quarta-feira, 30 de maio de 2018

MARCAS DE APRENDIZAGEM: a "sujeira" que ensina.





Durante as formações de professores que ministro e as conversas entre profissionais da educação infantil e séries iniciais do fundamental I, é recorrente a discussão sobre realizar propostas no qual as crianças se sujam. 

O que fazer com a reclamação dos pais ou com a instituição que de alguma forma restringe esse fazer que suja? Como lidar com as incoerências existentes nesses dois casos?

Pode, mas não pode sujar o espaço físico;
Pode, mas não pode manchar o uniforme;
Pode, mas não tem apoio;
Não pode, mas também não quer que a criança perca a vivência...

As vivências que "sujam" são muito saudáveis, mas deixam alguns professores em uma situação complicada: mais preocupados com a roupa da criança e com o espaço do que com a potência dessas experiências. Chegamos até a lavar a camiseta da criança e secar na escola para não ouvir reclamações. Algumas escolas já têm essa questão bem resolvida, muitas outras não.


É preciso refletir sobre até que ponto o exagero da higienização pode privar as crianças de descobrirem o mundo, senti-lo e experienciá-lo. O desenvolvimento dos sentidos acontece a partir do contato com o mundo. Como a criança vai saber sobre as sensações se ela não puder experimentar várias vezes? Essa forma de descobrir o mundo é como a criança aprende.

Existem muitas queixas por parte das famílias que não compreendem, portanto não toleram que seus filhos voltem para casa com a roupa da escola suja, como se o professor fosse descuidado. 

Vamos refletir um pouco sobre essa "roupa da escola": tem uniforme? Para que serve o uniforme? Não tem uniforme? Então qual é a roupa ideal para ir à escola? 

Uniforme serve para ir à escola, é pratico e ajuda com a questão do desgaste das roupas. Se não tem uniforme, precisa ter uma "roupa de ir para escola" que são roupas que já estão bem mais usadas e se manchar tudo bem. 

Roupa nova, assim como calçado novo não são adequados para ir à escola, pois podem manchar e a criança se mostra triste e preocupada quando isso acontece, a outra opção seria ter uma troca de roupa na mochila. 

Essa regra da roupa também vale para os professores, pois nós também nos sujamos: manchamos roupas e essas acabam sendo separadas para trabalhar. Se o profissional usa uniforme, precisará usar o mesmo, lavado, mas com manchas. E quando decidimos ir trabalhar com uma roupa diferente da "de trabalho", já sabemos que corremos o risco.

As manchas nas mãos, pés e unhas acontecem tanto para as crianças quanto para as professoras. Nós também participamos das propostas, depois organizamos tudo, lavamos e inclusive nos arriscamos a fotografar com as mãos sujas.

Dependendo da idade, as crianças nos ajudam a organizar os ambientes e a separar os materiais. Proporcionamos autonomia para que busquem e carreguem alguns materiais, por exemplo, um pote de tinta, um ingrediente da culinária, um recipiente da alimentação e acontece de cair na roupa ou no chão. Faz parte da aprendizagem, de se responsabilizar pelo que faz, querer ajudar novamente, acreditar em si mesmo, se sentir capaz.

No caso das tintas, existem os camisetões e aventais que servem para evitar que manchem a roupa de baixo, mas não é garantia que não vá sujar, afinal trata-se de uma criança! 

Na verdade não gosto muito de nenhuma dessas opções. Sempre ou são grande demais e as mangas vão parar na tinta ou pequenos demais e não protegem tanto. A tinta passa de um tecido para o outro e as próprias crianças limpam as mãos neles. Os aventais também não auxiliam tanto, sempre acontece uma mancha.

Algumas instituições escolares reclamam das professoras que fazem "sujeira": tinta no chão, na parede, nas mesas. A escola precisa ser limpa! Como se essas marcas revelassem sujeira e não aprendizagem, vida!

Já fui repreendida várias vezes, inclusive já me sujeitei a limpar para poder fazer meu trabalho em paz. Também já presenciei professoras que extrapolaram em tamanha desorganização por falta de experiência ou supervisão e acabaram por estragar mesas, móveis, lousa etc. 

As crianças se sujam em diferentes propostas na escola: arte, culinária, parque e alimentação. Elas estão crescendo, estão aprendendo!

Eu não consigo entender essa "sujeira" como uma questão tão grande para chegar a causar problemas entre a escola e o professor ou o professor e a família. Chegamos até a receber bilhetes de reclamação ameaçando tirar a criança da escola (no caso da particular). E a maior reclamação é lavar a roupa, lavar as meias, uniforme manchado...sem pensar no desenvolvimento dessa criança.

As concepções da escola precisam estar de acordo com a concepções do professores e da família para evitar esse tipo de problema. Pode ser interessante uma sensibilização para acessar as memórias de infância tanto da equipe de professores, quanto dos pais, conhecer um pouco sobre cada um: como era o brincar na infância?
Devemos considerar que também é importante fazer um trabalho de reflexão na reunião de pais: a documentação pedagógica, por exemplo, tem um papel fundamental para mostrar como funciona essa sujeira e porque acontece, em prol do que defendemos e não nos preocupamos com ela. 

Algumas crianças também precisam aprender a ser crianças, algumas já foram condicionadas e não gostam de participar de propostas porque (por influência do adulto) não querem se sujar.

A mania do adulto de limpeza e organização pode acabar refletindo na criança, o medo de levar bronca pode causar sofrimento por ela deixar de fazer algo que gostaria, além de se sentir valorizada apenas quando estiver limpa. A exploração, a descoberta e as sensações tornam apenas "sujeira". Com nosso incentivo, aos poucos elas são conquistadas: começam observando e depois em outras oportunidades experimentam de pouco em pouco, ás vezes demorar o ano todo, é um processo de desconstrução que precisa ser respeitado no ritmo de cada uma. 

As crianças são singulares, é fácil observar desde pequeninas que algumas entram por inteiro na tinta, na lama, nas propostas de culinária ou mesmo como se alimentam e outras menos.

A opção de dar banho ou trocar de roupa serve para propostas muito melequentas planejadas pelo professor com essa finalidade mesmo. Agora pequenas sujeiras no corpo lavamos mãos e rosto, pequenas sujeiras na camiseta, vão para casa assim mesmo, damos preferência para trocar roupa molhada ou úmida.

Depois que a criança passa um período na escola cheia de propostas tão atraentes, o difícil é não ter marcas de aprendizagens em seus próprios corpos: tinta, canetinha, giz de lousa, terra, água, molho de tomate, feijão, achocolatado, iogurte, farinha de trigo, calda de fruta, etc. E mesmo que, ao saírem do parque, orientamos a tirarem a areia do corpo, em alguns momentos nos deparamos com montinhos de areia pela sala e ao conferirmos encontramos areia nos calçados, nos bolsos...pistas de que estão se divertindo muito! Sim, as professoras também levam areia para casa em seus corpos, isso para as que, como eu, mergulham com as crianças na brincadeira.

Penso que as famílias deveriam ser convidadas a entrar mais na escola e participarem da rotina, dos projetos, de decisões importantes. Pensar em um dia específico para oferecer propostas aos adultos parecidas com a que oferecemos às crianças, seria maravilhoso para compreenderem melhor. 

Existem estudos, comprovações científicas de especialistas de diversas áreas que defendem o quanto é importante a criança se sujar, que traz muitos benefícios e a bandeira que levanto aqui é o fortalecimento das aprendizagens. Passar por todas essas propostas no seu ritmo, com liberdade para explorar, desenvolve a criança de forma integral.

Acredito que oferecer um espaço para essa exploração do mundo é papel da escola. A sociedade mudou muito, a estrutura familiar, a utilização dos espaços públicos, o avanço da tecnologia, as agendas lotadas, o contato com a natureza...um cotidiano cada vez mais apressado.

Se sujar faz parte! Promove prazer e felicidade!

Os professores devem sempre orientar todas as crianças em relação a essas marcas para se cuidarem, assim aos poucos elas vão aprendendo a usar mais o guardanapo, os paninhos, as pias, etc. E lembrem-se nós professores, também não escapamos e voltamos para casa com essas marcas. 

Marcas de que trabalhamos com uma infância livre e saudável!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações Brinque-Book

Ilustração: Cocoreto
Tradução: Gilda de Aquino

Esse livro para bebês é uma graça! Contei muitas vezes para meu grupo de crianças de 10 a 18 meses. Eles ficaram encantados! E já sabiam todos os dias depois do almoço, durante mais de um mês, era hora da história.

Eles adoram a brincadeira esconder o rosto e aparecer novamente e o livro traz essa ideia só que com animais. A cada página a pergunta "Quem está aí?" entusiasma os pequenos para abrir a aba e ver o animal, também adoram que eu faça o som de cada um. E quando termino a leitura pedem mais e mais....

Boa interação!


Texto: Tino Freitas
Ilustração: Mariana Massarani

Já ouviu a expressão popular "Tem um parafuso a menos na cabeça?" foi dela que lembrei assim que abri o livro.

As ilustrações são belíssimas, cheias de detalhes e cores. Com certeza arrancará muitos risos das crianças. 

O texto é muito divertido! Apresenta a ideia de falta de juízo. A cada página o menino faz uma confusão durante sua rotina e exemplifica o que seria esse parafuso solto. E sabe onde ele encontrou o juízo? Na imaginação! 

No final há um convite para o leitor.

Cuidado para não perder seu parafuso durante a leitura!



Texto e Ilustração: Nicola O'Byrne
Tradução: Gilda de Aquino

A capa  mostra alguns personagens dos contos clássicos...então qual será o escolhido? 

Com um belo texto contemporâneo, o narrador faz pate da história e conversa com os personagens e com o leitor.

Porquinhos, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e Lobo Mau, todos misturados e disputando quem será a última história antes de dormir. Uma grande confusão que resultou em uma história rasgada. Será que isso vai dar certo?

As crianças vão adorar rever os personagens em um contexto diferente do que já conhecem e perceberão as características de cada narrativa misturadas no texto, além dos balões com as falas de cada um.

O final surpreende e é um convite a reinventar outras histórias.

Boa diversão!

Texto: Tim Hopgood
Ilustração: David Tazzyman
Tradução: Gilda de Aquino


Cada um tem suas verdades, seus pontos de vista, mas tem gente que adora omitir alguns fatos ou não assumir o erro.

Arthur fez algo que a mãe avisou que não era para fazer e deu errado. E agora será que ele vai contar a verdade? 

A cada pessoa que perguntava o que havia acontecido, o menino respondia torcendo, esticando, encobrindo, disfarçando, escondendo e ignorando a verdade, nunca ficava satisfeito com os comentários até a última pessoa gostar de uma explicação que começou assim "eu não tenho nada a ver com isso foi..."

A verdade sempre aparece, não adianta tentar enganá-la e foi assim que Arthur resolveu a situação: dizendo a verdade. E não é que tornaram-se grande amigos!

Um ótimo livro para conversar com as crianças sobre mentiras e omissões.

Boa reflexão!


Texto: Bernd Penners
Ilustração: Henning Löhlein
Tradução: Hedi Gnädinger


Vamos brincar de cuidar dos animais? São cinco bichos machucados precisando de carinho, cuidado e curativo!

Ao abrir o livro você encontrará os curativos, um para cada animal. Preste atenção! Ele gruda e desgruda das páginas várias vezes.

O cachorro, o macaco, a ovelha, o elefante e o urso são amigos super ativos e adoram se reunir para brincar. Só que o cachorro sofreu uma torção na pata, o macaco bateu a cabeça, a ovelha arranhou a barriga, o elefante escorregou e machucou a tromba e no cachorro espetou algo em seu bumbum. Como será que tudo isso aconteceu?

Vamos ajudá-los!?


Ilustração: Yu-Hsuan Huang
Tradução: Gilda de Aquino

Fazenda é um tema que a crianças pequenas amam! 

Desde a capa já é possível interagir com o livro por meio de uma aba que sinaliza que devemos puxar, assim o trator anda e aparecem outros bichos.

A cada página novas abas e convites para interagir com cada bicho: imitar a vaca, encontrar o porco, guardar os carneiros e galopar com o pônei. Ufa! São tantas tarefas para realizar na fazenda.

Pronto para ajudar o fazendeiro?

quarta-feira, 25 de abril de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de abril

Texto: Leo Cunha
Ilustração: André N
Editora: Pulo do Gato


A capa causa estranhamento e curiosidade: o que faz esse menino nessa posição, onde ele está? Na contracapa, água límpida e uma criança.

Essa é uma obra dedicada ao Rio Doce. Fiquei emocionada ao ler, pensei que era a história de um menino, mas não é a história do próprio Rio que levava vida por onde passava, ele conhecia cada cantinho do seu percurso, quando algo aconteceu e ele virou lama, tudo desapareceu, "um dia ele foi um Rio" e  a esperança prevalece, assim como toda a natureza ele também renascerá.

Separa o lencinho e boa leitura!

Ilustração: Taisa Borges
Editora: Zit

Uau! As ilustrações já me encantaram! A capa abre uma aba do lado direito e a águia aparece com a duas asas abertas. Só pela capa já dá para convidar as crianças a pensarem do que será que se trata essa história?

Isso porque é um livro sem texto, dependendo da idade da criança, ela pode ir criando com você a narrativa ou mesmo cada um pode contar a sua versão. Esses livros são muito bacanas, pois expandem a imaginação das crianças, elas podem participar da construção e se divertir muito.

Alguns detalhes e expressões das ilustrações podem dar dicas para pensar o que contar a cada página. Quando as ilustrações ganham um "zoom" a beleza é tanta que tenho certeza que as crianças vão grudar os olhos no livro.

Ao final na contracapa...surpresa! Não esquece de dar uma conferida!

Boa aventura!

Texto: Daniela de Brito
Ilustração: Polly Duarte
Editora: Cortez

Tema muito necessário e texto bem interessante para compartilhar com as crianças. 
Lembrei de uma turma de crianças na qual tínhamos muita diversidade: eram negros, ruivos, loiros, castanhos, olhos puxados, cabelos enrolados, cabelos lisos e toda mistura. Trabalhei muito a singularidade de cada um e fizemos uma autobiografia. Era uma oportunidade única aquela sala com crianças tão diferentes e trabalhar com elas foi demais, elas se sentiam um grupo que acima de tudo se gostavam e se respeitavam como eram. Elas valorizavam essas diferenças.
Esse texto traz uma forma de conversar com as crianças sobre o uso do lápis cor de pele que até hoje existe e precisa ser abordado na escola e em casa, essa questão familiar da árvore genealógica também é bem interessante, irmãos gêmeos diferentes, etc.

Boa reflexão!



Texto: Dipacho
Ilustração: Heloisa Jahn
Editora: do Brasil


A capa é bem animada e a leitura também! Partindo do verde, o livro faz uma brincadeira com as palavras usando apenas a letra V e sempre com alimentos verdes.

Há uma acumulação das palavras a cada página, o que pode virar uma brincadeira ou um desafio para os leitores. Crianças em fase de alfabetização que estão lendo algumas palavras já podem se arriscar.

As ilustrações vão ganhando novos personagens acompanhando o texto e se expressam de acordo com as palavras. Parecem um bando de monstrinhos!

As crianças vão se divertir, se antecipar por conta da repetição e se surpreender com o final.

Boa diversão!

Texto e Ilustração: Lúcia Hiratsuka
Editora: Pequena Zahar


Que graça! Um encanto de livro! A suavidade das ilustrações japonesas são incríveis!

Um livro de poesia inspirado nos haicais japoneses, um convite para entrarmos no quintal e na memoria da autora que revela a natureza como fonte de inspiração para ela e para nós a partir dessa leitura.

As crianças vão notar essas ilustrações tão leves e simples, aproveite para conversar sobre os desenhos japoneses, se já viram em outros livros ou lugares, etc. Tenho certeza que as poesias suscitarão perguntas ou comentários por parte dos pequenos.

Adorável!

Texto: Alexandre Azevedo
Ilustração: Rubem Filho
Editora: Escrita Fina

A obra tem a tonalidade marrom, parece antiga, conta a vida de Machado de Assis na infância.

Rio de Janeiro, um vendedor de sonhos saia pela cidade todos os dias a vender sonhos...esses de padaria mesmo.

Um menino pobre que com 10 anos já tinha muitos conhecidos pela cidade. Menino gago, alguns comentavam, mas ele não se importava, o importante era vender! 

Esse menino cresceu e tornou-se um mestre da literatura, continuou a vender sonhos, mas de outro tipo. No final há mais informações sobre a vida do escritor, você imagina como um dos maiores escritores brasileiros realizou suas conquistas?

Leia e se surpreenda!

sábado, 14 de abril de 2018

Protagonismo infantil: como é isso na prática?


Muito se fala sobre o protagonismo infantil e cada vez mais o discurso das escolas propagam que as crianças são protagonistas, porém podem existir algumas confusões: escolher é diferente de ter vez e voz. Então como seria considerar a criança como protagonista das suas aprendizagens?

Em primeiro lugar precisamos rever a concepção de criança para depois compreendermos como o protagonismo infantil acontece. Essa concepção vê a criança potente, capaz, criativa, rica nas suas iniciativas e no seu próprio processo de aprendizagem.

Então para começar leia esse artigo sobre concepção de criança e infância para complementar essa reflexão:




Quando o educador passa a considerar essa perspectiva da criança protagonista de sua aprendizagem, essa visão modifica as formas de relação com elas e de planejamento das propostas. A criança vê o educador como um parceiro mais experiente, atencioso, que caminha com ela e investe em suas ideias. A relação que se estabelece é de respeito, reconhecimento, vínculo e muita satisfação.

O educador planeja para e com as crianças. Essa maneira de planejar interliga os conteúdos curriculares, as escolhas do educador e o interesse (os questionamentos) das crianças, tornando a aprendizagem significativa para todos os envolvidos: ora o educador é protagonista, ora a criança. Tanto o educador, quanto a criança, assumem uma postura mais investigativa: pesquisam e aprendem juntos. Essa prática colabora muito para formação do educador e coloca-o em movimento na situação de aprendizagem.


O protagonismo infantil norteia as ações do planejamento que o educador elabora a cada semana, para que esse conceito seja de fato contemplado, outras perspectivas devem ser levadas em conta: a escuta, a observação, o registro, o espaço e o ambiente, as diversas linguagens, a investigação, as relações, o ensino aprendizagem como processo subjetivo e grupal, a avaliação e a formação profissional.[1]


O educador que atua nessa perspectiva, precisa estar atento e aberto as crianças: as falas, as maneiras singulares de dizer e as necessidades. É uma escuta sensível. É o alimento para seu planejamento que dessa forma torna-se interessante e significativo; e passa a ser construído por todos os envolvidos, não mais programado e centralizado no educador e sim projetado com as crianças e as famílias. Essa projeção emerge do cotidiano, das experiências que as crianças são convidadas a participar ou descobrem por elas mesmas e também do que compartilham com os educadores. 

Dentro de alguns dias voltarei a essa reflexão devido a próxima publicação sobre a abordagem de Reggio Emilia e as cem linguagens das crianças.


[1] Fonte: Disponível em < http://www.estudosdacrianca.com.br/resources/anais/1/1405620534_ARQUIVO_protagonismoeparticipacao.rtf.pdf >. Acesso em 11 abr. 2015.

terça-feira, 20 de março de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações Ciranda Cultural.


Texto: Elisabeth Bagulev
 Ilustração: Gregoire Mabire

A obra trata de assuntos muito interessantes como imaginação, jogo simbólico, criatividade, reaproveitamento de materiais, brincadeira e amizade.

Dois meninos brincam em um quintal cheio de materiais descartados, até a chegada de uma nova criança para brincar. Os meninos achavam que ela não sabia brincar de nada legal, mas a menina insistiu e construiu coisas incríveis, aos poucos os meninos se encantaram com as construções e ficaram amigos, se divertiam muito. Certo dia, a menina precisou ir embora, como será brincar sem ela?

Boa aventura! 

Texto e Ilustração: Rebecca Elliott

A relação afetuosa entre dois irmãos é o tema dessa história. Cleonice não fala, nem anda e seu irmão nos apresenta o mundo deles de forma muito sensível e emocionante. Ele ama a irmã compara com outras relações entre irmãos e diz que ela é sua melhor amiga, a melhor irmã!

Um livro encantador!


Texto e Ilustração: Mark Oliver

Essa é a história de um cão robô chamado Sucata. Por um problema em sua orelha não pode ter um dono e foi parar em um pátio onde fez amizade com outros cães robôs rejeitados e na busca pela enorme vontade de ter um dono e ser feliz, teve uma grande ideia!

Como será que Sucata resolveu essa situação?

Boa leitura!

Texto: Jô Gallafrio
 Ilustração: Sandra Lavandeira

Onde será que fica o Beleléu? É no lombo de uma mula manca que a aventura começa, uma menina que percorre diversas regiões brasileiras e apresenta cada pedacinho do país com muita diversidade e cultura, de forma descontraída e  cheia de curiosidades. 
Em pouco tempo as crianças notam as rimas, como elas adoram!

Boa viagem!


terça-feira, 13 de março de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de março

Texto: Rosana Rios
Ilustração: Mauricio Negro
Editora: Pulo do Gato

Um livro encantador e sensível. Um menino simples, que percorre um longo caminho até a escola debaixo de um calor que castiga, mas nesse percurso ele encontrou algo que despertou seu olhar e suas ideias: uma poesia!

Já gostava de poesia, mas dessa vez foi capturado por ela e transformou-se em ventania, até eu fiquei com vontade de fazer poesia!

É muito bom quando encontramos algo que prende nossa atenção, a literatura é assim e a poesia nos faz interpretar com olhos de criança o brincar com as palavras.

As ilustrações são incríveis e também demandam certa sensibilidade para enxergar bem todo o contexto, são imagens que precisam de uma leitura apurada, elas não estão completamente dadas. 

Boa ventania!

Texto: Alexandre de Castro Gomes
Ilustração: Cris Alhadeff
Editora: Cortez


O título já desperta curiosidade: livro lê gente? Ao começar a leitura me surpreendi, a história é contada por livros!

Em uma biblioteca pública daquelas com prateleiras bem altas cheias de livros, uma bibliotecária e as pessoas que frequentam o espaço, os livros conversam entre si, contam suas histórias e inclusive o que acontece com eles depois que ficam tão velhinhos. E foi assim, nesse bate papo que o livro mais velho ensinou seus amigos a lerem pessoas. Ler pessoas? Sim, com imaginação e um olhar perspicaz o livro mais velho foi chamando a atenção dos outros em relação a história de cada pessoa que ali estava.

Boa diversão!


Texto e Ilustração: Elma
Editora: Do Brasil

Na capa e contracapa do livro a areia tem um relevo sensorial. As cores e as ilustrações trazem a impressão de uma leitura leve.

Logo no início a surpresa é o nome da cachorra, as ilustrações me fizeram ter a sensação de vento e mar, a calmaria das praias sossegadas.

Essa é uma história simples e delicada sobre uma menina, sua tia e uma cachorra em um cenário delicioso.

A menina e a cachorra se divertem muito e ela quer dividir um pouco da sensação de entrar no mar com a amiga, mas o mar não é lugar para o animal que foge ao ficar sem coleira. 

A menina pensa diversas respostas para o que vai dizer para sua tia. Até que a mesma aparece. E agora, será que a cachorra volta?



Texto e Ilustração: Komako Sakai
Tradução: Lúcia Hiratsuka
Editora: Pequena Zahar


Nessa obra a autora nos mostra como as crianças sentem o rompimento com algo ou mesmo alguém que cria um laço e ele é ameaçado.

Lina ganhou um balão cheio de gás Hélio, daqueles que precisa de um palito ou um dedo para amarrar se não saí voando por aí. Andou com ele pelas ruas até chegar em casa, sua mãe soltou o cordão do seu dedo e a menina brincou muito. Só chamava a mãe quando o balão ia para o teto, a mesma amarrou uma colher na ponta do cordão e resolveu o problema.

Agora o balão flutuava na altura de Lina e era possível brincar no jardim, até que uma ventania fez o balão ficar preso em uma árvore. A mãe não conseguiu pegar naquele dia. Como será que Lina se sentiu?


Texto e Ilustração: Luciana Grether
Editora: Zit

A espessura da capa e da contracapa me captaram sensorialmente, depois as ilustrações logo no início iluminaram meu olhar.

Marinela cresce acreditando que um dia seu príncipe encantando chegará para se casar, um enredo passado de geração em geração. Adora observar a tia e a avó nos seus afazeres e o tempo passa, mas nada de príncipe. E assim, a menina virou moça e se dedicava a cantar, dançar, se conectar com a natureza em andanças e explorações, um encontro consigo mesma. Até descobrir que o príncipe era só ilusão, bom era viver em liberdade com sua realidade. Mas quem será aquele moço que chega num cavalo e com uma viola?

Bom encontro!

sábado, 10 de fevereiro de 2018

KITCALENS: leitura, ludicidade e culinária em família.


KitCalens é um projeto com finalidade educativa-filantrópica que propõe um clube de leitura divertido e cheio de aprendizagens. O diferencial é que você aproveita a história para conversar sobre o tema, cozinhar e também brincar com o material do kit; e ao mesmo tempo é possível trabalhar com as habilidades socioemocionais.

As assinaturas são revertidas para projetos da Instituição Monteiro Lobato, com mais de 70 anos de experiência em projetos de impacto social para crianças e famílias em vulnerabilidade (Americana - SP). O Núcleo de Atendimento Terapêutico recebe essa renda e atua com cerca de 1000 atendimentos gratuitos (2016).



Os kits são selecionados por uma equipe de curadoria pedagógica e os conteúdos contam com um livro, receitas e um material lúdico. Tive o prazer de receber essa incrível seleção de material durante alguns meses com uma assinatura degustação e vou apresentar alguns exemplos desse conteúdo:



 O Kit chega assim todo embaladinho, cheio de surpresas!

 Ao abrir, encontrará um informativo que orienta  e complementa a proposta da edição, além de dicas e sugestões.

Os livros abordam os temas socioemocionais com muita diversão e ludicidade, alguns são até sensoriais. As crianças que estão aprendendo a ler já podem se arriscar, a maior parte dos textos estão em letra maiúscula.

 Essas são as fichas de receitas chamadas "Misturinhas" para colocar a "mão na massa" e aproveitar todos os benefícios de cozinhar em casa em família. São 2 receitas por kit.



O material lúdico conta com jogos, adesivos, recorte e monte e outras surpresas para aguçar a imaginação e enriquecer a proposta.


A cada Kit recebido você também pode acompanhar um vídeo no canal do Youtube https://www.youtube.com/channel/UCbGQclLPRu54XR-OdZskFKg







Aproveite para conhecer mais sobre esse projeto: