quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

INTERVALO, RECREIO, PARQUE: HORA DE SE DIVERTIR!


Conceito de recreio[i]

“Com origem no termo latino recreatio, a palavra recreio define a ação e o efeito de recrear. Por conseguinte, pode referir-se ao ato de
criar ou de produzir algo de novo. Também se refere ao divertimento, prazer ou deleite como forma de distração relativamente ao trabalho e às obrigações do dia-a-dia.
O recreio é, portanto o uso do tempo que se considera como um ‘refresco’ terapêutico do corpo e da mente. O recreio implica uma participação ativa por parte do sujeito, ao contrário do ócio que envolve, por norma, o
descanso ou outra forma de entretenimento mais descontraída.
Os especialistas afirmam que a
diversão é importante para manter um equilíbrio entre os deveres e a saúde física e mental. Entre as atividades recreativas mais tradicionais, podem ser mencionadas aquelas que se realizam ao ar livre.”




O recreio...

Quem não se lembra da felicidade de ouvir o sinal bater?

É um momento muito esperado pelos pequenos e quando chove se o espaço é aberto, logo se mostram tristes.

Alguns tomam o lanche rapidamente ou até escondem parte dele para sobrar mais tempo de brincadeira.

O recreio é a hora predileta da rotina: compartilhar, inventar, correr perigos, ter um grande espaço com diferentes possibilidades e desafios, interagir com outras crianças, reencontrar colegas e professoras. Meninos e meninas brincam juntos e separados, tem repertórios e jeitos diversos de brincar, mas um ponto em comum é a capacidade de transpor a imaginação para o real: o jogo simbólico.

Brincando a criança produz sua cultura lúdica
[ii]:

“...o repertório de suas brincadeiras, incluindo os brinquedos, suas histórias, fantasias e traquinagens criadas, aprendidas, repassadas, adaptadas e transformadas entre as mais velhas e as mais novas, entre os meninos e as meninas, num determinado lugar, num determinado contexto histórico-social.”

Observando os alunos é perceptível o tempo de cada um ou de cada brincadeira, o quanto entrar e saem delas, trocam, reinventam, aceitam nova propostas, ritmos etc.

O recreio pode ter diferentes sentidos: brincar, provocar, descansar, ler, observar, conversar, jogar futebol, reencontrar amigos de outra salas, irmãos, primos etc.

É possível observar como as crianças gostam de reinventar este espaço, modificá-lo e dar novo sentido.

Os professores e auxiliares acompanham os pequenos nessa hora para garantir que as interações e conflitos sejam adequados – evitando situações desagradáveis e acidentes. O educador também observa seu grupo e como se da à relação entre eles: quem já resolve os conflitos com autonomia e quem precisa de ajuda. Também pode propor novos desafios e combinar algo com as crianças antecipadamente etc.

Nesse tempo os professores também passam a conhecer melhor seus alunos, perceber suas preferências, seus medos, como se relacionam, se respeitam os outros adultos etc.

Em uma entrevista para Revista Nova Escola, a especialista em Psicologia da Educação Catarina Iavelberg nos revela que
[iii]:

“Muitas vezes, é só no pátio que se percebe a atuação de um líder ou o isolamento de um aluno. A investigação das áreas ocupadas e das vazias também traz informações importantes.”

Os adultos fazem um rodízio para descansar, tomar lanche e assim as crianças também interagem com outros professores.

O espaço deve possibilitar liberdade e criatividade. Há propostas livres com pouca intervenção do professor e momentos em que há necessidade de propor algo mais dirigido.


Recriar o recreio?

O recreio tem um espaço e um uso bem diferente dos outros espaços da escola e é um momento privilegiado para o brincar.

E como tem sido o recreio? Brincadeiras livres ou direcionadas? Já falei um pouco sobre esse tema em outro artigo chamado “Brincar do quê? Para brincar ou aprender?” publicado em outubro de 2012, seria interessante realizar a leitura antes de continuar esta:
http://culturainfantilearte.blogspot.com.br/2012/10/brincar-do-que-para-brincar-ou-aprender.html

Como as crianças veem este recreio: um espaço totalmente livre para fazer o que quiser? O recreio determina quais serão as escolhas ou elas são realmente livres?

Em cada escola o recreio possibilita diversas oportunidades a depender do espaço - que é determinante (tamanho, coberto, aberto, cimentado, grama, terra, areia, plantas), do tempo, da faixa etária, das relações interpessoais, de materiais oferecidos etc.

Se não há alternativas interessantes as crianças procuram brincadeiras com vivências corporais ou arrumam algo para fazer normalmente fugindo das regras.

Segundo a psicóloga Rosely Sayão
[iv]:

“...agem assim, talvez, porque não sabem o que fazer com esse período livre. Porque não sabem brincar, compartilhar um espaço. Agem assim, principalmente, porque ninguém as ensina que pode ser diferente.Criança tem energia e precisa gastá-la. Pode ser correndo, sim, mas pode ser de outras maneiras. Hoje, consideramos que criança precisa correr, gritar, pular. Não precisa. Aliás, fica mais agitada quando assim se comporta.(...) Muitas têm. Essas sabem o que é preciso: oferecer propostas, tutelar a convivência entre os alunos, mesmo à distância, e determinar locais para os que querem ficar tranquilos e para os que querem brincar com mais liberdade são alguns exemplos (...)" 


O recreio é importante para que as crianças escolham seus colegas e as atividades que desejam fazer. É
 um espaço de formação que envolve aprendizagens diferentes da sala de aula, um espaço em que muitos conflitos acontecem e é um espaço de liberdade também. É um momento da rotina fundamental para a adaptação e a interação entre as crianças e a escola, além de possibilitar observações sobre como se mostram: integradas ou isoladas, respeitosas ou agressivas, livres ou oprimidas, entusiasmadas ou medrosas, alegres ou desanimadas.

Planejando algumas propostas, o professor intervém para que as crianças avancem nos repertórios de brincadeiras, nos conflitos, nas relações e aprendizagens no que se refere a como e do que brincar. Nessas propostas livres e planejadas elas aprendem a brincar, descobrindo um novo mundo. O adulto interage e ajuda os que estão se arriscando pouco a conhecer o ambiente, dá ideias etc. As crianças precisam se apropriar do espaço, é preciso pensar na organização e na intencionalidade. Devemos considerar a escola como um espaço de relação, como um educador.

Para que possa intervir no brincar de seus alunos, o educador precisa, em primeiro lugar, reconhecer nas brincadeiras e jogos um espaço de investigação e construção de conhecimentos sobre diferentes aspectos do meio social e cultural em que as crianças vivem. É necessário também que ele veja a criança como um sujeito ativo e criador no seu processo de construção de conhecimento[v].

O professor pode mediar esse espaço do brincar ao ensinar maneiras seguras de subir em locais perigosos, montar ambientes que possibilitem o jogo simbólico, fornecer materiais (capas, espadas de jornal, kit escritório, tecidos, kit cozinha, bolas, barbantes, caixas de papelão etc) para incrementar os jogos e propor desafios motores pelo parque (cones de trânsito, bancos para saltar, colchões, cordas, pneus etc) dentre várias opções. Outros materiais também podem ser usados: mesa de pingue-pongue, mesa de pebolim, tabela de basquete, jogos de tabuleiro, jogos de cartas, boliche de garrafas PET, jogo de dama com tampinhas de garrafa e outros brinquedos que eles mesmos podem fazer de sucata, revistinhas em quadrinhos etc.

Dessa forma este horário tão esperado pode se tornar mais atraente e prazeroso.

Fátima Schenini
[vi] comenta em seu artigo do MEC:
“Desde que o aluno não seja obrigado ou dirigido para a atividade. Qualquer possibilidade que o aluno tenha de exercitar sua criatividade, de demonstrar suas potencialidades e de vivenciar o convívio com o outro é positiva, desde que seja por opção, as crianças sempre tinham uma saída criativa. Muitas vezes as pedras, as folhas de árvores e até os pilares do pátio eram usados como elementos nas brincadeira. Colaborar muito para que essa vivência seja lúdica e criativa. Sem esquecer, é claro, que o não fazer deve ser uma das escolhas possíveis.”

Bibliografia


· VILA, Centro de estudos da Escola da. Movimentos e Brincadeiras. Grupo de formação de professores de 3 a 6 anos. 2005.

·
http://www.intermeio.ufms.br/revistas/32/32%20Artigo_06.pdf

·
http://conceito.de/recreio

· Brincar: Um baú de possibilidades
http://www.pelodireitodesercrianca.com.br/Biblioteca

·
http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/orientador-educacional/hora-recreio-licoes-intervalo-relacionamento-relacoes-pessoais-539212.shtml

·
http://culturadobrincar.redezero.org/o-recreio-e-a-culpabilizacao-do-movimento/

·
http://www.univates.br/files/files/univates/editora/livros/recreio-escolar.pdf

·
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1810201122.htm

·
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=1005

·
http://educador.brasilescola.com/orientacoes/recreio-organizado.htm

· A importância do recreio
http://pt.scribd.com/doc/52055483/As-caracteristicas-do-recreio-escolar-e-os-comportamentos-agressivos-das-criancas

[i] http://conceito.de/recreio[ii] http://www.intermeio.ufms.br/revistas/32/32%20Artigo_06.pdf[iii] http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/orientador-educacional/hora-recreio-licoes-intervalo-relacionamento-relacoes-pessoais-539212.shtml

[iv] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1810201122.htm

[v] VILA, Centro de estudos da Escola da. Movimentos e Brincadeiras. Grupo de formação de professores de 3 a 6 anos. 2005.[vi] http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=1005