domingo, 30 de novembro de 2014

DESENHO COM AREIA


  




A câmera fotográfica ou o celular estão sempre em mãos, gosto de fotografar as crianças em momentos espontâneos e criativos no parque, diversas situações acontecem. Estou sempre atenta e elas já se acostumaram comigo fotografando, às vezes até me pedem para fazer alguns registros do desejo delas.

Nessa semana observei um interesse maior em desenhar com areia no chão: começaram usando os dedos, depois as garrafas plásticas, os gravetos e até a sola do sapato!

Desenhavam e apagavam diferentes personagens, algumas registravam em um papel o nome de cada um deles (era uma brincadeira). Também escreveram os nomes próprios e dos colegas.

Para os desenhos maiores, usaram as garrafinhas plásticas com areia e abasteceram utilizando um funil.

O parque ficou muito bonito todo desenhado!

É muito bom fazer parte do cotidiano, em alguns momentos ensinando e em outros aprendendo.


As crianças são potentes, capazes, criativas e maravilhosas!







segunda-feira, 17 de novembro de 2014

MANDALAS POR TODA PARTE


*Projeto apresentado no VI Congresso ICLOC Práticas na sala de aula e finalista no XV Prêmio Arte na Escola Cidadã, ambos em 2014.




“ A mandala possui uma eficácia dupla: conservar a ordem psíquica se ela já existe; restabelecê-la, se desapareceu. Nesse último caso, exerce uma função estimulante e criadora”. Carl Jung
O projeto foi realizado no 2º semestre de 2013, com um grupo de 21 crianças do 1º ano do ensino fundamental I formado por alunos entre 6 e 7 anos de idade e uma criança com Down.



A escola oferece duas aulas de ateliê por semana com 1h de duração cada e incentiva as professoras a desenvolverem projetos interdisciplinares baseados nas expectativas de aprendizagem da série e nas observações realizadas a cerca do interesse do próprio grupo. 


As motivações iniciais para elaborar o projeto partiram de algumas observações: a turma muito inquieta e desenhos ou muito elaborados ou um tanto estereotipados e/ou com repertório pouco variado.

As próprias propostas de arte contribuíram para minha observação em relação ao interesse pela organização e simetria nas produções de alguns alunos. O tema partiu da professora e depois conforme o envolvimento das crianças, o nome do projeto ficou como “Mandalas por toda parte”. 

O projeto contemplou algumas expectativas de aprendizagem do 1º ano na área de identidade, arte, ciências humanas e naturais.

Este projeto teve como objetivo geral confeccionar mandalas utilizando diferentes bases e os mais diferentes materiais. E como objetivos específicos: criar sua própria linguagem e ampliar sua capacidade expressiva e perceptiva, identificar a forma da mandala em objetos e situações relacionadas ao cotidiano, desenvolver a percepção visual e a sensibilidade para as cores; associar a mandala com brincadeiras de roda, proporcionar as crianças o conhecimento das mandalas tanto de utilização espiritual quanto decorativa, trabalhar com simetria, cores, texturas sobre bases circulares, formas geométricas, transpor as ideias de mandala para fora do papel e desenvolver a atenção, concentração, autoestima, a diminuição da agitação motora, da ansiedade e impulsividade; o raciocínio, a criatividade, a aprendizagem, a expressão emocional e o relaxamento.

Para iniciar o projeto aproveitei uma prática dos alunos nas oficinas de percurso, e propus uma atividade disparadora com cola plástica e um círculo de cartolina.

Depois conversamos em roda e apresentei algumas mandalas e perguntei se conheciam aquela forma, se já tinham visto em algum lugar e se lembrava as produções que fizemos, para levantamento de conhecimentos prévios, feito isso fomos ao mural apreciar os trabalhos, observar se encontravam alguma dessas características conversadas na roda e só depois contei que trabalharíamos com mandalas semanalmente. E assim iniciamos o projeto.

Para garantir todos os objetivos planejados os conteúdos foram inseridos em diversas propostas.




 

Em outros momentos as crianças criaram livremente mandalas na areia do parque e relacionaram a mandala aos momentos de brincadeira de roda e massagem.

Essas propostas aconteceram em espaços diferentes, usamos o ateliê, a sala de aula e o parque. Também tiveram atividades individuais, em pequenos e grandes grupos. Parte dos materiais foi fornecido pela escola e outros solicitados as famílias.

Para elaborar este projeto contei especialmente com a internet que me propiciou encontrar tudo que é tipo de mandala possível, inclusive um texto do Jung e utilizei alguns livros como o da Casa Redonda, Mandalas para crianças e Mandalas de Bolso ambos para pintar.

A pesquisa foi essencial para que o projeto pudesse acontecer com tamanha riqueza. Ensinei e aprendi junto com as crianças. 





A avaliação deste projeto se deu por meio da minha observação direta a cada proposta e as intervenções realizadas, por exemplo, as crianças foram orientadas a começar do meio para fora, a combinar linhas e formas e deixar de lado o desenho que representa com frequência, a se concentrar, criar o seu estilo, persistir se errar, evitar comparações e respeitar as produções alheias etc. Cada aluno teve sua caixa de pizza de mandala e foi possível acompanhar a sua evolução e criatividade desde o início do projeto até o fim, na reunião de pais elas foram enviadas para casa. As produções foram expostas ao longo do projeto nos murais da escola, assim as crianças puderam apreciar e comentar durante diferentes momentos. Até os outros grupos estavam trabalhando com mandalas, talvez nossos murais serviram de inspiração. Também foi produzido um livro de mandalas para pintar para cada aluno.

O projeto desenvolvido ampliou o repertório artístico e cultural de meus alunos na medida em que puderam observar que a inspiração artística pode surgir de diferentes fontes inclusive da natureza e de observações do cotidiano, conhecer a arte contemporânea de Beatriz Milhazes e a LandArt, identificar que não necessariamente precisa ser um desenho figurativo, que há muitas formas de combinar linhas e criar novas tramas, e assim essa experiência permitiu que as crianças acessassem este conteúdo, fizessem relações e criassem sua própria linguagem desenvolvendo seu percurso criativo.


Bibliografia

Pereira, Maria Amélia Pinho. Casa redonda: uma experiência em educação. São Paulo: Editora Livre, 2013.

Pilastre, Christian. Mandala de bolso – Volume 1. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2008.

Vidal, Montserrat. Mandala de bolso – Volume 4. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2009.

Pré, Marie. Mandalas para crianças: uma nova ferramenta pedagógica. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2007.

Falcon, Glória. Vamos Pintar as Mandalas?. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2007.

Pilastre, Christian. Mandalas de Al-Andaluz. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2007.

Dibo, Monalisa. Mandala: um estudo na obra de C. G. Jung . Disponível em < http://www4.pucsp.br/ultimoandar/download/UA_15_artigo_mandala.pdf >
acesso em 17 de agosto de 2013.



domingo, 16 de novembro de 2014

O LIVRO PIRATA DOS PIRATAS

Autor: Saviour Pirotta
Ilustrador: Mark Robertson
Tradução: Monica Fleischer Alves
   Editora: GIRASSOL
 
 
Esse é um livro que desperta muito interesse nas crianças, principalmente para os meninos de 5 e 6 anos,  são seis histórias e um pôster bem grande de pirata para pendurar, brincar, descobrir tesouros e saber tudo sobre esses navegantes.
 
Tanto as ilustrações, quanto as narrativas são bem reais e cheias de detalhes com expressões de dar um medinho! Quando me deparei com esse título gostei muito porque é difícil encontrar livros de piratas e este ainda reúne diferentes histórias que estimulam a imaginação e os pequenos podem aprender mais sobre os piratas que tanto os encantam.
 
As brincadeiras de pirata ganharão novos enredos!
 


sábado, 1 de novembro de 2014

INVESTIGANDO PLANTAS: vivências

No fim do 1o semestre as crianças participaram de uma intervenção nas árvores do parque e o grupo do período integral, que frequenta às quintas-feiras, demonstrou muito interesse pelas plantas. Considerando essa curiosidade, pensei em uma oficina para o 2o semestre.



Comecei com uma roda de conversa, o grupo colocou suas hipóteses em relação a planta ser um ou não ser viva e assim fizemos uma tabela comparando as características em comum entre o animal, o ser humano e a planta - eles já sabiam muitas coisas, mas algumas questões permaneceram.

Na escola esse tema já faz parte do currículo, então pensei em três grandes objetivos para essa oficina: propostas dinâmicas, observação da diversidade das plantas para que essa experiência reflita nos registros e procurar responder outras questões mais individuais ao longo das vivências. Inicialmente foi isso...

No 2o semestre, o interesse cresceu mais ainda, por conta de uma observação no parque: uma das árvores, a Sibipiruna, passou por uma transformação. 

Durante o 1o semestre, a árvore que era apenas percebida por fazer sombra com suas folhas, no retorno das férias, ganhou destaque por derrubar cascas de sementes na areia, depois todas as suas folhas caíram, sua folhagem cresceu novamente e flores forraram o chão do parque de amarelo. Um espetáculo maravilhoso para os olhos e para oportunidade de brincar com as cascas e as flores.


Com essa transformação, resolvemos pesquisar e conhecer melhor as plantas da escola. O grupo fez uma busca de folhas caídas por diferentes espaços, e munidos de pinça e um saquinho transparente, recolheram uma grande diversidade de folhas para observação de suas formas, texturas, linhas, cheiros, cores....Depois organizamos todas juntas para visualizarmos melhor.








Durante essa pesquisa, eles também começaram a prestar atenção nos insetos que apareciam no jardim e até criaram "casinhas" com potes, areia, água e gravetos para brincarem durante o parque.

O grupo ficou tão interessado que várias crianças trouxeram folhas do jardim de casa, do parque, da rua...ampliando a diversidade que colheram pela escola e em outro momento a proposta foi um registro com desenho de observação e frotagem.




O documentário Life Plants da BBC, foi essencial para retomada de hipóteses e dúvidas iniciais. Puderam ampliar seus saberes e entender melhor como vivem as plantas e sua diversidade no planeta. É um vídeo incrível! Faz parte de um box, a única questão é que não tem dublado, só legendado e eu narrei o que achei importante contextualizar.






http://livraria.folha.com.br/filmes/documentario/bbc-life-box-4-dvds-dvd-1152978.html







Esses são os registros do que eles mais gostaram de aprender assistindo esse documentário:












A diversidade de plantas e a contribuição dos animais para natureza foi o que mais despertou interesse no vídeo, além das plantas carnívoras.

Também fomos ao laboratório da escola para investigar as espécies lá encontradas e sentir suas texturas e cheiros.




Selecionei diferentes livros e deixei na biblioteca da sala para que pudessem pesquisar e apreciar quando quisessem.

Achei importante apresentar imagens e informações sobre as plantas tóxicas mais comuns no Brasil e as crianças reconheceram algumas espécies. Utilizei informações desde site http://www.escolakids.com/plantas-toxicas.htm

Com tantas conversas e pesquisas, o assunto chegou na alimentação e aproveitamos para integrar outro tema que trabalhamos: a alimentação. Conhecer as frutas, experimentar os sabores, ver como é por dentro e por fora, fazer culinária faz parte da rotina do integral.  Até criamos uma lista com cada fruta que oferecemos no cardápio, informando porque é importante consumi-la. Frequentemente, observo crianças conferindo a lista em diferentes momentos da rotina. No mês passado, visitamos a feira ao lado da escola. E com esse interesse pelo tema plantas, as crianças pesquisaram algumas árvores frutíferas e exploraram mais de perto uma muda de tomate, de morango e de capim cidreira.



Na área de arte, o grupo trabalhou com propostas de carimbo com folhas, pintura de folhas secas e desenho com interferência de folha.




Na última oficina, plantamos sementes de salsinha, manjericão e amor-perfeito. Vamos observar o crescimento e os fatores que contribuem para o mesmo. Outro fato divertido, é que depois que começaram estudar as plantas, algumas crianças começaram a separar as sementes das frutas para plantar e verificar se crescem. Também plantaram grãos de feijão, por conta de um chocalho estourado: nasceram muitos e replantamos em uma jardineira, estamos acompanhando o seu desenvolvimento.

  
Autora: Rina Singh
Ilustradora: Helen Cann
Editora: WMF Martins Fontes
A leitura é um momento especial, as histórias são mais longas e o grupo se mantém concentrado. Quando termino, sempre pedem para ler a próxima narrativa e ficam curiosos para saber sobre a nova árvore - cada história conta sobre uma.

O livro “Uma floresta de histórias – contos de árvores mágicas do mundo todo”, traz narrativas encantadoras que mexem com o imaginário das crianças e apresenta diferentes culturas. É uma ótima referência para explorar as representações de árvores, que muito me interessa.

Quando li a história da castanheira, minha parceira de trabalho ensinou uma brincadeira, da castanheira, chamada "Okina Kuri No" da cultura japonesa. Passaram semanas e semanas cantarolando essa canção em japonês....Ela é encontrada no livro Brincadeiras Cantadas de cá e de lá.


A partir dessas oficinas, foi possível observar o quanto o grupo desenvolveu hábitos de cuidado e de observação, considerando a dependência e a interdependência tanto dos animais quanto dos seres humanos. As propostas despertaram a sensibilidade pelas plantas e colaborou com os desenhos mais elaborados e menos estereotipados. Até a alimentação melhorou.

E as oficinas continuam...teremos uma saída pedagógica para o Viveiro Manequinho Lopes, produção de casa para pássaros, desenho com gravetos e sementes, pintura com pincel de folha de pinheiro....