segunda-feira, 17 de novembro de 2014

MANDALAS POR TODA PARTE


*Projeto apresentado no VI Congresso ICLOC Práticas na sala de aula e finalista no XV Prêmio Arte na Escola Cidadã, ambos em 2014.




“ A mandala possui uma eficácia dupla: conservar a ordem psíquica se ela já existe; restabelecê-la, se desapareceu. Nesse último caso, exerce uma função estimulante e criadora”. Carl Jung
O projeto foi realizado no 2º semestre de 2013, com um grupo de 21 crianças do 1º ano do ensino fundamental I formado por alunos entre 6 e 7 anos de idade e uma criança com Down.



A escola oferece duas aulas de ateliê por semana com 1h de duração cada e incentiva as professoras a desenvolverem projetos interdisciplinares baseados nas expectativas de aprendizagem da série e nas observações realizadas a cerca do interesse do próprio grupo. 


As motivações iniciais para elaborar o projeto partiram de algumas observações: a turma muito inquieta e desenhos ou muito elaborados ou um tanto estereotipados e/ou com repertório pouco variado.

As próprias propostas de arte contribuíram para minha observação em relação ao interesse pela organização e simetria nas produções de alguns alunos. O tema partiu da professora e depois conforme o envolvimento das crianças, o nome do projeto ficou como “Mandalas por toda parte”. 

O projeto contemplou algumas expectativas de aprendizagem do 1º ano na área de identidade, arte, ciências humanas e naturais.

Este projeto teve como objetivo geral confeccionar mandalas utilizando diferentes bases e os mais diferentes materiais. E como objetivos específicos: criar sua própria linguagem e ampliar sua capacidade expressiva e perceptiva, identificar a forma da mandala em objetos e situações relacionadas ao cotidiano, desenvolver a percepção visual e a sensibilidade para as cores; associar a mandala com brincadeiras de roda, proporcionar as crianças o conhecimento das mandalas tanto de utilização espiritual quanto decorativa, trabalhar com simetria, cores, texturas sobre bases circulares, formas geométricas, transpor as ideias de mandala para fora do papel e desenvolver a atenção, concentração, autoestima, a diminuição da agitação motora, da ansiedade e impulsividade; o raciocínio, a criatividade, a aprendizagem, a expressão emocional e o relaxamento.

Para iniciar o projeto aproveitei uma prática dos alunos nas oficinas de percurso, e propus uma atividade disparadora com cola plástica e um círculo de cartolina.

Depois conversamos em roda e apresentei algumas mandalas e perguntei se conheciam aquela forma, se já tinham visto em algum lugar e se lembrava as produções que fizemos, para levantamento de conhecimentos prévios, feito isso fomos ao mural apreciar os trabalhos, observar se encontravam alguma dessas características conversadas na roda e só depois contei que trabalharíamos com mandalas semanalmente. E assim iniciamos o projeto.

Para garantir todos os objetivos planejados os conteúdos foram inseridos em diversas propostas.




 

Em outros momentos as crianças criaram livremente mandalas na areia do parque e relacionaram a mandala aos momentos de brincadeira de roda e massagem.

Essas propostas aconteceram em espaços diferentes, usamos o ateliê, a sala de aula e o parque. Também tiveram atividades individuais, em pequenos e grandes grupos. Parte dos materiais foi fornecido pela escola e outros solicitados as famílias.

Para elaborar este projeto contei especialmente com a internet que me propiciou encontrar tudo que é tipo de mandala possível, inclusive um texto do Jung e utilizei alguns livros como o da Casa Redonda, Mandalas para crianças e Mandalas de Bolso ambos para pintar.

A pesquisa foi essencial para que o projeto pudesse acontecer com tamanha riqueza. Ensinei e aprendi junto com as crianças. 





A avaliação deste projeto se deu por meio da minha observação direta a cada proposta e as intervenções realizadas, por exemplo, as crianças foram orientadas a começar do meio para fora, a combinar linhas e formas e deixar de lado o desenho que representa com frequência, a se concentrar, criar o seu estilo, persistir se errar, evitar comparações e respeitar as produções alheias etc. Cada aluno teve sua caixa de pizza de mandala e foi possível acompanhar a sua evolução e criatividade desde o início do projeto até o fim, na reunião de pais elas foram enviadas para casa. As produções foram expostas ao longo do projeto nos murais da escola, assim as crianças puderam apreciar e comentar durante diferentes momentos. Até os outros grupos estavam trabalhando com mandalas, talvez nossos murais serviram de inspiração. Também foi produzido um livro de mandalas para pintar para cada aluno.

O projeto desenvolvido ampliou o repertório artístico e cultural de meus alunos na medida em que puderam observar que a inspiração artística pode surgir de diferentes fontes inclusive da natureza e de observações do cotidiano, conhecer a arte contemporânea de Beatriz Milhazes e a LandArt, identificar que não necessariamente precisa ser um desenho figurativo, que há muitas formas de combinar linhas e criar novas tramas, e assim essa experiência permitiu que as crianças acessassem este conteúdo, fizessem relações e criassem sua própria linguagem desenvolvendo seu percurso criativo.


Bibliografia

Pereira, Maria Amélia Pinho. Casa redonda: uma experiência em educação. São Paulo: Editora Livre, 2013.

Pilastre, Christian. Mandala de bolso – Volume 1. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2008.

Vidal, Montserrat. Mandala de bolso – Volume 4. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2009.

Pré, Marie. Mandalas para crianças: uma nova ferramenta pedagógica. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2007.

Falcon, Glória. Vamos Pintar as Mandalas?. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2007.

Pilastre, Christian. Mandalas de Al-Andaluz. São Paulo: Editora Vergara & Riba, 2007.

Dibo, Monalisa. Mandala: um estudo na obra de C. G. Jung . Disponível em < http://www4.pucsp.br/ultimoandar/download/UA_15_artigo_mandala.pdf >
acesso em 17 de agosto de 2013.



4 comentários:

  1. Marcela, boa noite!
    sou jornalista e trabalho com elaboração de conteúdo para sites e blogs e um dos clientes que atendo está em fase de lançamento de um blog voltado exclusivamente para pais e cuidadores que priorizam a aplicação de brinquedos e atividades educativas na formação e educação das crianças.
    Busco fontes para as matérias que serão postadas nesse blog. Todas as fontes serão citadas com seu mini-currículo.
    Caso tenha interesse, por favor, responda a mensagem que deixei na pasta "outros" do seu Facebook.
    Grande abraço!
    Fabiana Meireles

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  2. Amaranta Vieira Rocha14 de abril de 2018 18:01

    Olá! Trabalho com crianças em um projeto pessoal focado em atendimentos individuais e muitas vezes proponho as mandalas como atividade. Inicio com mandalas já prontas, somente para colorir, para gerar aos poucos uma identificação com a forma e com o tema e gostaria de saber se pode me ajudar em uma dúvida. Como atuo com a faixa etária de 02 a 10 anos, qual o tamanho adequado de mandalas apresentar às crianças de cada faixa etária? Geralmente deixo elas escolherem, se preferem aquelas maiores com espaços grandes para colorir ou àquelas mais minimalistas, repletas de detalhes. Gostaria de trocar informaçoes com alguém que já tenha trabalhado com os pequenos e seja da área de educação, tenha noção de como isso influencia na psicomotricidade, etc... Se puder me passar informações agradeço de coração. Bjs e parabéns pelo projeto, Amaranta

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    1. Amaranta, me escreve no Facebook do blog assim podemos conversar.

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