domingo, 14 de outubro de 2012

QUE TAL ARGILA?


A modelagem com argila faz parte do trabalho na área de artes. Modelar é um procedimento referente a produção tridimensional. O foco do trabalho com as crianças, inicialmente, é a aprendizagem de procedimentos de modelagem, depois momentos de experimentação, tentativas de representar o que se desejam e uso dos procedimentos aprendidos com autonomia, nas suas produções livres. Também se pode trabalhar com figura humana, animais, monstros, objetos diversos etc.

Sentir a umidade, reconhecer que o material gruda um pouco na mão e se acostumar com essa sensação são vivências importantes: achatar, apertar, amaciar, alisar, enrolar, fazer bolas grandes e pequenas. Trabalhar com os dedos separadamente descobrindo as possibilidades de cada um deles no contato com o material. Também aprendem procedimentos para secagem, emendas, pintura e como deixá-la brilhante ou fosca.

A sequência apresentada é um recorte do trabalho realizado na Educação Infantil, utilizando a criatividade pode-se criar muitas propostas interessantes.

Objetivos:
  • Explorar estes movimentos (amassar, alisar, enrolar, fazer bolas grandes e pequenas, dar socos, empurrar, esticar, torcer;
  •  Administrar diferentes quantidades nas mãos;
  • Sentir umidade, observar que ela seca e fica dura, sentir e conversar sobre as características físicas do material;
  •  Aprender o tempo de secagem da argila;
  • O controle das mãos, a grossura das cobrinhas para não quebrar, os diferentes tamanhos, puxar para dar forma, alisar, etc.
ATIVIDADES

Exploração da argila: cada um modela "famílias" de bolinhas e cobrinhas e pensa em um nome para elas. Em outro momento, pintá-las toda de branco para depois serem pintadas com as cores escolhidas.


Amaciar e aprender a modelar uma placa: ensinar as crianças que quando recebem a argila podem brincar e amassá-la como se fosse massinha, assim ficará macia e mais fácil de manejar, depois devem formar uma grande bola e arremessá-la em cima da mesa. A placa já estará pronta! Agora é só colocar os objetos, podem ser botões, canudos, miçangas, contas etc.


Gravura com placa de argila: novamente modelar uma placa cuidando para que não fique excessivamente fina, depois desenhar utilizando palitos de churrasco, de dente e de sorvete. Feito isso deixe-as secar, no outro dia passar tinta preta e carimbar em uma folha A4 de sulfite e assim conseguirão identificar seu desenho carimbado no papel.

Modelagem de frutas: realizar uma apreciação com frutas de verdade, de brinquedo ou imagens na internet e possibilitar que as crianças observem bem as características de cada uma. Nessa atividade espero que utilizem as aprendizagens até aqui conhecidas. 
É importante considerar a facilidade ou dificuldade de se modelar determinada fruta e assim cada um escolher a sua. Durante a modelagem a professora vai observando e pontuando o processo das crianças para que considerem os aspectos básicos de cada fruta. Depois de seca, pintar com tinta branca para que ao aplicar as cores, as mesmas se tornem mais vivas; outra etapa são os detalhes com tinta preta e marron: pintas, sementes etc. E por último passar uma camada de cola branca para que fique mais resistente e com brilho.


Modelagem livre com palitos


Modelagem de vasos: apreciar imagens de diversas formas de vasos, modelar um para que as crianças visualizem como podem começar e o que precisam considerar se querem mais gordinho, mais magrinho, lonho, baixo etc. Ao final decorar com cacos de azulejo, fixar com a argila ainda mole e depois se  algum soltar, colar com cola branca.

Modelagem de bustos: cada criança modela o seu e a professora, como modelo, também. Mostrar e contar aos alunos o que é um busto. 

O primeiro passo é fazer a marca de onde será o pescoço e depois ir modelando a cabeça. Feito isso puxar o nariz com as pontas dos dedos, fazer os olhos com a ajuda de palitos ou bolinhas de argila e riscar a boca com palitos ou deixar para fazer com tinta. A orelha é opcional, os cílios e a sobrancelha são pintadas depois. 
Segundo passo é com a argila já seca. Pintar de branco, secar e depois pintar da cor da pele. Nesse caso eu apenas aproximei as crianças dessa ideia para identificarmos a diversidade de cores de pele na sala de aula, e foi muito curioso, elas mesmas o tempo todo foram nomeando qual é igual a qual, quem é mais claro ou mais escuro... Por fim, escolher a cor da lã e colar nas cabeças.



terça-feira, 2 de outubro de 2012

BRINCAR DO QUÊ? PARA BRINCAR OU APRENDER?


“A brincadeira ajuda a construir a imaginação da criança, junto com vários elementos de outras culturas, por meio de um processo de aprendizado que permita comunicação, tomar decisões, compreensão de regras, expressão linguística e socialização.”

Na escola as crianças têm diversas oportunidades de brincar:

Na chegada...
Com os brinquedos de casa...
Na brinquedoteca...
No recreio...
No pátio...
Na quadra...
Livremente...

...enfim, brincam de diversas maneiras! Na educação infantil o tempo para o brincar tem eixo central.

O jogo simbólico está intensamente presente no cotidiano. A diversão fica cheia de imaginação, criatividade, mistérios, descobertas e encantamento. 

Nessas brincadeiras a representação do mundo adulto e de personagens animados ganha um destaque especial. As crianças recriam essas experiências brincando de casinha, cinema, teatro, dentista, médico, veterinário, mercado, escolinha etc. E passam a atuar como se realmente fossem determinadas pessoas: se subordinam as regras, imitam, mudam a voz e o corpo.

Já as brincadeiras tradicionais acontecem nos espaços abertos e/ou recreio: brincadeiras com bola, com as mãos, com os pés, de roda; pega-pega, esconde-esconde, corda, amarelinha, elástico etc. Com o passar do tempo essa rica cultura infantil tem se perdido: os pequenos têm acesso direto a tecnologia (vídeo games, ipads, ipod etc), as famílias se deparam com o consumismo infantil e o espaço de natureza na escola cada vez mais desaparece. Mesmo  asssim alguns alunos procuram as plantas que existem no espaço para criarem mandalas e composições com elementos da natureza e outros quando oferecemos sucata nas aulas de artes, criam seus próprios brinquedos sem que tenhamos falado como fazer ou o que poderiam fazer, essa necessidade dos pequenos vem à tona espontaneamente.

Agora assista estes vídeos: http://aiue.com.br/video/40889334 e http://youtu.be/NtX-lOAdvRM, depois entre neste site http://pelodireitodesercrianca.com.br/Biblioteca e com a barra de rolagem desça a tela até o fim e no subtítulo "Pesquisas" clique em Criança e Natureza, abra o arquivo e leia.








As crianças precisam brincar na escola por simplesmente brincar, elas necessitam movimentar o corpo: pular, fazer gestos, correr etc. É importante cuidar para que as propostas não sejam apenas direcionadas, com os objetivos do que aprenderão. Brincar é extremamente importante na infância não porque há objetivos pedagógicos, mas por se tratar de crianças pequenas, é uma necessidade física, psíquica e relacional.

Pense no parquinho da escola antigamente como era desafiador: gangorra, trepa-trepa, escorregador, gira-gira, balanços diversos, tanques de areia, natureza etc. Pense um pouco na sua infância, do que você brincava? Como eram esses momentos de brincadeira? Quem brincava com você?

Retome sua infância, com certeza trará boas lembranças e muitas brincadeiras de rua e terra. Machucados, interação com diferentes idades, às vezes apenas observávamos porque o irmão mais velho não deixa brincar, existiam brincadeiras de menino e de menina etc. E o repertório? Passávamos horas envolvidos, a melhor parte do dia era chegar da escola e sair na rua ou na terra para brincar: subir em árvores, entrar em contato com animais, inventar e construir brinquedos etc.

No Brasil, a mesma brincadeira em cada região pode ter um nome diferente ou uma variação de regra e em outros países segue a mesma observação. Como diz minha professora Lucilene Silva “O brincar é universal, o mundo todo brinca da mesma coisa”.


Nos momentos de brincadeira o papel do professor é realizar intervenções que ajudem as crianças a pensar como se brinca, do que se pode brincar e como se pode resolver os conflitos que aparecem. Além de garantir os materiais e os espaços que podem utilizar e apresentar novas brincadeiras.

Outro viés dessa reflexão partiu de um seminário internacional que participei onde a argentina Ana Malajovich fala sobre o brincar: 


“As crianças, ao se encontrarem com outras crianças e com os docentes, terão a oportunidade de ampliar suas capacidades de se comunicar, de brincar com os outros, de desenvolver a confiança em si mesmas e nos demais, de respeitar e valorizar as pessoas reconhecendo-se em suas semelhanças e diferenças, de ampliar sua curiosidade, suas possibilidades de exploração do ambiente, de fazer perguntas e encontrar respostas acerca de sua realidade, de estabelecer novas relações, de descobrir que pode se expressar usando não só movimentos, mas também palavras, imagens plásticas ou produções sonoras. Essas aprendizagens, para a maioria das crianças, hoje, só podem ser adquiridas na Educação Infantil.”[2]


A brincadeira e o jogo têm sido muito utilizados como meio educativo, como se os conteúdos devessem ser ensinados e organizados dessa forma na educação infantil: de uma forma lúdica e que as crianças se divirtam ao mesmo tempo. Sendo que não é possível garantir que todo conteúdo seja ensinado dessa forma.

A palavra jogo pode ser interpretada como brincadeira livre, brincadeira espontânea ou jogo dirigido, uma estratégia de ensino (bingo, por exemplo). Nestes três âmbitos o jogo dirigido é sempre mais valorizado do que a brincadeira livre, a espontânea então é vista como bagunça fora de hora.

É esperado claro que haja na escola o tempo dedicado ao ensino e aprendizagem de determinados conteúdos, mas eles não precisam ser trabalhados sempre através do jogo e/ou do brincar.

Segundo MALAJOVICH
[3] a brincadeira deve ser considerada com seriedade pelos profissionais da educação:

“(...) a brincadeira como atividade específica, que supõe compromisso, intenção dos que participam, risco, aventura, possibilidade de exploração e de fracasso, sem graves consequências, deve encontrar na dinâmica cotidiana tempos e espaços próprios de desenvolvimento, e um docente observador dessa brincadeira, que determine como e quando intervir para enriquecer as possibilidades lúdicas dos pequenos. Entretanto, defender a presença da brincadeira não deve supor que basta fazer com que eles brinquem.”

A brincadeira é ensinada de geração para geração, é um conhecimento construído socialmente, são produtos culturais que se adquirem com a interação com outros parceiros mais experientes.

O professor deve assegurar que seus alunos desfrutem da brincadeira na infância, lutem por isso nas suas escolas e apliquem cotidianamente, traga novos saberes que agreguem aos pequenos, que não fiquem apenas no repertório deles e sim enriqueça esses momentos.


Dicas:

www.territoriodobrincar.com.br

www.mapadobrincar.com.br

http://www.escolaoficinaludica.com.br/brincadeiras/index.htm

http://www.caleido.com.br/publicaccedilotildees.html

http://arteivancruz.blogspot.com.br/

http://pt.scribd.com/doc/7284403/Brincadeiras-Rua

http://pelodireitodesercrianca.com.br/Biblioteca


Cd Pandalelê

Cd Abre a Roda Tin dô lê lê

Cd Bela Alice

Livro com Cd Brinquedos Cantados Ed Callis

Livro Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil

Livro Brincadeiras para crianças de todo o mundo

Livro A arte de brincar Ed Vozes
[1] Fonte: Brincadeiras para crianças de todo o mundo (pág. 9)[2] Texto: Jogar ou aprender: as duas caras da mesma moeda?[3]Texto: Jogar ou aprender: as duas caras da mesma moeda?