quinta-feira, 24 de agosto de 2017

EXPLORAÇÃO, BRINCADEIRA E ARTE: bebês em ação.

*Pesquisa apresentada no 9º Encuentro Internacional de Educación Infantil da OMEP Argentina - El cuerpo en juego en la educación de la Primera Infancia 2016

Os pequenos nos convidam a experimentar. Eles têm a arte dentro de si. Eles criam arte. Eles dizem algo. Algo que perdemos. Algo atraente e sedutor. Algo que não reconhecemos. E que não podemos explicar. Tudo é muito maior. Para as crianças pequenas existe uma conexão direta entre vida e obra. Essas são coisas inseparáveis. (HOLM, 2007, p.3)




Como enriquecer a rotina das crianças pequenas? O que fazer durante o dia todo? Quais atividades podem ser vivenciadas por bebês tão pequenos? O que fazer com crianças de 1, 2, 3 anos? 

Essas e outras perguntas são parte de uma demanda que recebo via minha fanpage do blog. Educadores com vontade de fazer diferente, mas com muitas dúvidas sobre o que e como oferecer. Em 2013, comecei uma especialização em educação de 0 a 3 anos e a partir daí tenho me dedicado a estudar essa faixa etária. Esse tema surgiu do meu interesse em investigar a exploração, a brincadeira e a arte entrelaçadas, para meu trabalho de conclusão do curso apresentado em 2015. Minhas principais questões foram: 



O que é considerado arte para bebês? Qual a importância dessa vivência para as crianças pequenas? Deve-se separar as áreas de conhecimento na primeiríssima infância? 

São questões complexas e abertas, mas pelo menos me ajudou a refletir melhor sobre cada uma delas e o que compartilho aqui é parte da minha pesquisa. 

PIAGET E NEUROCIÊNCIA: CONTRIBUIÇÕES 

Depois que a criança nasce, o processo de formação da inteligência acontece a partir do contato com seu entorno: as pessoas, os objetos, os materiais, as imagens, as sensações, a natureza, os animais. Considerando que quanto mais experiências positivas a criança puder viver, mais impactos positivos terá no seu desenvolvimento, a neurociência e o período sensório-motor descrito por Piaget em diálogo com as aprendizagens por meio dos sentidos e do brincar, tem a pretensão de definir a importância da arte na primeiríssima infância e de relacioná-las à escolha de situações que colaboram com o desenvolvimento infantil. 

Na abordagem de Piaget1, na fase sensório-motora, a construção do conhecimento acontece a partir da relação das ações motoras e sensoriais da criança, ou seja, ela aprende tocando, sentindo, experimentando e se movimentando. 

Richter (2014 apud PIAGET 1971) esclarece que: 

(...) a significação tem sua gênese na organização da experiência vivida. E a organização da experiência na criança surge pela descoberta dos limites de suas ações em relação às propriedades dos objetos, ou seja, da construção do real. Portanto, as propriedades que a criança extrai dos objetos derivam do conjunto de possibilidades de manipulação desses objetos. 

As propriedades físicas dos objetos são importantes para as crianças conhecerem suas características e propriedades, mas também sua potencialidade. Na abordagem de Reggio Emilia2, o atelierista Piazza em entrevista para Gandini (2012, p. 28) diz: 

Quando as crianças usam suas mentes e mãos para agir sobre um material usando gestos e instrumentos, começam a adquirir habilidades, experiência, estratégias e regras surgem estruturas dentro da criança, que podem ser consideradas como uma forma de alfabeto ou gramática. 

Ainda segundo Richter (2014 apud RAMOZZI-CHIAROTTINO, 1984, p.47) “(...) conhecer exige uma ação sobre o objeto para transformá-lo e para descobrir as leis que regem suas transformações (...)”. E a partir da experiência da ação e da organização dessa ação, o conhecimento acontece nessa relação: a criança interpreta e reconstrói o mundo, com uma imagem que faz sentido para ela, a seu entendimento. 

Richter (2014, p.187) revela que: 
Ao construir espaços e criar situações onde possa exercitar a liberdade, a criança faz e age sobre a matéria e o tempo-momento da ação, na concentração exigida pelo prazer do gesto significador. Os meios artísticos, aqui tornam-se estratégias de um pensamento que integra razão e desejo como instrumentos do conhecimento e da ação, permitindo a criança estar alerta, atenta não só ao que acontece fora, mas ao que se passa por dentro. 
Nesse processo a criança entra em contato com sua interioridade, a partir do momento que ela reproduz uma ação, ela passa a inventar movimentos e explorações, descobrindo que seus gestos deixam marcas. Essa invenção vem da imaginação, a criança começa a estabelecer relações e simbolizar, descobrir, repetir, reinventar, representar, e essa exploração se transforma em brincadeira. 


Para a neurociência3, os estímulos externos oferecidos pelos adultos são essenciais para estabelecer conexões entre os neurônios, ou seja, para formar cada vez mais sinapses. Por meio das informações enviadas pelos órgãos sensoriais, a criança aprende a tomar conhecimento do que acontece ao seu redor e como interagir com os objetos, para depois criar e organizar seu conhecimento a partir dessas vivências, favorecendo uma memória sensorial.

Os três primeiros anos de vida são decisivos para a formação dessas sinapses, sendo que o cérebro se mantém acelerado e em crescimento. Nessa faixa etária, o essencial é explorar todo tipo de sensação com diversos materiais e usando o corpo todo: estimular as mãos, a boca, o nariz, o olhar, o ouvido. A aprendizagem é um processo ativo e as crianças aprendem fazendo coisas. É a fase com maior potencial, em nenhum outro momento da vida o corpo humano aprende e se transforma tanto.

É importante lembrar que as crianças também precisam de uma pausa e de respeito ao ritmo de cada uma, sem uma proposta atrás da outra. A repetição e a diversidade de propostas em dias diferentes são importantes, mas o excesso de estímulos pode provocar estresse tóxico, ou seja, a redução das sinapses – das conexões neurais, prejudicando o desenvolvimento. A aprendizagem também depende do sono para que as sinapses possam ser consolidadas e da alimentação por necessidade de energia.

OS SENTIDOS

Os bebês conhecem o mundo levando os objetos à boca e é importante proporcionar essa experiência, assim conhecerão as sensações agradáveis e desagradáveis dos objetos. É comum nas propostas de arte que levem os materiais e tintas à boca; então é importante considerar o uso de alimentos e elementos naturais para a produção de tintas, melecas, massinhas, cola e usar giz de cera de abelha.

Com as crianças pequenas é possível explorar também por meio dos olhos: a observação do entorno demanda atenção e curiosidade sobre as coisas. E explorar os ouvidos: desenvolver a escuta atenta com sons, brincadeiras com instrumentos, ouvir o entorno, se movimentar de acordo com o som dos instrumentos e aproveitar situações cotidianas.

Para que uma criança tenha um bom desenvolvimento sensorial e perceptivo, ela precisa de um grande leque de opções de experiências e manipulação, assim como liberdade para atuar em um ambiente rico em espaço e em materiais, que ofereça experiências diversas com os objetos, o corpo, outras crianças, pessoas, animais e a natureza. Por isso é importante um trabalho com as cores, com as instalações, os ateliês, as melecas, o desenho, as tintas naturais, o teatro, intervenções no espaço, entre outros.

O CORPO 


Um corpo que vive cheio de ricos e simples estímulos do brincar com água, terra, areia, objetos, sons, jogos, conhecendo os alimentos, vivendo com os animais e plantas, fazendo arte com tudo isso, é um corpo vivido4 nessa fase tão importante da vida. Quanto mais possibilidades houver, melhor, como andar descalço, tomar banho de chuva, preparar alimentos, etc. Ao brincar a criança aprende sobre seu próprio corpo, aprende e fortalece relações de respeito e cuidado com as pessoas e com o espaço, em que cada cantinho é conhecido por elas.

Na abordagem Pikler5, os bebês de 3 a 15 meses têm completa liberdade de movimentos em relação à roupa adequada, ao espaço suficientemente bom para explorar e com a ausência de um adulto que insiste em ensinar a criança determinada ação que ainda não é capaz por conta própria, nessa abordagem valoriza-se a atividade autônoma da criança a partir de suas próprias iniciativas. Isso para que a criança se desenvolva com autonomia e mais consciente dos limites do seu corpo. Com essa vivência, os bebês se mostram mais livre, ativos e confiantes nas suas explorações e aprendem com suas conquistas e frustrações.

Moreira (2008), diz que a criança interage com mundo conquistando novas estruturas de movimento, então enquanto os pequenos rabiscam suas primeiras garatujas no papel, também correm de um lado para o outro aprendendo a controlar seu corpo, têm prazer nessa exploração do movimento e coloca intenção ao realizá-lo. A relação é mais com os gestos, os movimentos e o resultado das suas ações, tanto para o corpo quanto para a arte, para a alimentação, o brincar, o explorar; há uma gestualidade do cotidiano que está em diversas ações da criança. Quando as formas circulares aparecem nas suas brincadeiras, nos seus movimentos, nos gestos com os materiais, a criança conquistou uma fase importante e o jogo simbólico se inicia na tentativa de representar a realidade e a imitação do mundo adulto. 



ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Considerando que a criança pequena de 0 a 3 anos é curiosa e precisa experimentar para conhecer e compreender o mundo ao seu redor - ela pesquisa explora, experimenta, investiga, testa, toca para descobrir. Acredito que a arte oferece experiências ricas e significativas para que a criança se expresse e explore seus movimentos, os objetos, os materiais e os espaços. 

A arte mobiliza aspectos cognitivos, motores, afetivos e expressivos além de ser uma atividade lúdica e prazerosa. Quando a criança faz arte, ela está inteira concentrada na ação, com o corpo todo, sendo assim o trabalho com a arte na infância pode acontecer com as linguagens integradas.

As crianças têm contato com materiais artísticos desde muito pequenas, o que elas fazem não é arte, mas costumamos nomear assim, elas brincam e exploram o que oferecemos e o que desperta interesse em direção a investigação, ao prazer de descobrir.



O que há de mais valor nessas vivências são as interações estabelecidas e as formas criativas de explorar, mais do que um objetivo a seguir, pois o processo deve ser o próprio objetivo.

Nessas vivências o papel do educador é fundamental para que as crianças conheçam por si mesmas, tenham liberdade de utilizar os materiais e os espaços, sendo protagonistas de suas aprendizagens, com todo seu potencial e curiosidade.

O diálogo com a arte contemporânea e os processos das crianças são fontes maravilhosas de inspiração. As crianças também são produtoras de cultura e experimentar essa arte, a partir do olhar do educador que conhece o percurso das suas crianças e busca referências que façam sentido e possam dialogar com o fazer delas, garante uma riqueza maior de vivências na prática. 

Algumas possibilidades além da pintura com tintas naturais, massinhas e melecas caseiras, para proporcionar uma diversidade de vivências, são propostas com elementos da natureza, com materiais não-estruturados, com luz e sombra, ateliês como espaços de pesquisa de determinados materiais (forma, textura ou cor), oficinas interativas com diversas linguagens misturadas em diferentes espaços, uso de argila, etc.

Os materiais simples como tecido, caixa de papelão, luz, embalagens, coisas de cozinha, do cotidiano, de descarte, são ótimos para oferecer às crianças, pois podem se transformar. 

A experiência significativa está nessa experimentação, no processo de sentir, descobrir e brincar com as linguagens, no que envolve esse processo. Na relação com a liberdade, a alegria, o afeto e a parceria dos adultos, aspectos fundamentais para o sucesso das aprendizagens.

Então, se a inteligência, a imaginação criadora, os sentidos e a percepção se desenvolvem por meio das ações das crianças sobre o mundo, é preciso permitir e promover situações para que elas explorem, investiguem e pesquisem diferentes materiais e suas possibilidades.

Que os educadores sensíveis continuem buscando formação continuada, trocas e reflexões sobre suas práticas e sensibilize seus colegas. Que fortaleçam o olhar na concepção de criança potente, capaz e criativa, crianças inteiras que aprendem com o corpo todos os conhecimentos integrados e que a partir da documentação dos processos, as aprendizagens possam se tornar visíveis à toda comunidade escolar. As crianças precisam de adultos parceiros, sensíveis e abertos ao convite de entrar no mundo infantil. 

Fazer arte na primeiríssima infância é juntar o brincar, as explorações sensoriais, as interações, as narrativas, os materiais, os espaços, é quebrar as fronteiras e valorizar as poéticas.



*Esse artigo foi publicado em maio de 2017 no portal www.direcionaleducador.com.br como conteúdo online para assinantes. Acesse o link, cadastre-se e conheça o site com conteúdos e cursos na área da educação.

*Fotos das escolas onde fiz observação para pesquisa de monografia.



1 Biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), pesquisou e criou um campo chamado epistemologia genética, ou seja, o conhecimento se desenvolve na criança a partir da sua própria construção na relação sujeito/objeto. 


2 Cidade localiza na Itália, onde a escola de educação infantil é referência no mundo todo. A abordagem educativa foi desenvolvida pelo pedagogo e educador Loris Malaguzzi. A pedagogia da escuta prioriza a escuta por parte do educador, assim as crianças ganham vez e voz para serem protagonistas de suas aprendizagens.

3 De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2006), a neurociência cognitiva explica como é o desenvolvimento do cérebro das crianças, desde o feto, até os 3 anos, considerando a influência da herança genética e principalmente as experiências vividas nessa fase.

4 Termo usado por Terezita Pagani fundadora da escola Te-arte no livro de BUITONI, Dulcilia Schroeder. De volta ao quintal mágico: a educação infantil na Te-arte. São Paulo: Ágora, 2006. 

5 Abordagem criada por Emmi Pikler (1902-1984), pediatra húngara. Pikler estudou Medicina em Viena e desenvolveu um trabalho referência com crianças órfãs em um Instituto conhecido como Lóczy, na cidade de Budapeste, após a segunda guerra mundial.


Bibliografia principal: 


BARBIERI, Stela. Interações: onde está a arte na infância? São Paulo: Blusher, 2012. 

BUITONI, Dulcilia Schroeder. De volta ao quintal mágico: a educação infantil na Te-arte. São Paulo: Ágora, 2006. 

COSENZA, Ramon M; GUERRA, Leonor B. Neurociências e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011. 

GANDINI, Lella; HILL Lynn; CADWELL, Louise; SCHWALL, Charles. (Org.) O papel do ateliê na educação infantil: a inspiração de ReggioEmilia. São Paulo: Penso, 2012. 

HOLM, Anna Marie. BABY-ART Os primeiros passos com a arte. São Paulo: MAM, 2007. 

KÁLLO, Éva; BALOG, György. Los Orígenes Del juego libre. Budapest: Magyarországi Pikler-LóczTársaság, 2013. 

MOREIRA, Ana Angélica Albano. O espaço do desenho: a educação do educador. São Paulo: Loyola, 2008. 

PAPALIA, Diane E; OLDS, Sally W; FELDMAN, Ruth D. Desenvolvimento Humano. São Paulo: Artmed, 2006. 

PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança. São Paulo: LTC, 1987. 

RICHTER, Sandra. Infância e imaginação: o papel da arte na educação infantil. In: PILLAR, A. D. (Org). A educação do olhar no ensino das artes. Porto Alegre: Mediação, 2014, p. 155–170. 

VILA, Berta; CARDO, Cristina. Material sensorial (0-3 años) Manipulación y experiemntación. España: Graó, 2005. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de agosto.

 Adaptação e IlustraçõesSimone Rea
Tradução: Isabella Marcatti
Editora: Pulo do Gato


Como o título nos conta, são 20 fábulas de Esopo com imagens grandes e provocativas, no sentido de despertar o olhar das crianças, certa subjetividade. Os olhos de cada animal chamou muito minha atenção.

A cada duas páginas, uma fábula. São textos pequenos que podem ser lidos diariamente ou mais de um por vez.

As fábulas de Esopo como muitos já conhecem e contam nas escolas, faz parte da literatura oral. La Fontaine foi um dos maiores divulgadores dos textos de Esopo. Acho interessante as crianças conhecerem a história, de onde vieram essas fábulas.

*Esopo foi um escravo contador de historias que viveu na Grécia Antiga no século VI a.C., por meio dos animais personificados, as fábulas trazem consigo alguma lição moral.

  Texto:Luiz Antonio Aguiar
Ilustração: Lúcia Brandão
Editora: Cortez

Mais uma coletânea com 6 contos da literatura oral. Logo no começo, o autor apresenta quem foi Hans Christian Andersen aos pequenos leitores, seus textos envolvem as crianças no mundo da justiça, da igualdade, dos fracos e dos oprimidos. É comum que as crianças queiram comentar e conversar sobre os acontecimentos. 

O tempo de concentração para cada narrativa não é muito longa e as imagens, assim como o texto comovem e emocionam. As diferentes técnicas se complementam em cada ilustração e essa mistura possibilita a ampliação do repertório de cada criança.



  Texto e Ilustrações: Marcela Fernandes de Carvalho
Editora: Escrita Fina

Essa é uma obra que, aparentemente, parece extensa pela grossura do livro. Engano meu! Ao abrir essa maravilha, me deparei com o texto cheio de versos e cada ilustração com a técnica de um bordado encantador!

Nas primeiras páginas a autora faz uma apresentação para as crianças e outra para os adultos. Achei muito interessante a narrativa partir de suas raízes, para nos presentear com esse causo.

Você conhece Lampião e Maria Bonita? E a cidade de Mossoró? Lá teve um prefeito bem do corajoso!

Durante a leitura as crianças ficarão na dúvida se você está lendo ou falando algumas partes.

Entregue-se a essa leitura e mergulhe nessa história verídica!


  Texto: Roseana Murray
Ilustração: Elisabeth Teixeira
Editora: Brinque-Book

Essa obra é uma homenagem as avós, para todos os tipos de avós que oferecem um colo acolhedor e um abraço carinhoso.

Um livro de poesia muito sensível, pura delicadeza! Uma avó que cuida, brinca, costura, ama, arruma coisas, cria histórias, tem tempo, têm docinhos, tem manias, é presente e participa da vida dos netos. A avó parece uma heroína! E para muitas crianças são mesmo! 

Avós sereia, avós estrela, avós jardineira...tem de todo jeito!

As ilustrações ocupam toda a página, cheia de detalhes para observar, cada página um cenário diferente surpreende, diverte e desperta a imaginação.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

LITERATURA INFANTIL: indicações Zit


  Texto: Cristino Wapichana
Ilustração: Graça Lima

O livro é preto e vermelho, o nome traz um suspense. O que será que conta essa história? Alguma lenda indígena? Wapichana é o sobrenome do autor...vamos conferir!

Dois meninos, natureza, aventura e muitas ideias: observações e hipóteses que só criança tem, aquele olhar tentando entender o mundo.

Boca da noite? A noite tem boca? Foi uma história que o pai dos meninos contou...um dos deles ficou muito curioso com essa tal boca, dúvidas e perguntas brotavam em sua cabeça, será que ele encontrou alguma resposta?

A narrativa é bem descritiva e envolvente, as ilustrações deixam com que a imaginação extrapole as imagens, principalmente, sobre a tal "boca da noite".


  Texto: Andrea Viviana Taubman, Marcelo Pellegrino, Thiago Taubman Costa
Ilustração: Julio Carvalho

Uma obra para divertir! Uma brincadeira com poesia e folclore! 

O Cafofo do Remelexo parece um lugar de muita dança e música. A cada página poesias rimadas dão vida as ilustrações: saci, boto, curupira, boitatá, bumba meu boi, boi da cara preta, caipora, mula sem cabeça, bicho-papão, cuca, lobisomem...todo sacudindo o corpo! Imagina só uma festa dessa!

Entre e bom remelexo!

  Texto: Leticia Sardenberg
Ilustração: Alexandre Rampazo

Um ótimo livro para conversar sobre os sentimentos de forma leve e lúdica. Fala sutilmente sobre a morte, o silêncio, a saudade, a busca, o encontro.

Olhar verdadeiro, interesse, escuta e respeito pelo outro, pode quebrar o gelo e fazer brotar esperança, nascer amor!

É lindo e comovente! Prendeu totalmente minha atenção até o fim, mergulhei na narrativa para entender e saber o desfecho.

Quando for inverno no seu coração, que você possa encontrar o verão!


  Texto:Sandra Lopes
Ilustração: Camila Carrossine


Um livro de poemas irresistível. Quem nunca se interessou por bichinhos de jardim? Toda criança já passou ou vai passar por essa fase.

O tema já é interessante e com rima fica mais ainda! Como as crianças gostam de descobrir as combinações e brincar com as palavras. Ouvem atentos e decoram com alegria.

As ilustrações retratam cenas que são comuns a algumas crianças: as quem têm essa vivência vão se identificar. 

Cada bichinho é uma graça, as imagens trazem delicadeza e sensibilidade.


  Texto:Gabriel Geluda
Ilustração: Pitucardi


Nessa obra a capa me chamou atenção pelas cores e desenhos, pensei em algo sobre diversidade. E acertei, trata das diferenças, sobre ser único e isso ser maravilhoso! 

Fiquei super animada, acho um conteúdo indispensável para trabalhar na escola, já que é um espaço privilegiado em que convivemos em grupo e com pessoas diferentes. Embora compartilhemos desse mesmo mundo e, muitas vezes, das mesmas coisas, compartilhamos diferenças!

As ilustrações são bem lúdicas e divertidas, traz outros mundos que dialogam muito com o imaginário infantil.

Viva o Multimundo!


  Texto e Ilustração: Luiz Silva

O título já me despertou interesse, trouxe algum mistério. E para minha surpresa essa é uma história sem texto, uma narrativa por meio de imagens.

As ilustrações são incríveis, a maior parte em preto e branco, cheias de movimento e muitas possibilidades de leitura. Me senti dentro do sonho! Chame a atenção das crianças em relação a arte presente em cada imagem, são repletas de informações e detalhes que favorecem a criatividade e a imaginação e outras são mais simples.

Convide as crianças a entrarem nos sonhos de Allan! Permita que elas vislumbrem além do que está óbvio em cada página; para cada leitor, novos aspectos serão percebidos.

Boa aventura!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

GÊNERO NA ESCOLA: pequenas ações do cotidiano

Essa é uma reflexão pessoal, meu desejo é compartilhar os pensamentos e conexões, depois de ler o manifesto "Para educar crianças feministas" da autora Chimamanda Ngozi Adichie que surge como uma sugestão, não uma receita. Essa leitura abriu um diálogo com minha prática, com que acredito como educadora, professora e mulher. 


Uma leitura de 40 minutos e um turbilhão de relações.
Durante minha trajetória como pedagoga,, várias vezes fui chamada a atenção e convidada a refletir sobre minhas atitudes no ambiente escolar. Sou muito agradecida e hoje faço o mesmo quando ministro um curso. É muito gratificante observar o quanto uma fala pode transformar uma prática que era mais automática, menos pensada. 

Quando vi essa publicação fiquei interessada e no primeiro compartilhamento, muitas pessoas já criticaram sem ler, provavelmente, apenas pelo fato da palavra feminista estar no título. Quando acho algum assunto um tanto estranho, novo ou chocante para mim, guardo, penso, pesquiso, leio, troco com outras pessoas e depois chego a algum posicionamento sobre o assunto. 

Com tantas formações (eu sou daquelas doidas por um curso), ouvi diversos profissionais experientes e muitos puxões de orelhas, em relação a como tratamos nossas crianças, afinal o que está por trás da linguagem usada pelo adulto? Sim, as concepções! Então precisamos cuidar disso, nós formamos seres humanos e devemos considerar a educação das crianças na situação histórica, social e cultural em que estão inseridas.

Meninas e meninos precisam de uma nova postura em relação a educação que recebem. Nós precisamos disso, de uma oportunidade para formarmos uma sociedade mais justa, tolerante e respeitosa, menos preconceituosa, violenta e sem tantos estereótipos.

A editora Companhia das Letras compartilhou em sua página no facebook o seguinte:
"Para educar crianças feministas" traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, que deve começar pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido por homens e mulheres, por pais de meninas e meninos.
Partindo de sua experiência pessoal como mãe e filha, Adichie nos lembra como é moralmente urgente termos conversas honestas sobre novas maneiras de criar nossos filhos, e presenteia o leitor com o que chama de um mapa de suas próprias reflexões sobre o feminismo. O resultado é uma leitura essencial para todos aqueles que acreditam que a educação é o primeiro passo para a construção de uma sociedade mais justa".

Na mídia

Lembrei de alguns vídeos que me ajudaram a ampliar essa reflexão e foram muito compartilhados nas redes sociais, confira (assista todos antes de continuar a leitura):



Criar ambientes com direitos e oportunidades iguais para todos!

Não reforçar os estereótipos do que é ser mulher e do que é se homem!



É importante que tanto meninas, quanto meninos sejam incentivados a não reprimir seus sentimentos!


O papel da escola na desconstrução de estereótipos!


Meninas e meninos nascem com a mesma capacidade para aprender!


O que significa: fazer as coisas Tipo Menina?


Por uma infância sem estereótipos de gênero!




Querida Lego company:


Meu nome é Charlotte. Eu tenho 7 anos e eu amo legos, mas eu não gosto que existam mais pessoas de lego para meninos e quase nada de lego para meninas. Hoje eu fui a uma loja e vi legos em duas seções: as meninas com cor rosa e os meninos com cor azul. Tudo o que as meninas faziam era sentar em casa, ir à praia e comprar, e elas não tinham empregos, mas os meninos iam em aventuras, trabalhavam, salvavam pessoas e tinham empregos, até nadavam com tubarões. Eu quero que vocês façam mais pessoas de lego meninas e deixem elas irem em aventuras e se divertirem, ok!?! 



Obrigada, 
Charlotte






Querida Gap, 



Meu nome é Alice Jacob e eu tenho quase cinco anos e meio. Gosto de camisetas bacanas, como aquelas do Super-Homem e Batman ou de carros de corrida.

Todas as suas camisetas para meninas são cor de rosa e têm princesas ou coisas assim. As dos meninos são bem mais legais. Elas têm Super-Homem, Batman, rock-and-roll e esportes. Mas e as meninas que gostam desse tipo de coisa, como eu e a minha amiga Olivia?

Vocês podem fazer algumas camisetas realmente legais para meninas? Ou podem criar uma seção que não seja para meninos ou meninas, só para crianças? 



Obrigada, 

Alice Jacob.




Na escola

As relações de gênero são construídas desde a infância, são questões culturais, construção essa que pode ser modificada, pois são relações históricas e se deram de forma desigual. As relações existentes padronizam e normatizam comportamentos, expectativas. Já é tempo de desnaturalizar esses padrões, desconstruí-los, renová-los.

As relações de gênero estão na escola, assim como estão na sociedade. A escola educa as relações de gênero, talvez não explicitamente, não é um tema levado para a sala de aula com os pequenos de educação infantil e séries iniciais, mas o tempo todo se constrói um lugar para o menino e para menina.

É um assunto delicado, mas necessário. São pequenas ações e atitudes que podem abrir um mundo novo de possibilidades para as crianças.

A escola deve partir da premissa do respeito aos direitos humanos: as pessoas são diversas, são diferentes e isso não é motivo para discriminação e não pode gerar desigualdade ou violência.

O professor, assim como toda equipe precisam se informar, conhecer, ler, ouvir e olhar a própria prática, questionar sua postura, problematizar e questionar imagens que reforçam esses padrões. Exercitar o olhar, é um exercício diário. 

A escola também tem a função de apresentar figuras que quebram estereótipos sociais, fazer as crianças questionarem esses papéis.

O adulto é referência, é modelo. As crianças confiam no que dizemos e questionam quando acham necessário ( se houver espaço e escuta). Às vezes, ouvir o outro ou observar outras crianças livres (de papéis decididos socialmente) nas brincadeiras, já garante uma nova experiência ou uma reflexão sobre a quebra de estereótipos.

Os pequenos se agarram com muita força em relação ao que esperamos deles e buscam esse modelo. Devemos desconstruir essa separação do que é para menino e o que é para menina e possibilitar que todos possam experimentar de acordo com suas vontades. Uma conversa breve e bem explicada é importante para liberá-los a experimentar o papel que desejarem. Conversas pontuais, conversas mais abertas, individuais ou em grupo, o assunto interessa muito, basta começar uma conversa que os demais se envolvem em dar sua opinião.

As crianças são muito curiosas e querem entender como funciona o mundo e os assuntos mais complexos sempre aparecem. Alguns adultos preferem fingir que não ouviram ou fogem do assunto. Eu sempre quero falar para ampliar a visão delas, seja sobre gênero, família, sexualidade, religião, raça etc. Sempre mostrando que há caminhos distintos, há diferenças, há valores e crenças, e todos devem ser valorizados e respeitados.

Crianças devem ter os mesmos direitos e oportunidades, independente do gênero. A escola precisa oferecer uma gama de materiais para brincar e permitir que as crianças o façam sem restrição de papéis.

Segundo uma reportagem do portal Eduqa.me :

Educadores devem lembrar que, durante a infância e a adolescência, as crianças ainda estão em processo de formação – e isso inclui sua sexualidade. Catalogar objetos, cores, roupas como “para meninos” e “para meninas” acaba por gerar uma distorção na compreensão da realidade dos pequenos. Mesmo maquiagens e vestidos não precisam ser banidos entre os garotos: é comum usar da fantasia e dos personagens para superar situações reais, assim como usar batom ou esmalte pode ser uma expressão artística. Isso não irá “transformar” a criança em hétero ou homossexual – essa será uma descoberta que ela fará no futuro, sem qualquer relação com os brinquedos que utilizou quando menor. O saudável é permitir que ela explore suas alternativas sem julgamento.

Crianças pequenas já empregam a palavra gay como um xingamento e chamam meninos de mulherzinha caso usem fantasias com saias ou vestidos. Meninas que gostam de futebol, são vistas como "molecas", que preferem fantasias de super heróis e chuteira, são mais alternativas e aceitas. Mas se um menino usar rosa, passar maquiagem ou se vestir de princesa, a reação dos demais é bem desrespeitosa. 

Existe uma "preocupação" e um olhar se o menino será gay ou não, é muito grave que adultos que trabalham com a formação de crianças também estejam presos nesses estereótipos, querendo encaixar cada um numa caixinha. 

É comum encontrarmos bonecas com o sexo feminino na escola, mas e o sexo masculino? E bonecas e bonecos de pano com diversas representatividades?

Tem cor de menino, cor de menina? E brinquedo? Menino pode chorar? Existe sexo frágil? Coisa de menino, coisa de menina? Profissões adequadas? Espero que os vídeos tenham ajudado a refletir. Chega desse mundo rosa presente nos brinquedos: panelinhas e tudo que é tipo de brinquedo "para meninas". Não, na vida real o mundo não é rosa! Use panelinhas de metal, panelas de verdade...

Meninas são obrigadas a fazer balé e quantos meninos são julgados por não gostarem de futebol ou preferirem as meninas para brincar?

Já tive um aluno de 9 anos que brincava de boneca na escola, mas me solicitava para não tirar fotos, pois o pai não iria gostar de ver. E a escola, banca fotos de crianças brincando sem camiseta, meninas jogando futebol e meninos de vestidos (fantasia) e boneca?

Um dia, uma aluna me questionou o seguinte "Marcela, por que as histórias sempre começam "os homens" e as mulheres?". Falando do uso de homens para se referir a humanidade, já se sentindo invisível como mulher.

Não podemos deixar que a questão de gênero e de preconceito se naturalize na escola, se cada família tem sua educação, o papel da escola é oferecer uma nova visão. Temos questões muito serias para lidar: sexismo, misoginia, feminismo, racismo, estereótipo, sexualidade, discriminação e preconceito.

Não dá para fechar os olhos, deixar que crianças desumanizem outras crianças. Deixar que adultos que atuam na formação desses indivíduos reproduzam o que a sociedade precisa mudar. E não adianta só formação de professores, é uma mudança interna de conscientização, de abandono de postura para uma nova atitude para vida.

Na sociedade atual a escola já se depara com novas formações familiares e como conversar sobre isso com crianças pequenas? Os professores estão preparados? Estão abertos a discutir fora dos estereótipos?

Nos deparamos com muitas situações no cotidiano escolar, que refletem as crenças familiares e os estereótipos padrões, aparecendo como gozações, brincadeiras e até agressões.

O próprio conteúdo escolar, sem percebermos, apresenta aos alunos modelos de como pensar, agir e sentir referente aos gêneros, o que é adequado a cada um e o que se espera.

Quando você divide a turma entre meninos e meninas, você já pensou o porquê? Qual o objetivo? É importante que as crianças tenham as duas referências, separar por um motivo x e também não separar, propor se agrupar de forma diferente.

Precisamos mostrar as crianças que todos tem seu valor, nem melhor, nem pior. O que vale para menino, vale para menina, estamos falando da educação de crianças. Não podemos reforçar a desigualdade de gênero.

As crianças precisam crescer com toda sua potencialidade. Deixemos a criança se comportar como ela mesma, não ensinemos agradar os outros, ser boazinha, assim ela passará por cima dela mesma. Há crianças que não sabem ser elas mesmas, suportam e se sujeitam para ser aceitas pelo que os adultos esperam. Ensine honestidade, bondade, coragem, verdade, ensine a criança a falar o que sente quando estiver feliz, triste ou incomodada.

Eu adoro farejar todo tipo de conversa mais "cabeluda" entre as crianças e faço questão de colaborar com uma visão mais aberta: quando falo sobre algum assunto ou alguma palavra que elas acham que professora não fala ou não iria gostar de ouvir, abro um diálogo de confiança. É nítido na expressão facial delas o quanto dá um alívio saber que exitem as diferenças, que devem ser respeitadas e que seria muito chato se todos fossem iguais. Existem muitos livros na literatura infantil que ajudam a conversar sobre esses assuntos mais difíceis.


Teria muio mais para refletir...




Mais informações:

http://www.hypeness.com.br/2014/02/para-acabar-com-estereotipos-cadeia-de-brinquedos-sueca-cria-catalogos-de-genero-neutro/

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/10/02/interna_vidaurbana,600678/sete-situacoes-de-sexismo-no-cotidiano-das-brasileiras.shtml

https://aboycantoo.wordpress.com/the-influencers/

http://pacmae.com.br/a-menina-de-7-anos-que-explicou-estereotipos-de-genero-para-a-lego/

http://naescola.eduqa.me/carreira/educacao-de-genero-por-um-ensino-sem-coisa-de-menino-e-coisa-de-menina/


Material para donwload:

http://desafiodaigualdade.org/DOWNLOADS/PLAN_DesafioDaIgualdade_CADERNO-ATIVIDADES.pdf

http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wp-content/uploads/2015/11/kit-gay-escola-sem-homofobia-mec1.pdf

Vídeos:

O que é ser homem
https://www.youtube.com/watch?v=ZJ64IPTAMSU
Completo aqui 
https://www.youtube.com/watch?v=jyKxmACaS5Q

Ideologia de gênero - Café Filosófico
https://www.youtube.com/watch?v=rRltL1dyuJc

Garotinha fala sobre roupas de meninos e meninas
https://www.youtube.com/watch?v=rPFzB6FIEOM

Menina questiona o sexismo
https://www.youtube.com/watch?v=LE7fzUx-rS8


CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE
Nasceu em Enugu, na Nigéria, em 1977. Sua obra foi traduzida para mais de trinta línguas e apareceu em inúmeras publicações, entre elas a New Yorker e a Granta. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Orange Prize e o National Book Critics Circle Award. Vive entre a Nigéria e os Estados Unidos. Veja o trailer de Meio sol amarelo, romance que concedeu à autora o Orange Prize:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-215958/trailer-19535051/
Assista ao TEDx da autora:
https://www.youtube.com/watch?v=hg3umXU_qWc
https://www.youtube.com/watch?v=D9Ihs241zeg
Parte do discurso foi musicada pela Beyoncé:
https://www.youtube.com/watch?v=IyuUWOnS9BY
Entrevista sobre a música:
http://gente.ig.com.br/cultura/2016-10-11/chimamanda-e-beyonce.html
Site: http://chimamanda.com/
Fonte: http://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02561 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

LITERATURA INFANTIL: especial Anthony Browne

*Nessa indicação selecionei obras do autor Anthony Browne publicados pela editora Pequena Zahar.



Um simples passeio no parque e quatro visões distintas. Essa história tem quatro vozes e é incrível observar como uma simples situação pode ter pontos de vista tão diferentes, cada um de acordo com sua realidade, suas vivências.

As ilustrações são coloridas e com cenários bem detalhados. Dialogam com o texto e com o leitor de forma subjetiva (com o repertório de cada um), pois há várias formas e detalhes que contam e complementam a história, sem o texto dizer. 

Macacos que se comportam como pessoas e que têm cachorro de estimação! Com certeza as crianças vão adorar! 

O texto proporciona uma boa conversa sobre porque cada um se sente como tal, possibilitando conhecer melhor o mundo que habita cada criança, quais são suas percepções sobre as emoções e comportamentos dos personagens. O mesmo vale para as ilustrações, o que cada um conseguiu perceber que não conta no texto.



Tema muito contemporâneo: crianças que se apaixonam por certos temas ou assuntos e as famílias não tem tempo para ouvi-las.

A menina sempre tentava fazer o pai levá-la ao zoológico para ver os gorilas ou passear, mas ele nunca tinha tempo. Nunca faziam nada juntos. Até que na véspera de seu aniversário ela ganhou um gorila, mas era de brinquedo. E como a imaginação infantil, muitas vezes, supera e transforma a realidade, esse pequeno Gorila ganhou vida e convidou-a para passear. O Gorila fez tudo que ela queria que seu pais fizessem: um passeio simples cheio de alegria e carinho.

Quando a menina acordou, era dia do seu aniversário e papai tinha uma surpresa! Ela ficou muito feliz! O que será que aconteceu?



Ao começar a ler a história, pensei no tema "separação de pais" e segui curiosa. 

Um clima silencioso no café da manhã, mamãe não sabe quando papai vai voltar. O menino sente falta dele e gruda bilhetinhos por todo canto.

Com o desenvolver do texto, me deparei com traços do clássico Chapeuzinho Vermelho e fiquei mais interessada ainda.

A floresta é toda branco e preta, somente o menino é colorido e ele escolhe o caminho mais rápido para voltar logo para casa - caso o pai voltasse.

Em meio as árvores encontrei personagens e rostos parecem dar vida aos troncos, um tanto assustadora essa floresta! Durante o caminho diversos personagens dos contos tradicionais invadem a história e se interessam pela cesta que o menino carrega. Aqui, as crianças vão se divertir, adivinhando!

Começa a nevar ele encontra um casaco vermelho com capuz na floresta e veste. Chega na casa da vovó bate na porta e ...um final surpreendente te espera. Fiquei muito feliz!




Esse texto fala de dois irmãos, uma menina e um menino, que eram muitos diferentes e viviam brigando. Um dia, a mãe perdeu a paciência e deixou os dois resolverem os conflitos sozinhos do lado de fora da casa. Eles foram caminhando até um terreno baldio e entre provocações e medo, descobriram um túnel, o qual proporcionou uma conciliação.

Os irmãos puderam perceber a importância do amor, de se ajudar e serem parceiros, além de terem ficado com um segredinho guardado entre eles.

As ilustrações dão a sensação de medo e amor nos quais eles passam.



A capa traz um objeto bem esquisito, o que seria isso?

As crianças são muito literais e estão sempre com os ouvidos bem abertos, ouvem e fazem suas próprias interpretações.

Em certa manhã, um garoto começou a enxergar coisas estranhas em sua casa, alguns objetos estavam diferentes. Seu pai havia saído para buscar a mãe e disse que quando voltasse as coisas iam mudar.

O menino ficou com isso na cabeça, mas não entendeu muito bem. Então, foi para o lado de fora de casa ver se estava tudo normal por lá. Em todo lugar que olhava via coisas "sem pé nem cabeça". Ficou confuso e resolveu voltar para o quarto, ficar lá no escuro até que os pais voltassem e assim que eles chegaram viu o que tinha mudado.




Essa obra começa com um convite a adentrar as portas da imaginação com Willy, um macaquinho que carrega uma mochila cheia de livros e vive muitas aventuras.

São 10 histórias inspiradas em grande clássicos da literatura infantojuvenil: 5 infantis e 5 juvenis. Adultos se preparem para acessar as memórias de aventura! As crianças e jovens rapidamente acessarão seu repertório de histórias. 

A cada página o leitor participa de uma forma diferente: descobrindo um personagem ou colocando-se no lugar dele, continuando uma história, desvendando um mistério, respondendo questões, adivinhando situações e até sendo desafiado.

No final do  livro, Willy nos incentiva a criamos nossas próprias aventuras e encontramos os títulos dos clássicos que esse livro se inspirou.

As ilustrações dão um toque de realidade incrível às aventuras!




Sobre o autor

É um dos mais consagrados autores de livros infantis da atualidade. Nascido em Sheffield, na Inglaterra, cursou a Escola de Arte de Leeds. Por sua contribuição como ilustrador infantil, foi agraciado em 2000 com o prêmio Hans Christian Andersen, o mais alto reconhecimento internacional para criadores de livros infantis. Foi nomeado Children's Laureate entre 2009 e 2011. Suas aquarelas fortemente narrativas misturam realismo quase fotográfico com fantasia, toques surreais e trocadilhos visuais engenhosos. Extremamente habilidoso com cores, texturas e detalhes, transmite sutilmente em suas ilustrações uma empatia requintada para seus personagens solitários e sensíveis (tanto humanos como macacos). Os gorilas são comuns em muitos dos cerca de quarenta livros publicados pelo autor, que se diz fascinado pelo contraste entre força bruta e gentileza que esses animais reúnem.