nomeiam, o que fazem, existem  ou não existem, quais são seus lugares preferidos, que tipos existem, o que elas dizem ou não dizem...Um jogo delicioso para brincar! 




Texto: Marcos Saboya
Ilustração: Mariana Massarani
Editora: Zit
Essa é a história de um menino que é do contra, já nasceu ensaiando dizer essa palavra, e foi assim durante parte de sua infância, seu repertório  frequente era: não, nunca, não quero, jamais, não vou, nada, negativo, nã-nã-ni-nã-não...e outras.

MeniNão, o protagonista, respondia não para tudo, mas sempre conseguia tudo. E isso fez com que começasse a chamar a atenção de todos na escola, era admirado por sua contrariedade. Inclusive respondia não em diversas línguas.

Ele acreditava que o não o fazia raciocinar muito mais do que responder sim, uma forma diferente de viver a vida, mas depois descobriu que sua negativa se convertia em afirmativa e aprendeu a escolher e expressar o que queria com o sim, o talvez, o sei lá, com muita diversão e paz.


Texto: Rosana Martinelli
Ilustração: Mariana Belém
Editora: Quatro Cantos
Essa é a historia de um menino, sim um menino, ele gosta de futebol, de balé, de muitas cores, aprendeu a fazer asas de borboleta com a mãe e tem um pinguim azul. Tem uma pai corredor, uma irmã que é modelo, um irmão que mora com o pai dele (um outro pai) e um professor incentivador.

Miguel tem um olhar sensível e detalhado com as pequenas e as simples coisas do seu cotidiano.


É uma história breve e muito interessante, ótima para conversar sobre as diferenças, as famílias, os jeitos de cada um. As ilustrações são bem alegres e complementam a narrativa com elementos que não precisam conter no texto.



Boa leitura!


quarta-feira, 20 de julho de 2016

O PERÍODO COMPLEMENTAR NA ESCOLA PARTICULAR: uma experiência em busca do diálogo com as práticas de educação integral.

*Esse artigo foi publicado no mês de Janeiro de 2016 na Revista Direcional Educador, edição 132. 




Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino.
Paulo Freire

A experiência de implementar e implantar o período complementar na Escola Nossa Senhora das Graças - Gracinha, em São Paulo, começou no ano de 2014 com uma turma de 1os e 2os anos do Ensino Fundamental I, no qual atuei como professora e com sua continuidade em 2015, como coordenadora.
A proposta desse período complementar é priorizar o brincar e o lúdico, por meio de diversas oficinas ministradas por uma professora polivalente. Inicialmente, houve apenas uma parceria no curso de inglês, oferecido às crianças duas vezes por semana.
Há um bom tempo, diversas escolas particulares oferecem o contraturno ou o período complementar, devido a uma demanda das famílias que precisam trabalhar e não têm tempo de ficar com os filhos ou que desejam que eles façam atividades diferenciadas.
A grande questão é que o contraturno escolar, muitas vezes, acontece como um tempo automatizado de cursar várias atividades extracurriculares ou da criança permanecer na escola por mais tempo sem uma proposta específica ou ainda de repetir o mesmo tipo de atividade oferecida no período regular, sem considerar os direitos e as necessidades dessas crianças.
Em uma reportagem, divulgada no You Tube, sobre educação integral1, a jornalista, editora e assistente do Centro de Referência em Educação Integral da Associação Cidade Escola Aprendiz, Juliana Sada (2014) diz que há alguns pontos estratégicos que precisam ser levados em conta: a centralidade do aluno e o diálogo dos saberes entre si. Além da ampliação dos tempos, conteúdos e espaços de aprendizagem.
Não há um roteiro a seguir, o essencial é que a proposta contemple os aspectos citados acima. Existem diferentes organizações de gestão e de propostas pedagógicas, é imprescindível conhecer as experiências de outras escolas.
O que apresento aqui não é uma receita, tão pouco tem a pretensão de ser um modelo, mas sim o relato de uma experiência que deu certo e teve um retorno positivo das crianças, das famílias e da equipe pedagógica.

O PROCESSO DE IMPLANTAR E IMPLEMENTAR A PROPOSTA
A configuração do período complementar parte da ampliação da jornada, não de um turno único, no período da manhã, com a garantia de oferecer um tempo diferenciado e de qualidade, já que a escola disponibiliza os cursos extracurriculares no período pós-aula.
Para uma primeira organização estrutural e de funcionamento, foi preciso considerar:
  • os alunos do Ensino Fundamental I estudam no período da tarde, os do Fundamental II e do Ensino Médio no período da manhã, então as crianças frequentariam e dividiriam os mesmos espaços que os “maiores”;
  • ter uma sala diferenciada e acolhedora para receber esses alunos do FI;
  • planejar horários fixos de lanche, almoço e descanso/sono;
  • contar com materiais ricos nas suas possibilidades de trabalho;
  • a opção de frequentar de 2 a 5 vezes por semana, ou seja, grupos diferentes a cada dia da semana;
  • estabelecer uma grade com o funcionamento flexível da rotina, segundo uma demanda das famílias.
Em um segundo momento foi preciso considerar:
  • a flexibilidade de horário de entrada;
  • que embora a oficina faça parte de um determinado dia da semana, pode acontecer nos outros dias;
  • os dias em que foi oferecida uma parceria com a escola de inglês apresentavam grupos mais numerosos;
  • a necessidade de oferecer uma atividade corporal ministrada por um especialista foi avaliada como importante (incluímos capoeira na rotina 2 vezes por semana);
  • a preparação de um registro (DVD) que apresentasse o que as crianças fazem no complementar;
  • uma reunião de pais no final de cada semestre;
  • um trabalho específico com a alimentação;
  • a necessidade de expor os trabalhos também do lado de fora da sala, para possibilitar a troca entre as crianças que frequentam o complementar e as que não frequentam;
  • uma aula experimental para quem gostaria de conhecer e para divulgar o trabalho desenvolvido.
E em um terceiro momento:
  • realizar saídas das crianças para locais próximos à escola;
  • integrar as crianças com os adolescentes e outros adultos;
  • convidar as famílias para participarem de atividades do complementar;
  • fazer parte da Mostra de Trabalhos, apresentando trabalhos coletivos.
Em 2015, a oferta do complementar aumentou devido a abertura de mais uma turma e consequentemente, de novos profissionais. Além do inglês 2 vezes por semana, consideramos oferecer a capoeira e a música uma vez por semana. Essas foram atividades avaliadas como um ganho para as crianças, já que garantimos tempo para brincar e trabalhar com outras linguagens. E novos desafios foram colocados: a reorganização estrutural e o alinhamento de concepção com a nova equipe. Assim, a cada ano, até a primeira turma terminar o ciclo do FI em 2017, teremos novas experiências, abertura de novas turmas e o aprimoramento da nossa prática.

A CONSTRUÇÃO DE UMA CONCEPÇÃO
Propiciar às crianças do FI mais ludicidade, tempo para brincar e um espaço planejado para instigar a curiosidade e a pesquisa é oferecer um ambiente rico nas suas oportunidades de aprendizagem com diversas linguagens.
Para promover um trabalho de qualidade, acreditamos que é importante ver a criança como um sujeito social, ativo e singular; ver a criança como capaz, potente, criativa, produtora de cultura e curiosa.
Para que a prática se torne cada vez mais próxima dessa concepção de criança, já não podemos mais ter uma postura centralizadora do professor. É preciso manter o exercício diário de um olhar livre de preconceitos, idealizações, classificações e rótulos: um olhar a partir do mundo infantil, considerando que existem crianças e infâncias.
A formação continuada do educador é a peça chave para manter a prática, a reflexão e a abertura para o novo. O professor deve se colocar como mediador no processo de aprendizagem: encorajar, alimentar, fomentar a atitude de pesquisa e ajudar a concretizar as ideias das crianças. Colocar-se como pesquisador, trocar com a equipe de trabalho, estudar e buscar se adaptar a uma nova forma de fazer e conceber, consequentemente inovando sua prática.
O período complementar tem uma proposta na qual a criança é o centro do processo e existem outras pessoas, outros espaços e outros tempos de aprendizagem. Essa nova forma de colocar-se no ambiente escolar e como o professor olha para a criança, faz com que se torne mais visível a necessidade de se dedicar ao desenvolvimento emocional, moral e da autonomia da criança. Quanto mais aberta e colaborativa é a proposta, mais conflitos aparecem e é preciso vê-los como uma situação rica de aprendizagem e desenvolvimento, uma oportunidade única no espaço coletivo. Portanto, o professor precisa cuidar de si mesmo, para que possa atuar da melhor forma possível, precisa colocar em prática para si mesmo o que ensina. O autoconhecimento e a reflexão se fazem imprescindíveis.
O planejamento semanal interliga os conteúdos curriculares, as escolhas do educador e o protagonismo infantil. A partir da escuta e da observação, validamos as ideias das crianças e inserimos no planejamento, tornando a aprendizagem significativa para todos os envolvidos. Nessa forma de planejar, tanto o educador quanto a criança, assumem uma postura mais investigativa: pesquisam e aprendem juntos. Essa prática colabora muito para formação do educador e coloca-o em movimento na situação de aprendizagem.
Quando a criança é protagonista de suas aprendizagens, ela se envolve mais e cria significados que a fazem tornar alguns momentos inesquecíveis, de muito prazer e realização. Por exemplo, ao construir um brinquedo com autonomia, com o professor apostando na sua capacidade, a criança brinca mais com aquele brinquedo porque tem um forte significado. E acontece o contrário quando o professor faz o trabalho pela criança: ela brinca poucas vezes e depois não quer mais, porque não houve vínculo com sua aprendizagem.

A observação e o registro dos processos permitem recuperar, avaliar e replanejar ações e planejar situações que apoiem o processo de ensino-aprendizagem. O processo de documentação envolve perceber os aspectos não observados antes, permite conhecer melhor a história de cada criança e do grupo, permite olhar mais profundamente a pesquisa das crianças e a satisfação perante as propostas, alimentando o planejamento com situações inesperadas.
Essa prática faz parte das ferramentas do professor para promover uma educação de qualidade, sendo fundamental para reunir informações sobre as ações realizadas com as crianças, registrando as singularidades e a evolução de cada uma. Se o professor tiver sempre próximo um bloquinho de papel, uma caneta e uma câmera fotográfica ou mesmo celular, e mantiver uma postura de recolhimento, consegue clicar momentos inusitados e incríveis que acontecem diariamente, aprendendo a observar e valorizar a potência da criança.
A interação entre idades traz muitos benefícios às crianças: é a partir dessa vivência que ocorre a troca de experiências e a construção de conhecimentos entre os mais experientes e os menos experientes. Tudo isso propicia o desenvolvimento de diversos valores e descentraliza a figura do professor, as crianças aprendem e ensinam entre elas. O trabalho em grupo também faz parte dessa interação e traz a sensação de pertencimento, de respeito entre as diferentes faixas etárias, é um momento de diversão, descoberta de novas parcerias e potencialidades de si mesmo e dos outros.
A estética das salas e dos demais espaços funcionam como um terceiro educador. A ambientação e a organização podem criar espaços desafiadores, de investigação e curiosidade, em sintonia com os murais, demonstrando a potência e capacidade das crianças: mobiliário baixo, materiais acessíveis e disponíveis, mural com registros das propostas e projetos, possibilidades de transformação do espaço para criar, recriar e dar significados a cada intenção, seja na sala ou no parque. O espaço pode provocar sensações distintas de prazer à desprazer, cabe ao professor ensinar a importância de habitar os espaços, dar sentido a eles e fazer com que as crianças se sintam parte de algo maior, afinal os espaços são lugares ativos de relação, interação e movimentação.
As oficinas trabalham com as linguagens da arte, o brincar e a integração das áreas do conhecimento, visando o desenvolvimento expressivo junto a outras linguagens como língua portuguesa, matemática, ciências etc. Tornando as oficinas mais interessantes, despertando a curiosidade, estimulando a criatividade, a imaginação e a sensibilidade por meio de diferentes materiais, propostas e referências.
O brincar é o eixo central da proposta. As crianças têm tempo para brincar livremente, têm uma variedade de objetos do cotidiano, constroem seus próprios brinquedos e jogos potencializando toda sua imaginação e criatividade; a brincadeira e a ludicidade estão presentes nos diferentes momentos da rotina. Valorizamos o brincar porque é uma forma de expressão e é por meio da brincadeira que a criança se desenvolve integralmente (habilidades cognitivas, sociais, afetivas e motoras), favorecendo a aprendizagem.
Trazer a cultura brasileira para a prática cotidiana também foi muito positivo, o imaginário das lendas e mitos, as danças, as receitas, as brincadeiras encantam, envolvem e possibilitam a reflexão sobre a diversidade cultural do nosso país. Aproximá-los da cultura popular brasileira provocou intensa curiosidade e muita troca com os conhecimentos prévios do grupo, além de outros saberes em diálogo com o trabalho já realizado no período regular.
Assim, a partir do cotidiano, de trocas, reflexões e experimentações, essa prática foi se construindo e ganhando forma.

AS POSSIBILIDADES DE DIÁLOGO COM A EDUCAÇÃO INTEGRAL
Parece-me fascinante a ideia de reformular o período complementar da escola particular e tentar uma aproximação com a concepção de Educação Integral, com o objetivo de se obter uma proposta pedagógica de qualidade, com embasamento teórico e práticas inovadoras, colaborando com o desenvolvimento integral da criança.
Para começar a dar forma ao documento curricular dessa proposta, planejei um tempo de estudo na minha rotina de trabalho, além de encontros com a orientação para tomada de decisões e troca com as professoras em reuniões individuais e de equipe. O desejo é que todos possam participar dessa construção.
Os registros da prática em 2014 tiveram grande importância nesse processo de contar sobre essa experiência, pois assim pude retomar, avaliar e compartilhar todo o caminho percorrido com outros educadores.
A concepção do integral é formada pela proposta pedagógica da escola e por outras concepções2 que inspiram e conectam a possibilidade de diálogo com a concepção de Educação Integral considerando:
  • a centralidade no aluno (protagonismo infantil);
  • novos tempos sem uma rotina compartimentada, novos espaços para explorar as possibilidades do ambiente escolar, mesmo os mais improváveis;
  • aprender com o entorno (territórios educativos);
  • aprender com o outro (seja outra criança, adolescente, adulto, dentro ou fora da escola);
  • possibilidade de se expressar com diversas linguagens e integrá-las;
  • aprender com novas possibilidades (tempo de qualidade, não é mais tempo da mesma coisa).
Esses são os primeiros e fundamentais passos em busca de uma prática inovadora, que deseja fortalecer a centralidade na criança, para que ela possa expressar toda sua imaginação e potencialidade, para que o educador possa se colocar e se ver como mediador, acreditando que esse é o caminho. De fato, é possível transformar a educação e dar voz às crianças.
Em uma reportagem, divulgada no You Tube, sobre educação integral3, o cientista social e pesquisador do CENPEC4, Alexandre Isaac (2014) comenta que o currículo é sempre uma escolha, ele revela a concepção de mundo e sociedade, do que a escola quer que as crianças sejam no futuro
Portanto, o currículo revela o que queremos para essas crianças no futuro, então essas escolhas são muito importantes e espelham o que acreditamos sobre educação.
O período complementar precisa de um trabalho sério, é um espaço que merece atenção, investimento e deve ser valorizado por todos. Se a prática vem de uma nova alternativa para a educação, a possibilidade de contagiar o ensino regular e motivá-lo a se transformar é muito desejável, afinal a própria concepção diz que a ideia é que a escola funcione em tempo integral e não com essa quebra, então quanto mais o regular dialogar com a concepção, melhor.
Essa construção inicial da concepção e do diálogo com a Educação Integral, serve de suporte ao trabalho desenvolvido, de fonte de consulta e de referência para elaboração e reelaboração da prática de acordo com as mudanças que a escola pode passar e as novas necessidades dos alunos. E pode receber novas contribuições, além de revisões a cada nova experiência.

A CONSTRUÇÃO DA EQUIPE
Trabalhar com a formação de equipe é uma tarefa desafiadora. Para se constituir um grupo de trabalho cooperativo é preciso que os envolvidos estejam comprometidos com a concepção. Que os envolvidos se responsabilizem mutuamente pelos erros e acertos, que sejam conscientes das suas capacidades e limitações, e da importância da troca de conhecimentos, considerando que as pessoas possuem habilidades complementares e cada um tem sua forma de desenvolver a prática, embora precise de coerência com os valores institucionais.
É necessário existir um momento no qual se possa apresentar o caminho profissional de cada membro da equipe, além de deixar claro os papéis e as funções de cada um.
Fazer parte de um grupo é possibilitar que todos possam, respeitosamente, expressar seus pontos de vista; que tenham tempo para se adaptar e expor seus posicionamentos e concepções. A partir disso, é possível delimitar objetivos comuns a equipe, para que todos estejam alinhados com a proposta pedagógica; fazendo sugestões e um feedback sobre o trabalho desenvolvido, verificando a flexibilidade e abertura de cada um para se rever ou aceitar as intervenções. É importante reconhecer as conquistas e os aspectos que precisam ser melhorados, comunicando os objetivos e compartilhando as estratégias.
A sensibilidade no trato com as pessoas, a vontade de compartilhar e aprender, aliada a confiança são fatores decisivos para uma boa constituição de grupo. As decisões que podem ser tomadas em grupo, também contribuem para essa constituição e nada melhor do que flexibilidade para chegar a um lugar que agrade a todos os envolvidos. Quando cada um do grupo tem essa oportunidade/disponibilidade de ouvir o outro e colocar suas ideias, soluções incríveis são encontradas para um problema que parecia não ter solução. É fundamental refletir sobre as convergências e divergências em relação a prática e a teoria, muitas vezes, as mudanças e a inovação causam insegurança gerando conflitos, exigindo reavaliar o percurso. É importante registrar o caminho percorrido pela equipe e por cada envolvido, para depois possibilitar a avaliação de como foi a construção de equipe.
A satisfação de realizar o próprio trabalho deve ser baseada no orgulho de fazer parte da equipe dessa escola, na realização do seu próprio trabalho, na alegria e afetividade das crianças, no perceber a evolução de todos e de si mesmo, na dedicação da sua formação, na confiança da parceria e no retorno, que acontece automaticamente, de toda comunidade escolar (crianças, pais e educadores) ao valorizar o trabalho desenvolvido.
Termino esse artigo com o desejo de que todas as escolas busquem inovação e possibilitem à criança o espaço e o tempo para brincar, escolher, fazer, descansar, ler, conversar, contemplar... Que os envolvidos na prática educativa se dediquem a enxergar a potência da criança, se contagiem e abram espaço para a riqueza do mundo infantil.


1 Fonte: Roda de Conversa: Os Desafios da Escola em Tempo Integral no Brasil - 1/3 (11:55 min.). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=274TQgSkDN4 >. Acesso em 20 jul. 2015.
2 Outras concepções que embasam essa prática são a Abordagem de Reggio Emilia, as inovações em educação, a artista plástica Anna Marie Holm, a pesquisadora da cultura infantil Renata Meireles e outras pedagogias, além da própria concepção de Educação Integral.
3 Fonte: Roda de Conversa: Os Desafios da Escola em Tempo Integral no Brasil - 1/3 (05:16 min.). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=274TQgSkDN4 >. Acesso em 20 jul. 2015.

4 Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ação Comunitária

quinta-feira, 30 de junho de 2016

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de junho


Texto e Ilustração: Fernando Vilela
Editora: Pequena Zahar

As ilustrações são de deliciar os olhos: cores vibrantes e muita beleza nos detalhes.


Essa é uma narrativa de imagens, não há texto. Dependendo da idade é possível convidar as crianças à participarem da criação do enredo.

Uma gata e um cachorro viajam pelo mundo dentro de contêineres. Uma aventura e tanto! Tudo acontece nesse espaço: alimentação, sono, diversão e até uma nova amizade. Até que o dono do cão o encontra e os gatos seguem viagem.

No final do livro, há um mapa com o roteiro de viagem, contando sobre os nomes dos navios, as distâncias dos trajetos e um pouco de cada país.

Boa aventura!




Texto: Mahyra Costivelli
Ilustrãção: Taisa Borges
Editora: Grão


Esse é um livro que pela capa já me chamou muito atenção. As ilustrações são mescladas com colagens, desenhos e pinturas; o texto é rimado e tem algumas palavras em destaque que chamam a atenção para alguns aspectos da narrativa.


LedAzeda é a história de uma menina que só precisa de um olhar amigo, de uma oportunidade para poder encontrar as cores e a beleza nela mesma.

Uma narrativa especial, que colabora com o olhar do adulto em relação às crianças na sua própria família ou na escola, que necessitam de apoio para reconhecer o melhor de si mesma.

Uma história emocionante!



Texto: Ana Saldanha
Ilustração: Yara Kono
Editora: Peirópolis


Só eu! Nesse livro um menino revela como é seu cotidiano em que tudo é só dele: ele acorda só, brinca só, passeia só, o abraço e o colo dos pais são só dele, faz leitura só e por fim deixou de ser só para ter um irmão só dele!

Uma graça de narrativa, muito interessante para contar as crianças que que esperam pela chegada de um irmãozinho.

As ilustrações são alegres e dinâmicas e o texto mistura a fonte de letra bastão com letra cursiva, algumas crianças com certeza vão reparar, principalmente as que desejam ou já começaram a escrever com a letra cursiva.






Texto e Ilustração: Agostinho Ornellas
Editora: Cortez

Um livro é muito especial!

Eu adoro a história da chapeuzinho vermelho e suas versões e essa é incrível: acontece no Nordeste brasileiro com roupas típicas, sol quente, plantas espinhentas e uma onça faminta. Deu para imaginar?

É uma narrativa um pouco mais longa, uma adaptação nordestina com os costumes de lá e um pouco de imaginação. Conforme a leitura, as crianças vão identificando os elementos parecidos com a chapeuzinho vermelho que tanto conhecem, as surpresas e as diferenças causam entusiasmo e diversão.Dependendo do repertório de cada criança, podem até lembrar-se das histórias brasileiras que envolvem a onça e outros animais. Também aproveitam para conhecer um pouco mais sobre o Nordeste: expressões, costumes, paisagem, animais, vestimenta, etc.

O final é surpreendente e aproxima as crianças a pensarem sobre a ecologia e a fauna brasileira, o que pode proporcionar uma boa roda de conversa.


Boa diversão!