quinta-feira, 27 de junho de 2013

DESENHO INFANTIL: observar, compreender e alimentar!

Durante a infância, o desenho sofre mudanças que são bastante significativas. Nesta etapa do desenvolvimento (3 a 6 anos), as crianças já passaram pela fase das garatujas (rabiscos) com as quais procuram o controle dos movimentos e dos materiais. Suas marcas começam a se modificar, conquistando formas de novelos, formando círculos, bolinhas e ganham mais espaço na folha. Usam cores e formas como linguagem, com propósito de comunicar algo. Depois disso, os desenhos começam a conquistar novas formas com figuras fechadas e inscrições por dentro e por fora; e assim inicia-se a construção da representação humana e, a partir daí, iniciam a  representação de formas variadas.






   Acredito na necessidade do desenho fazer parte da rotina todos os diasUm aspecto que norteia essa ideia é que trata-se de um fazer cultivado: desenhar diariamente, apreciar as próprias produções, as dos colegas ou de artistas são formas de intervir no traçado e no repertório gráfico.

Essa forma de trabalhar baseia-se em propiciar o fazer, o apreciar e o refletir. As possibilidades podem acontecer individualmente ou em grupo.

As propostas não determinam o percurso criador, ao contrário, alimentam-no e colocam novas questões e desafios para que ele se transforme. Considero uma boa proposta é aquela que revela a forma como cada aluno se expressa. 

Na criação as crianças demonstram muita ludicidade: brincam, jogam, inventam, narram, conversam, trocam. São capazes de permanecer um bom tempo envolvidos com seus traçados.

Procuro observar os desenhos ressaltando o percurso de cada um, as conquistas, as ideias e os elementos novos. Valorizando também os que não figuram.

      Algumas práticas reprimem a criança: dizer-lhe que ela não desenhou nada ou que são rabiscos pode bloquear ou romper o desenvolvimento de sua criatividade. Comentar apenas que está lindo não diz nada, porque o conceito de bonito e feio é diferente para cada ser humano.

Cada criança tem uma relação com o desenho. Algumas investem na repetição de alguns temas, outras evocam coisas que fazem parte do mundo dos desenhos, filmes, brinquedos e de suas paixões por certos objetos, animais ou formas. Cada uma tem uma intimidade estabelecida com essa linguagem, desenhar é uma aventura onde eles ampliam suas possibilidades de olhar e produzir.

Considero que o contato regular com a diversidade de materiais favorece o conhecimento mais profundo de cada um deles e permite a criança se concentrar em sua ação e não apenas com o que fazer.

Pensando em desenho, há diversas possibilidades:

Desenho livre ou espontâneo




Quando a proposta é livre, o objetivo é que tenham um momento de criação a partir de seu próprio repertório e da utilização dos elementos da linguagem que trabalhamos em sala.

O professor não deve intervir, no entanto, em alguns casos quando a criança repete sempre a mesma coisa ou  faz desenhos estereotipados, penso que é importante propor que desenhe algo diferente relembrando momentos que foram trabalhados.

Desenho a partir de uma apreciação



Apreciar ilustrações de livros infantis, as próprias produções, as dos colegas ou as de artistas são formas de intervir no traçado e no repertório gráfico. Ao apreciar, a criança pode estabelecer uma correlação com suas experiências pessoais.

Essas apreciações contribuem para ampliar o repertório de imagens, observar e identificar imagens diversas, conhecer a diversidade de produções, artistas e linguagens, observar os elementos da linguagem apresentada e a diversidade de possibilidades, assim como ampliar seu conhecimento de mundo e de cultura.

Contribuindo para que os alunos deixem de lado as figuras padrões e percebam que não há uma única forma de representar determinada coisa.
A exposição dos trabalhos nos murais é muito importante, pois valoriza e propicia a leitura da própria produção, das dos demais colegas e até as de outros grupos.

Desenho com interferência







Essa modalidade desenho pretende provocar, subsidiar a produção das crianças. Essa interferência pode ser um traço, uma linha, colagens ou diversos fragmentos, que a criança usa como parte do seu desenho. Quando a interferência oferece parte de uma representação – apenas uma cabeça, por exemplo -, ela sugere que a criança faça um desenho específico – neste caso, uma figura humana. 

Os suportes também fazem parte das interferências: diferentes tamanhos de papéis, formatos variados, papéis vazados, etc. Se divertem com as novas possibilidades de seus próprios desenhos estimulando a criatividade e a imaginação.

Desenho temático 





Neste o professor determina o tema: brincadeira, monstros, família, autorretrato, personagens de histórias etc.





       Desenho gêmeo 

     É a cópia de um outro desenho de um amigo. Um desenha e o outro copia.



       Desenho da imaginação 


A criança cria algo novo ou pode ser estimulada como, por exemplo, enfiar a mão dentro de um saco de tecido e tentar descobrir com o toque o que objeto tem lá dentro, depois desenhar e por último conferir o que era.


Desenho de observação

Quando penso no desenho de observação considero a observação de um modelo real. O aluno se encontra diante de uma situação onde tem que olhar e desenhar ao mesmo tempo conferindo seu risco o tempo todo. Conversamos muitas vezes sobre este tipo de desenho e eles percebem que assim aprendem a desenhar coisas que não sabiam. Não se trata de fazer uma cópia, mas de criar uma situação que torne observável detalhes, formas e cores.

Desenho "abstrato"

Normalmente são as crianças que usam esse jeito de falar, referindo-se a não representação da realidade.

Algumas vezes, por mais que a criança já saiba representar a realidade, ela opta por realizar também desenhos “abstratos” - marcas do seu movimento-, além de outros que tentam representar, mas não ficam tão óbvios para nós.

Desenho de memória

Neste me refiro a imagens guardadas na mente. Por exemplo, lembrar-se de algum evento ou situação passada e desenhar.

E outras possibilidades de desenho que a diversidade de materiais proporciona aliada a criatividades do professor.











Para saber mais...
  • Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil - Volume 3. Brasilia: MEC/SEF, 1998.
  • IAVELBERG, Rosa. O desenho cultivado da criança: prática e formação de educadores. São Paulo: Zouk, 2006.            
  • MEREDIEU, Florence De. O desenho infantil. São Paulo: Cultrix, 2006.
  • ALBANO MOREIRA, Ana Angélica. O espaço do desenho: a educação do educador. São Paulo: Loyola, 2008.