quarta-feira, 25 de abril de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de abril

Texto: Leo Cunha
Ilustração: André N
Editora: Pulo do Gato


A capa causa estranhamento e curiosidade: o que faz esse menino nessa posição, onde ele está? Na contracapa, água límpida e uma criança.

Essa é uma obra dedicada ao Rio Doce. Fiquei emocionada ao ler, pensei que era a história de um menino, mas não é a história do próprio Rio que levava vida por onde passava, ele conhecia cada cantinho do seu percurso, quando algo aconteceu e ele virou lama, tudo desapareceu, "um dia ele foi um Rio" e  a esperança prevalece, assim como toda a natureza ele também renascerá.

Separa o lencinho e boa leitura!

Ilustração: Taisa Borges
Editora: Zit

Uau! As ilustrações já me encantaram! A capa abre uma aba do lado direito e a águia aparece com a duas asas abertas. Só pela capa já dá para convidar as crianças a pensarem do que será que se trata essa história?

Isso porque é um livro sem texto, dependendo da idade da criança, ela pode ir criando com você a narrativa ou mesmo cada um pode contar a sua versão. Esses livros são muito bacanas, pois expandem a imaginação das crianças, elas podem participar da construção e se divertir muito.

Alguns detalhes e expressões das ilustrações podem dar dicas para pensar o que contar a cada página. Quando as ilustrações ganham um "zoom" a beleza é tanta que tenho certeza que as crianças vão grudar os olhos no livro.

Ao final na contracapa...surpresa! Não esquece de dar uma conferida!

Boa aventura!

Texto: Daniela de Brito
Ilustração: Polly Duarte
Editora: Cortez

Tema muito necessário e texto bem interessante para compartilhar com as crianças. 
Lembrei de uma turma de crianças na qual tínhamos muita diversidade: eram negros, ruivos, loiros, castanhos, olhos puxados, cabelos enrolados, cabelos lisos e toda mistura. Trabalhei muito a singularidade de cada um e fizemos uma autobiografia. Era uma oportunidade única aquela sala com crianças tão diferentes e trabalhar com elas foi demais, elas se sentiam um grupo que acima de tudo se gostavam e se respeitavam como eram. Elas valorizavam essas diferenças.
Esse texto traz uma forma de conversar com as crianças sobre o uso do lápis cor de pele que até hoje existe e precisa ser abordado na escola e em casa, essa questão familiar da árvore genealógica também é bem interessante, irmãos gêmeos diferentes, etc.

Boa reflexão!



Texto: Dipacho
Ilustração: Heloisa Jahn
Editora: do Brasil


A capa é bem animada e a leitura também! Partindo do verde, o livro faz uma brincadeira com as palavras usando apenas a letra V e sempre com alimentos verdes.

Há uma acumulação das palavras a cada página, o que pode virar uma brincadeira ou um desafio para os leitores. Crianças em fase de alfabetização que estão lendo algumas palavras já podem se arriscar.

As ilustrações vão ganhando novos personagens acompanhando o texto e se expressam de acordo com as palavras. Parecem um bando de monstrinhos!

As crianças vão se divertir, se antecipar por conta da repetição e se surpreender com o final.

Boa diversão!

Texto e Ilustração: Lúcia Hiratsuka
Editora: Pequena Zahar


Que graça! Um encanto de livro! A suavidade das ilustrações japonesas são incríveis!

Um livro de poesia inspirado nos haicais japoneses, um convite para entrarmos no quintal e na memoria da autora que revela a natureza como fonte de inspiração para ela e para nós a partir dessa leitura.

As crianças vão notar essas ilustrações tão leves e simples, aproveite para conversar sobre os desenhos japoneses, se já viram em outros livros ou lugares, etc. Tenho certeza que as poesias suscitarão perguntas ou comentários por parte dos pequenos.

Adorável!

Texto: Alexandre Azevedo
Ilustração: Rubem Filho
Editora: Escrita Fina

A obra tem a tonalidade marrom, parece antiga, conta a vida de Machado de Assis na infância.

Rio de Janeiro, um vendedor de sonhos saia pela cidade todos os dias a vender sonhos...esses de padaria mesmo.

Um menino pobre que com 10 anos já tinha muitos conhecidos pela cidade. Menino gago, alguns comentavam, mas ele não se importava, o importante era vender! 

Esse menino cresceu e tornou-se um mestre da literatura, continuou a vender sonhos, mas de outro tipo. No final há mais informações sobre a vida do escritor, você imagina como um dos maiores escritores brasileiros realizou suas conquistas?

Leia e se surpreenda!

sábado, 14 de abril de 2018

Protagonismo infantil: como é isso na prática?


Muito se fala sobre o protagonismo infantil e cada vez mais o discurso das escolas propagam que as crianças são protagonistas, porém podem existir algumas confusões: escolher é diferente de ter vez e voz. Então como seria considerar a criança como protagonista das suas aprendizagens?

Em primeiro lugar precisamos rever a concepção de criança para depois compreendermos como o protagonismo infantil acontece. Essa concepção vê a criança potente, capaz, criativa, rica nas suas iniciativas e no seu próprio processo de aprendizagem.

Então para começar leia esse artigo sobre concepção de criança e infância para complementar essa reflexão:




Quando o educador passa a considerar essa perspectiva da criança protagonista de sua aprendizagem, essa visão modifica as formas de relação com elas e de planejamento das propostas. A criança vê o educador como um parceiro mais experiente, atencioso, que caminha com ela e investe em suas ideias. A relação que se estabelece é de respeito, reconhecimento, vínculo e muita satisfação.

O educador planeja para e com as crianças. Essa maneira de planejar interliga os conteúdos curriculares, as escolhas do educador e o interesse (os questionamentos) das crianças, tornando a aprendizagem significativa para todos os envolvidos: ora o educador é protagonista, ora a criança. Tanto o educador, quanto a criança, assumem uma postura mais investigativa: pesquisam e aprendem juntos. Essa prática colabora muito para formação do educador e coloca-o em movimento na situação de aprendizagem.


O protagonismo infantil norteia as ações do planejamento que o educador elabora a cada semana, para que esse conceito seja de fato contemplado, outras perspectivas devem ser levadas em conta: a escuta, a observação, o registro, o espaço e o ambiente, as diversas linguagens, a investigação, as relações, o ensino aprendizagem como processo subjetivo e grupal, a avaliação e a formação profissional.[1]


O educador que atua nessa perspectiva, precisa estar atento e aberto as crianças: as falas, as maneiras singulares de dizer e as necessidades. É uma escuta sensível. É o alimento para seu planejamento que dessa forma torna-se interessante e significativo; e passa a ser construído por todos os envolvidos, não mais programado e centralizado no educador e sim projetado com as crianças e as famílias. Essa projeção emerge do cotidiano, das experiências que as crianças são convidadas a participar ou descobrem por elas mesmas e também do que compartilham com os educadores. 

Dentro de alguns dias voltarei a essa reflexão devido a próxima publicação sobre a abordagem de Reggio Emilia e as cem linguagens das crianças.


[1] Fonte: Disponível em < http://www.estudosdacrianca.com.br/resources/anais/1/1405620534_ARQUIVO_protagonismoeparticipacao.rtf.pdf >. Acesso em 11 abr. 2015.