domingo, 7 de outubro de 2018

SEGNI MOSSI: corpo, diversão, arte e relação

Grupo Yellow Training - Sesc Santos 5 e 6-10-2018

Quando participo de um curso, na maior parte das vezes, penso primeiro no repertório e nas ideias que podem contribuir com a minha prática e dialogar com a minha realidade. Criar coisas novas, ampliar conhecimento. E tudo bem, mas é muito gostoso e significativo quando a aprendizagem passa pelo corpo e nos afeta de maneira integral.

Conheci o projeto Segni Mossi há uns 4 anos por meio de um vídeo, desde então acompanho o trabalho do artista Alessandro Lumare e da coreógrafa Simona Lobefaro. Achei as propostas diferentes do que conhecia, me mobilizaram muito, adoro essa quebra de paradigmas em relação ao ensino das artes, que elas podem e devem se integrar, possibilitando vivências mais abertas, criativas e ricas em expressões singulares.

Em uma das formações que ministro em Campinas, fiz um pega-pega desenho inspirada em uma proposta do projeto. Foi muito legal! Os educadores  da primeira infância adoraram!



Se você ainda não conhece  esse projeto, explore e delicie-se!

  • Site
https://www.segnimossi.net/en/videos.html
  • Facebook oficial
https://www.facebook.com/segnimossi
  • Facebook com experiências inspiradas no projeto
https://www.facebook.com/segnimossiinspired




Ter a oportunidade de participar desse treinamento foi algo muito especial, além de ter contato com Alessandro Lumare e aprender diretamente com ele. O grupo que se formou e as relações que nasceram ali com a alegria e a essência de cada um também foi emocionante. Estávamos em 30 pessoas de várias áreas e com histórias diversas.

O primeiro dia começou conhecendo as referências que inspiram as práticas do projeto. 

Para mim foi quase que imediato observar e identificar a relação do projeto com os artistas apresentados, enquanto Alessandro contava sobre cada um deles. Porém, perguntas rondavam meus pensamentos...Mas porque essas escolhas? Como conduzir? 

Penso que fica um tanto vazio oferecer uma proposta em diálogo com Segni Mossi sem entender como acontece. Quais as orientações, o planejamento e a organização da proposta? 

Acredito que esse seja um ponto central: entender o processo para fluir a proposta com sentido. Sem ser uma cópia ou uma receita ou mesmo fazer apenas porque é legal, moda.

Feita essa apresentação as atividades começaram e passamos horas trabalhando com o corpo, o desenho, a ludicidade, a relação com pessoas que não conhecíamos...Entre diversão, descobertas, sorrisos e muita expressão fomos conhecendo uns aos outros. Brincamos, parecíamos crianças, houve essa busca de reconexão.

Um pouco de frio na barriga na hora que chegava minha vez, se mostrar/ se colocar para o grupo. Faz tempo que não trabalhava o corpo assim e me lembrei da formação no Instituto Brincante em SP, o quanto aquilo que me fazia bem e me tirava da minha zona de conforto, me ensinava mais sobre meu corpo e reativava o mesmo, e novamente entrei em contato comigo mesma.

Em outros momentos também me veio algumas vivências com jogos teatrais na qual tive no Macunaíma, era muito tímida e retomava naquele momento um pouquinho dessa timidez refletida no corpo.

Ao mesmo tempo me sentia livre, meu corpo se sentia bem, esquecia que estava entre outras pessoas e se jogava, outras vezes me preocupava com o contrário.


O tempo passou rápido, me diverti demais, foi muito prazeroso. Mais um dia de treino e havia pensado "Uau! Está sendo tão incrível essa experiência, entender os processos e os porquês, mas senti falta de saber um pouco sobre cada pessoa". E assim foi quando entrei na sala e começamos o segundo dia: uma roda bem grandona, alguns minutos para cada um e uma avalanche de informações valiosas. Pessoas com histórias fascinantes, caminhos tão diferentes e ao mesmo tempo que se cruzavam com outras histórias ali apresentadas. Parece que nos encantamos mais ainda enquanto grupo.


Movimentar o corpo, imaginar novas ações, linhas e desenhos no espaço, fazer escolhas, interagir, se afetar, ser afeto, tocar, olhar, se expressar, alterar comportamentos, resistir, ser continente, são tantas coisas ao mesmo tempo. Vários desafios!

Muita exploração, experimentação e descobertas! Muita observação, cooperação, criatividade e desapego. Sim, desconstrução e resignificação do movimento, da dança, do desenho, das relações, do corpo, das propostas.

Nosso corpo é muito perfeito, nele está a expressão de todas as linguagens! Está as sensações, as emoções, as memórias...nossa essência e o impacto que as relações nos causam. 


No nosso corpo está nossa história!  



Agora pretendo multiplicar os saberes e oferecer oficinas com crianças e adultos. Também pretendo compartilhar no blog meus diálogos com o projeto Segni Mossi.

Quem tiver interesse entra em contato comigo ;)

Marcela

https://www.facebook.com/culturainfantilearte


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações BrinqueBook

Texto: Lalau 
Ilustração: LauraBeatriz


Poesia também é coisa de criança!  A dupla Lalau e LauraBeatriz tem vários livros que fazem sucesso entre as crianças, inspiram de leituras no ambiente familiar a Saraus em escolas e contribuem para o universo literário de forma lúdica, divertida e cheia de curiosidades.

Bichos de jardim fazem sucesso entre as crianças, assim como as rimas das palavras! A cada página ilustrações belíssimas e cheias de imaginação. As poesias fazem relações entre os bichos e a vida de crianças. Com pouco texto e letra maiúscula, facilita a leitura de crianças em fase de alfabetização. 

Boa imaginação!

Texto e Ilustração: Robert Starling
Tradução: Gilda de Aquino

Zeca é muito legal, mas quando alguém lhe diz o que tem que fazer algo...ele solta fogo e acaba com tudo! Como será que esse dragãozinho lida com as situações do cotidiano? Ele quer uma coisa e as outras pessoas dizem outra.

Ser contrariado ou aborrecido é um problema. Seus amigos já estavam cansados e Zeca pediu ajuda a mamãe. Qual é a sua estratégia para se acalmar?

Boa sorte!

Texto e Ilustração: Sophie Blackall
Tradução: Gilda de Aquino

De onde vem os bebês? É isso que vamos descobrir!

Com a novidade de que um bebê está para chegar. A curiosidade de um menino é desapertada e ele quer entender de onde vem os bebês. Perguntou para várias pessoas e nenhuma resposta fez tanto sentido quanto a do seus pais que respondem da maneira mais sincera possível para um garotinho.

No final há algumas perguntas e respostas se você ficar na dúvida de como lidar com esse e outros assuntos ligados a família e bebês.

Boa conversa!

Texto e Ilustração: Marie-Louise Gay
Tradução: Gilda de Aquino

Crianças são curiosas por natureza e essas pequenas histórias fazem sucesso entre elas. Perguntas e mais perguntas, todos os dias, sobre todas as coisas, na tentativa de entender o mundo ao seu redor.

São 19 histórias para investigar. As ilustrações e o texto se organizam como se fossem histórias em quadrinhos. Com muitos detalhes e cores o uso da tinta aquarela faz as ilustrações vibrarem e serem leves ao mesmo tempo.

Boas descobertas!

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações BrinqueBook

Texto e Ilustração: Nick Bland
Tradução: Gilda de Aquino

Uma história bem atual: o uso de celular para se relacionar com o outro. O que vale a pena, os amigos presentes no seu cotidiano ou os amigos virtuais?

A galinha vivia feliz em uma fazenda, tinha muitos amigos, era querida e prestativa. Até que um dia foi atraída por uma luz no celeiro e se encantou pela fabulosa máquina de fazer amigos, só pensava nisso. Mas será que esses novos amigos são realmente amigos?

A capa tem o título e parte da imagem em relevo. As ilustrações são grandes, ocupam toda a página. Divertidas e expressivas, dão vida a narrativa.

Boa reflexão!

Texto e Ilustração: André Neves 

Amanhece um lindo dia, uma ótima oportunidade de encontrar a alegria! Mila e Manu começam a busca e se desafiam.
Mila procura nos lugares mais improváveis, nos cantinhos e esconderijos da natureza. Manu acha que a alegria está em grandes lugares. Eles se encontram, conversam, discordam, concordam e continuam a busca, mas será que a alegria está nas pequenas ou nas grandes coisas?
É o que eles estão procurando! E você onde acha que a a alegria está escondida?

As ilustrações são delicadas e muito encantadoras! Nos envolve mais ainda com o texto com toda sua beleza.

Boa busca!

Texto e Ilustração: Maté

Uma coletânea de 13 poemas com palavras Tupi, com certeza você pronuncia algumas delas e nem sabe. No final do livro há um glossário e um texto sobre a língua Tupi.

O texto é leve e divertido, trata das palavras no seu contexto histórico-cultural e faz brincadeiras com os animais, cheio de imaginação. Adorei saber de algumas informações como da Estação Tatuapé (eu moro nesse bairro!) e da Avenida Jaguaré.

As ilustrações parecem ser com a técnica de aquarela, uma riqueza de cores e detalhes, além de grafismos indígenas em sua composição.

Boa descoberta!

Texto: Julia Donaldson
Ilustração: Axel Scheffler
Tradução: Gilda de Aquino

Olhe bem para a capa, as ilustrações te lembram alguma outra história? Sim, o Grúfalo! Aproveite e se tiver o livros em mãos, observe as texturas na capa.

O Gigante mais elegante da cidade, é isso que Jorge deseja se tornar, mas ao encontrar com alguns animais no caminho algo acontecerá. 

O texto revela uma história com repetição e acumulação, contribuindo para memorização do texto por parte das crianças, assim elas podem contar histórias mesmo antes de saber ler ou mesmo antecipar as falas ao realizarmos a leitura.

As ilustrações são muito divertidas, repare bem em todos os detalhes. A cada página se configuram de modo diferente, ocupando toda a folha, parte dela ou mesmo em pequenos fragmentos. Atraem bastante o olhar infantil.

Boa diversão!

sábado, 4 de agosto de 2018

Palavra de Marcela Chanan: os bebês e as interações na escola*








Agosto está chegando e a escola volta a trabalhar no ritmo do acolhimento e de um processo de “mini-adaptação”. Geralmente nos meses de julho, os pequenos voltam a passar um tempo prolongado com as famílias e, no final das férias, deixar o colo da mamãe não é tarefa fácil para ninguém! Conversamos com a pedagoga e especialista em Educação de 0 a 3 anos, Marcela Chanan, também autora do blog Cultura Infantil, para fazer uma série de postagens, inspiradas em Winnicott, que retoma as questões que cercam o momento delicado da adaptação, tão constituinte das relações da criança no ambiente escolar. Esta é a primeira parte.




Tempo de Creche – Como você vê a escola na constituição da identidade do bebê?

Marcela – O bebê existe a partir da relação com o outro, a mãe ou quem exercer essa função. Donald Winnicott (1896-1971), pediatra e psicanalista inglês, fez várias contribuições para a psicanálise, dentre elas, a concepção teórica que enfatiza a importância das relações do bebê e da criança pequena com o ambiente.

O adulto cuidador é o ambiente facilitador que forma a constituição do eu na criança, seu desenvolvimento emocional e amadurecimento. Pensando no espaço escolar, é preciso considerar que bebês começam a frequentar a creche ainda muito pequenos e, geralmente, em período integral. Então na escola, o educador é o ambiente facilitador que tem papel central no desenvolvimento infantil.

Tempo de Creche – Na escola os professores podem assumir um papel fundamental na construção da identidade dos bebês?

Marcela – Sim. Como disse anteriormente, na escola, o educador é o ambiente suficientemente bom (leia sobre esse conceito no final da postagem). Ou seja, ele é um adulto sensível, que está atento às necessidades da criança e se dedica aos seus gestos e ações. Mas tudo na medida certa! É comum e esperado que pequenas falhas (não negligências!) aconteçam para que o bebê se desenvolva normalmente, num percurso que parte da dependência e ruma à independência.

Assim como em casa, na escola essas falhas acontecem naturalmente, pois o educador trabalha com um grupo de crianças e se adapta à sua diversidade. A falha saudável é aquela em que, por exemplo, o bebê precisa esperar um pouco para receber o que deseja, mas não deixa de receber. Essa falha faz parte do processo de desenvolvimento emocional.

Tempo de Creche – Como os professores devem construir relações com os grupos de bebês?

Marcela – O bebê precisa de um adulto referência para estabelecer um vínculo de confiança. Um ou dois adultos, que podem ser o professor e o auxiliar, devem desenvolver uma rotina que promova constância e previsibilidade ao bebê e à criança pequena.

Um bom educador-ambiente investe numa relação com o bebê em que se mantém presente por inteiro. Abre mão das suas vontades, pré-conceitos e idealizações, se identifica com as crianças, procurando observá-las, escutá-las, sem imposição e rigidez. É um adulto que tem empatia pelas crianças e desenvolve um vínculo afetivo decisivo para o desenvolvimento saudável dos pequenos.

Tempo de Creche – Pode falar um pouco sobre os cuidados com bebês no ambiente da escola?

Marcela – Crianças pequenas são vulneráveis e deve-se zelar por sua tranquilidade, bem-estar e segurança, esta última num sentindo mais amplo, sem superproteção. As experiências sensoriais dos bebês acontecem no corpo todo e vão formando o seu psiquismo. Tudo é novidade e a consciência corporal está em construção. Nesse sentido, a forma de segurar o bebê é um exemplo muito importante de cuidado.

Para Winnicott, todo o acolhimento, proteção e sustento físico e psíquico se chama Holding (leia sobre esse conceito no final da postagem). A rotina dos cuidados corporais, como a troca de fraldas, banho, alimentação, chama-se Handling (leia sobre esse conceito no final da postagem). Como já dissemos, a criança vai aprendendo e se percebendo a partir do outro e o diálogo, por exemplo, enriquece essa interação.


Tempo de Creche – Pensando especificamente na chegada à escola, quais questões estão implicadas nesse processo? Os ambientes da família e da escola se complementam?

Marcela – A partir das experiências com a mãe, o bebê se sente seguro para outras relações, para poder receber o cuidado de um outro adulto e desenvolver confiança no novo ambiente. Por isso, quando a criança chega à escola pela primeira vez, é importante que o educador pergunte à mãe sobre as especificidades dos cuidados corporais, os hábitos e costumes.

Um ambiente com condição favorável considera o âmbito físico e psicológico. É como se ele fosse um outro cuidador. É um ambiente saudável, que atende e respeita as necessidades do bebê e da criança pequena, onde possam viver e ser acolhidos nas suas alegrias e nos seus momentos de agressividade, raiva. Que possam desfrutar de momentos de cuidados privilegiados, do brincar livre, de ser chamados pelo próprio nome e reconhecidos por suas preferências, sentindo-se únicos.


Tempo de Creche – Pode explicar alguns dos conceitos de Winnicott – mãe (cuidador) suficientemente boa; falhas; holding e handling?

Marcela – Uma mãe suficientemente boa, na visão do psicanalista, não é uma mãe perfeita, mas suficiente, devota aos cuidados do filho. A mãe-ambiente se adapta ativamente às necessidades do bebê, reagindo aos seus gestos e expressões.

A falha da mãe suficientemente boa permite que o bebê constitua o seu “eu” (self), impulsionando o desenvolvimento emocional. Por exemplo, a mãe atrasa uma mamada aos poucos, o bebê chora e acaba por receber seu alimento. De modo inverso, quando o cuidador-ambiente, seja em casa ou na escola, oferece o alimento antes mesmo do bebê comunicar a fome, não dá espaço para o bebê ser ele mesmo e requisitar suas necessidades. Quando os gestos do bebê não são considerados, é como se ele precisasse se defender criando um falso “eu” (falso self), que se submete ao que vem do externo.

A vida de um indivíduo saudável é caracterizada por medos, sentimentos, conflitos, dúvidas, frustrações, tanto quanto por características positivas. O principal é que o homem ou a mulher sintam que estão vivendo sua própria vida, assumindo responsabilidade pela ação ou pela inatividade, e sejam capazes de assumir os aplausos pelo sucesso ou as censuras pelas falas.
(Donald Woods Winnicott. Tudo começa em casa. São Paulo: Martins Fontes, 1999)

O Holding é a sustentação do bebê que satisfaz a sua dependência absoluta. É a forma como se segura e toca o bebê, acalenta e acolhe, levando em conta sua fragilidade e proporcionando apoio e firmeza, a fim de transmitir segurança e confiança. Com a continuidade desse cuidado o bebê vai se formando e amadurecendo.

O Handling é a forma como o bebê é manipulado nos momentos de cuidado corporal, que o faz sentir as diferentes partes do próprio corpo por meio do toque das mãos do cuidador. Esse cuidado propicia, processualmente, a consciência corporal.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações editora do Brasil

Texto e Ilustração: Romana Romanyshyn e Andriy Lesiv
Tradução: Flora Manzione

A capa desperta a curiosidade e o título da uma dica do assunto: sons!

Partindo do começo do universo, do silêncio para todo tipo de som, o texto traz informações sobre o ouvido, os sons, os instrumentos, as vozes, a linguagem musical e muito mais.

O cotidiano, o corpo, a natureza, a linguagem somos rodeados de sons dos mais altos até os mais baixos, até que encontramos o silêncio.

Com muita cores fortes e desenho simples, as imagens trazem movimento e diversão. É uma viagem pelas sonoridades do universo.


Texto: Andrea Viviana Taubman e Marcelo Pellegrino
 Ilustração: Guto Lacaz

Esse livro trata de quantidades e medidas com pitadas de poesia e ludicidade. Texto e imagem se entrelaçam e compõe vários sentidos.

Parece uma brincadeira, um jogo de palavras e imaginação.


Texto e Ilustração: Bia Villela

Será que nesse livro só tem círculos?

As ilustrações são muito fofas! Sim, apresenta a forma círculo as crianças a partir de imagens de animais, a cada página a quantidade vai aumentado de 1 até 10. Trabalhando formas e números em um só livro.


Texto e Ilustração: Bia Villela

O Pelicano acorda bem cedinho e conta tudo que ele faz durante o dia. Seja um dia de sol ou chuvoso, com vento ou nublado, a noite se está frio ou gelado, o animalzinho aproveita para fazer alguma coisa e no fim do dia dormir.

Essa obra apresenta as crianças o dia e a noite, as temperaturas e o tempo. E o seu dia, como é?

quarta-feira, 20 de junho de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações Escrita Fina e Zit

Texto: Geny Vilas-Novas
 Ilustração: Flávio Colin


Esse livro é um tesouro! Uma memória fantástica dos recontos do folclore do vale do rio Doce, contadas na infância do autor. Uma homenagem linda e muito importante!

Como o diz o título temos uma história que está dentro da outra (das lendas) contadas  pela Vovó Carolina.

As ilustrações são coloridas e rica em detalhes, parecem xilogravura em quadrinhos. Dão vida ao texto!

Me lembrou história em capítulos onde nos sentimos curiosos para saber o que vai acontecer na próximas páginas.

Boa aventura pelo rio Doce!

Texto e Ilustração: Mirna Brasil Portella

Porco em casa? Como assim?
Enquanto a criançada da vizinhança chegava da escola e corria para brincar, Odorico preferia ficar sozinho, quieto. 
Certo dia, observou uma ninhada de porquinhos e sentiu algo em seu coração. Pronto! O menino ganhou um porco de estimação! 
A partir desse dia não foi mais o mesmo: experimentou muito a vida!

As ilustrações são uma graça: simples, misturam desenho com recortes de páginas cheios de palavras.

Boa experiência!


Texto: Hellenice Ferreira
Ilustração: Martha Werneck

As ilustrações são incríveis! Captam o olhar e encantam!
Ao abrir o livro, há uma introdução sobre a mente das pessoas e os felinos, informações interessantes para pensar. A imagem de uma caixa de papelão também lembra a forma de um gato.

O gato andava pelos sonhos de Gabi, mas eles não se conheciam. Até que um dia a menina repara em uma caixa de papelão na rua e quer olhar o que tem dentro.

Pronto! O encontro aconteceu Gabi e o Gato. Será que ele sabia desse encontro?

Bom sonho!

Texto e Ilustração: Mario Bag

Nesse livro o leitor encontra uma mescla de situações engraçadas com poesias em versos rimados. Com certeza reconhecerá alguma referência.

A cada página uma ilustração detalhista e alguns padrões de signos. Imagens alegres, estilizadas, com formas geométricas, linhas e perspectiva.

Boa diversão!

Texto: André Vargas
 Ilustração: Luiz Silva

Veja a capa, o que será que o camaleão quer pegar? Levante a aba para ver o que há!

O cameleão tem um encontro e precisa escolher uma roupa: colorida, estampada, com gravata. Qual será? A qualquer momento ela pode mudar.

Foi buscar um presente para levar e quando se deu conta encontrou o seu par!

Bom encontro!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

MARCAS DE APRENDIZAGEM: a "sujeira" que ensina.



Durante as formações de professores que ministro e as conversas entre profissionais da educação infantil e séries iniciais do fundamental I, é recorrente a discussão sobre realizar propostas no qual as crianças se sujam. 

O que fazer com a reclamação dos pais ou com a instituição que de alguma forma restringe esse fazer que suja? Como lidar com as incoerências existentes nesses dois casos?

Pode, mas não pode sujar o espaço físico; 
Pode, mas não pode manchar o uniforme; 
Pode, mas não tem apoio; 
Não pode, mas também não quer que a criança perca a vivência... 

As vivências que "sujam" são muito saudáveis, mas deixam alguns professores em uma situação complicada: mais preocupados com a roupa da criança e com o espaço do que com a potência dessas experiências. Chegamos até a lavar a camiseta da criança e secar na escola para não ouvir reclamações. Algumas escolas já têm essa questão bem resolvida, muitas outras não.


É preciso refletir sobre até que ponto o exagero da higienização pode privar as crianças de descobrirem o mundo, senti-lo e experienciá-lo. O desenvolvimento dos sentidos acontece a partir do contato com o mundo. Como a criança vai saber sobre as sensações se ela não puder experimentar várias vezes? Essa forma de descobrir o mundo é como a criança aprende.

Existem muitas queixas por parte das famílias que não compreendem, portanto não toleram que seus filhos voltem para casa com a roupa da escola suja, como se o professor fosse descuidado. 

Vamos refletir um pouco sobre essa "roupa da escola": tem uniforme? Para que serve o uniforme? Não tem uniforme? Então qual é a roupa ideal para ir à escola? 

Uniforme serve para ir à escola, é pratico e ajuda com a questão do desgaste das roupas. Se não tem uniforme, precisa ter uma "roupa de ir para escola" que são roupas que já estão bem mais usadas e se manchar tudo bem. 

Roupa nova, assim como calçado novo não são adequados para ir à escola, pois podem manchar e a criança se mostra triste e preocupada quando isso acontece, a outra opção seria ter uma troca de roupa na mochila. 

Essa regra da roupa também vale para os professores, pois nós também nos sujamos: manchamos roupas e essas acabam sendo separadas para trabalhar. Se o profissional usa uniforme, precisará usar o mesmo, lavado, mas com manchas. E quando decidimos ir trabalhar com uma roupa diferente da "de trabalho", já sabemos que corremos o risco.

As manchas nas mãos, pés e unhas acontecem tanto para as crianças quanto para as professoras. Nós também participamos das propostas, depois organizamos tudo, lavamos e inclusive nos arriscamos a fotografar com as mãos sujas.

Dependendo da idade, as crianças nos ajudam a organizar os ambientes e a separar os materiais. Proporcionamos autonomia para que busquem e carreguem alguns materiais, por exemplo, um pote de tinta, um ingrediente da culinária, um recipiente da alimentação e acontece de cair na roupa ou no chão. Faz parte da aprendizagem, de se responsabilizar pelo que faz, querer ajudar novamente, acreditar em si mesmo, se sentir capaz.

No caso das tintas, existem os camisetões e aventais que servem para evitar que manchem a roupa de baixo, mas não é garantia que não vá sujar, afinal trata-se de uma criança! 

Na verdade não gosto muito de nenhuma dessas opções. Sempre ou são grande demais e as mangas vão parar na tinta ou pequenos demais e não protegem tanto. A tinta passa de um tecido para o outro e as próprias crianças limpam as mãos neles. Os aventais também não auxiliam tanto, sempre acontece uma mancha.

Algumas instituições escolares reclamam das professoras que fazem "sujeira": tinta no chão, na parede, nas mesas. A escola precisa ser limpa! Como se essas marcas revelassem sujeira e não aprendizagem, vida!

Já fui repreendida várias vezes, inclusive já me sujeitei a limpar para poder fazer meu trabalho em paz. Também já presenciei professoras que extrapolaram em tamanha desorganização por falta de experiência ou supervisão e acabaram por estragar mesas, móveis, lousa etc. 

As crianças se sujam em diferentes propostas na escola: arte, culinária, parque e alimentação. Elas estão crescendo, estão aprendendo!

Eu não consigo entender essa "sujeira" como uma questão tão grande para chegar a causar problemas entre a escola e o professor ou o professor e a família. Chegamos até a receber bilhetes de reclamação ameaçando tirar a criança da escola (no caso da particular). E a maior reclamação é lavar a roupa, lavar as meias, uniforme manchado...sem pensar no desenvolvimento dessa criança.

As concepções da escola precisam estar de acordo com a concepções do professores e da família para evitar esse tipo de problema. Pode ser interessante uma sensibilização para acessar as memórias de infância tanto da equipe de professores, quanto dos pais, conhecer um pouco sobre cada um: como era o brincar na infância?
Devemos considerar que também é importante fazer um trabalho de reflexão na reunião de pais: a documentação pedagógica, por exemplo, tem um papel fundamental para mostrar como funciona essa sujeira e porque acontece, em prol do que defendemos e não nos preocupamos com ela. 

Algumas crianças também precisam aprender a ser crianças, algumas já foram condicionadas e não gostam de participar de propostas porque (por influência do adulto) não querem se sujar.

A mania do adulto de limpeza e organização pode acabar refletindo na criança, o medo de levar bronca pode causar sofrimento por ela deixar de fazer algo que gostaria, além de se sentir valorizada apenas quando estiver limpa. A exploração, a descoberta e as sensações tornam apenas "sujeira". Com nosso incentivo, aos poucos elas são conquistadas: começam observando e depois em outras oportunidades experimentam de pouco em pouco, ás vezes demorar o ano todo, é um processo de desconstrução que precisa ser respeitado no ritmo de cada uma. 

As crianças são singulares, é fácil observar desde pequeninas que algumas entram por inteiro na tinta, na lama, nas propostas de culinária ou mesmo como se alimentam e outras menos.

A opção de dar banho ou trocar de roupa serve para propostas muito melequentas planejadas pelo professor com essa finalidade mesmo. Agora pequenas sujeiras no corpo lavamos mãos e rosto, pequenas sujeiras na camiseta, vão para casa assim mesmo, damos preferência para trocar roupa molhada ou úmida.

Depois que a criança passa um período na escola cheia de propostas tão atraentes, o difícil é não ter marcas de aprendizagens em seus próprios corpos: tinta, canetinha, giz de lousa, terra, água, molho de tomate, feijão, achocolatado, iogurte, farinha de trigo, calda de fruta, etc. E mesmo que, ao saírem do parque, orientamos a tirarem a areia do corpo, em alguns momentos nos deparamos com montinhos de areia pela sala e ao conferirmos encontramos areia nos calçados, nos bolsos...pistas de que estão se divertindo muito! Sim, as professoras também levam areia para casa em seus corpos, isso para as que, como eu, mergulham com as crianças na brincadeira (quando convidada).

Penso que as famílias deveriam ser convidadas a entrar mais na escola e participarem da rotina, dos projetos, de decisões importantes. Pensar em um dia específico para oferecer propostas aos adultos parecidas com a que oferecemos às crianças, seria maravilhoso para compreenderem melhor. 

Existem estudos, comprovações científicas de especialistas de diversas áreas que defendem o quanto é importante a criança se sujar, que traz muitos benefícios e a bandeira que levanto aqui é o fortalecimento das aprendizagens. Passar por todas essas propostas no seu ritmo, com liberdade para explorar, desenvolve a criança de forma integral.

Acredito que oferecer um espaço para essa exploração do mundo é papel da escola. A sociedade mudou muito, a estrutura familiar, a utilização dos espaços públicos, o avanço da tecnologia, as agendas lotadas, o contato com a natureza...um cotidiano cada vez mais apressado.

Se sujar faz parte! Promove prazer e felicidade!

Os professores devem sempre orientar todas as crianças em relação a essas marcas para se cuidarem, assim aos poucos elas vão aprendendo a usar mais o guardanapo, os paninhos, as pias, etc. E lembrem-se nós professores, também não escapamos e voltamos para casa com essas marcas. 

Marcas de que trabalhamos com uma infância livre e saudável!