domingo, 20 de julho de 2014

LIVRO: BUMBA-MEU-BOI


Autora: Stela Barbieri
Ilustrador: Fernando Vilela
Editora: WMF Martins Fontes

Quando vi este livro fiquei bem curiosa, recebi da editora e agora compartilho com vocês.

Me encanto, especialmente, por histórias de bumba-meu-boi desde que fiz um curso anual para educadores no Instituto Brincante em 2012.
Durante o curso até escrevi um projeto de cultura brasileira inspirado no ciclo junino http://culturainfantilearte.blogspot.com.br/2013/05/cultura-popular-brasileira-festa-junina.html  e então aprofundei meus conhecimentos sobre a festa dos bois das diferentes regiões do Brasil e inclusive assisti pessoalmente alguns festejos em São Paulo, Maranhão e Florianópolis.

Nesse livro Stela Barbieri e Fernando Vilela nos faz deslumbrar a arte maravilhosa das ilustrações e do texto. A riqueza de detalhes lembra a beleza e a alegria dessas festas.  

A história é inspirada no bumba-meu-boi do maranhão: Mãe Catirina está grávida e fica com vontade de comer língua de boi, mas não de um boi qualquer, e o marido Pai Francisco vai em busca desse desejo até realizá-lo. O coitadinho do animal fica doente e os vaqueiros chamam doutor e curandeiro, mas não tem jeito o boi só volta a bailar se mugir, diz o curandeiro. E não é que o boi mugiu e a festa aconteceu!
 
Eu conhecia outras versões dessa história e adorei como ficou: divertida e com a linguagem típica do lugar. 

No final do livro há informações históricas e culturais sobre o bumba-meu-boi, inclusive o de São Paulo realizado pelo grupo Cupuaçu no Morro do Querosene.



Acredito que este livro seja um ótimo recurso para contextualizar a festa com as crianças em sala de aula.

Boa leitura!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

BRINCAR no parque com areia, água e sucata.

*Experiência apresentada no ICLOC em 2015.




No fim de 2013...

Iniciei uma pesquisa sobre o uso de sucata no parque para brincar com areia, terra e água. Comecei a juntar embalagens interessantes e levei para escola, montei uma caixa bem grande de papelão, fiz uma roda de conversa com meu grupo e disponibilizei essa caixa no parque. Neste momento, também estava imersa em uma reflexão sobre o brincar devido a uma parceira da escola com o projeto Território do Brincar. E escrevi um artigo para o site desse projeto (publicado no blog como Misturas e investigações) sobre como foi essa experimentação e outras experiências que aconteciam no parque.

http://culturainfantilearte.blogspot.com.br/2013/11/misturas-e-investigacoes.html

Em 2014...

No início desse ano me deparei com um nova proposta de trabalho e logo me veio a ideia de continuar essa observação das crianças com sucata no parque e proporcionar a esse novo grupo a oportunidade de investigação desses materiais.
No parque haviam diversos objetos e materiais interessantes: pedras, madeirinhas, utensílios de cozinha, panelas, mas não havia o uso da sucata. Também gosto muito dos materiais não convencionais e ali haviam alguns que me suscitaram mais ideias.


É importante lembrar que...

Essa ideia partiu de uma iniciativa própria, do meu olhar para as necessidades das crianças para o brincar. 

A sucata é um bom material que vai para o lixo e muitas vezes não é reciclado, jogamos embalagens resistentes e em perfeitas condições de reutilização. Comecei observar a quantidade produzida de recicláveis em casa e tomei a iniciativa e o cuidado de lavar e levar para escola; algumas eu também cortava ao meio e queimava a beirada no ferro quente, para não machucar as crianças e alterar um pouco o formato, por exemplo, uma garrafa cortada pode se transformar num recipiente com a boca maior e um funil. E cuidado com algumas embalagens de produto de limpeza, pois não são reaproveitáveis. Também optei por retirar todos os rótulos, mesmo os mais difíceis, deixando de molho em casa até sair tudo. Se as crianças, já inspiradas por esse olhar, resolviam lavar a embalagem do seu lanche para brincar, ficava com o rótulo mesmo.

Porque utilizar sucata?

Hoje em dia o brinquedo está pronto, a brincadeira está dada. A criança perde o processo de desejar, de construir e inventar. O filme Tarja Branca e o projeto Território do Brincar são ótimos exemplos para boas reflexões sobre o brincar simples.
Quando a criança vê a possibilidade de criar o seu brinquedo ou do que aquele objeto pode se transformar na sua imaginação, seus olhos brilham e nasce uma empolgação, uma força, uma energia vital. Desperta o desejo, a criatividade, o interesse de poder criar e recriar o que quiser, quando quiser. As cores, as formas, a transparência, o reconhecer das embalagens causam espanto e risadas!

Qual o objetivo de usá-la no parque?

Além de poder desenvolver a criatividade e a criança não perder o desejo de inventar. O objetivo também é proporcionar a exploração de cada tipo e formato de material e verificar suas possibilidades: qual é melhor para colocar ou pegar água e areia, qual é melhor para molhar a areia colocar dentro e depois tirar, qual é melhor para ajudar a encher o outro, qual cabe mais ou menos, qual embalagem é melhor para enxergar o que tem dentro etc. Alguns dão certo e outros mais ainda e as crianças vão percebendo quais são as embalagens mais adequadas para fazer o que desejam.

A sucata e o brincar pesquisando...

Devido a falta de água em São Paulo, no início do ano pudemos brincar com água, depois fomos diminuindo cada vez mais.

Solicitei que fosse montado um cano pvc cheio de furinhos no parque para as crianças poderem se molhar nos dias muito quentes. E assim iniciaram as tentativas de pegar a água que escorria dos buraquinhos com diversos tipos de potes: alguns com a boca muito pequena outros com a boca mais larga. Mesmo para as crianças "mais velhas" de 7, 8 anos foram várias tentativas para acertar qual o melhor objeto para pegar mais água sem desperdiçar.




Em outros dias, elas utilizam as torneiras (a água sai como um chuveirinho) para encher os recipientes. Observei muitas tentativas relacionadas, novamente ,ao tamanho da boca do objeto e  que se for muito grande não fica em pé embaixo da torneira e desperdiça água, cai tudo para fora, até o regador entrou nessa pesquisa.

Brincar com água e areia é alegria garantida! São crianças se relacionando e trocando experiências e saberes construídos ali naquele momento de pesquisa dos objetos.

Alguns passam o tempo todo do parque enchendo potes e potes de todo tipo e tamanho, experimentando e descobrindo, por exemplo, qual é o melhor para pegar areia e jogar no outro pote para enchê-lo. E se colocar água e areia juntos e depois como faz para tirar? A areia fica pesada e parece grudar no fundo e não sai pela boca da garrafa. Como resolver? Várias crianças se juntam para solucionar.

Com a sucata disponível no parque, pude observar que as meninas buscam brincar de casinha com as embalagens misturando-as com os utensílios da cozinha para complementar e os meninos usam-nas para construções e experiências. Mesmo assim também se misturam, depende do interesse de cada um naquele dia, até os meninos brincam bastante de casinha.

Observando deste o início essa exploração, especialmente dos meninos, também providenciei restos de canos PVC para que usassem nas experimentações. Já as meninas despertam o olhar para a natureza: buscam folhas e pétalas de flores caídas ou murchas embelezando a brincadeiras de bolinhos, certo dia ouvi "Hoje é o meu melhor dia nessa escola!".




 Os canos de pvc são montados cada vez de um jeito formando túneis e caminhos por onde as crianças desejam ver a água correr, fluir, testes e mais testes para que a água não vá pelo caminho errado e que não vaze para chegar até o fim. Outros objetos pequenos e que flutuam também são colocados juntos no caminho para navegar com a água até o final do percurso. Buracos, caminhos, canos, montanhas, geringonças, se enterrar na areia, jogar dentro da roupa para senti-la...muitas vivências!

Nos dias de sol, as meninas colocam a água em um potinho e deixam-na esquentando para brincar com a água morna. Também gostam de peneirar a areia separando as folhinhas secas, as sementes e as pedrinhas. Atentas, observam a areia e percebem que têm dias em que há três cores: muito molhada (escura e pesada), úmida (dá para fazer bolinhos, está um pouco molhada) e seca (fica fina e esbranquiçada), explicação dada por elas.


Essa é apenas uma reflexão inicial desse trabalho que continuarei a investigar. E é um pouco do cotidiano em que atuo com crianças de 5 a 8 anos (1o e 2o ano do Fund I) no período da manhã.

Sobre as fotos...

O olhar, a concentração, a organização ou a aparente bagunça são traços que demonstram o quanto as crianças estão envolvidas, criando, crescendo...porque brincar é a coisa mais séria que elas fazem. 
Precisei cortar alguns rostinhos e assim as expressões não puderam ser mostradas aqui, mas me emocionei ao selecionar essas fotos ao me deparar com tamanha dedicação de cada um no que esta fazendo.





















quarta-feira, 9 de julho de 2014

LITERATURA INFANTIL: NÃO É SUA, É MINHA!




O título e as ilustrações transmitem justamente o sentimento, a expressão das crianças quando estão nessa situação: ter um objeto muito querido e não emprestar. Aquele objeto tão especial, que parece ser mais importante do que tudo ao redor, traz muita satisfação e afeto.
Nessa história Babi ganha uma bola vermelha de presente e fica tão apegada, que a leva para tudo que é canto, parece ter ciúmes desse brinquedo. Certo dia, sua bola murcha e percebe que precisa da ajuda dos amigos e ela tenta uma nova postura: será que é tão ruim assim emprestar a bola?
Essa história lembrou-me situações da vida adulta, quando adquirimos algo que desejamos muito e algumas vezes nos comportamos como crianças!


É um ótimo livro para crianças que estão em processo de alfabetização tentarem ler sozinhas, tem letra bastão e pouco texto.



Autora: Susanna Moores
Ilustrador: Susanna Moores
Tradução: Gilda de Aquino
Editora: BRINQUE-BOOK