domingo, 7 de outubro de 2018

SEGNI MOSSI: corpo, diversão, arte e relação

Grupo Yellow Training - Sesc Santos 5 e 6-10-2018

Quando participo de um curso, na maior parte das vezes, penso primeiro no repertório e nas ideias que podem contribuir com a minha prática e dialogar com a minha realidade. Criar coisas novas, ampliar conhecimento. E tudo bem, mas é muito gostoso e significativo quando a aprendizagem passa pelo corpo e nos afeta de maneira integral.

Conheci o projeto Segni Mossi há uns 4 anos por meio de um vídeo, desde então acompanho o trabalho do artista Alessandro Lumare e da coreógrafa Simona Lobefaro. Achei as propostas diferentes do que conhecia, me mobilizaram muito, adoro essa quebra de paradigmas em relação ao ensino das artes, que elas podem e devem se integrar, possibilitando vivências mais abertas, criativas e ricas em expressões singulares.

Em uma das formações que ministro em Campinas, fiz um pega-pega desenho inspirada em uma proposta do projeto. Foi muito legal! Os educadores  da primeira infância adoraram!



Se você ainda não conhece  esse projeto, explore e delicie-se!

  • Site
https://www.segnimossi.net/en/videos.html
  • Facebook oficial
https://www.facebook.com/segnimossi
  • Facebook com experiências inspiradas no projeto
https://www.facebook.com/segnimossiinspired




Ter a oportunidade de participar desse treinamento foi algo muito especial, além de ter contato com Alessandro Lumare e aprender diretamente com ele. O grupo que se formou e as relações que nasceram ali com a alegria e a essência de cada um também foi emocionante. Estávamos em 30 pessoas de várias áreas e com histórias diversas.

O primeiro dia começou conhecendo as referências que inspiram as práticas do projeto. 

Para mim foi quase que imediato observar e identificar a relação do projeto com os artistas apresentados, enquanto Alessandro contava sobre cada um deles. Porém, perguntas rondavam meus pensamentos...Mas porque essas escolhas? Como conduzir? 

Penso que fica um tanto vazio oferecer uma proposta em diálogo com Segni Mossi sem entender como acontece. Quais as orientações, o planejamento e a organização da proposta? 

Acredito que esse seja um ponto central: entender o processo para fluir a proposta com sentido. Sem ser uma cópia ou uma receita ou mesmo fazer apenas porque é legal, moda.

Feita essa apresentação as atividades começaram e passamos horas trabalhando com o corpo, o desenho, a ludicidade, a relação com pessoas que não conhecíamos...Entre diversão, descobertas, sorrisos e muita expressão fomos conhecendo uns aos outros. Brincamos, parecíamos crianças, houve essa busca de reconexão.

Um pouco de frio na barriga na hora que chegava minha vez, se mostrar/ se colocar para o grupo. Faz tempo que não trabalhava o corpo assim e me lembrei da formação no Instituto Brincante em SP, o quanto aquilo que me fazia bem e me tirava da minha zona de conforto, me ensinava mais sobre meu corpo e reativava o mesmo, e novamente entrei em contato comigo mesma.

Em outros momentos também me veio algumas vivências com jogos teatrais na qual tive no Macunaíma, era muito tímida e retomava naquele momento um pouquinho dessa timidez refletida no corpo.

Ao mesmo tempo me sentia livre, meu corpo se sentia bem, esquecia que estava entre outras pessoas e se jogava, outras vezes me preocupava com o contrário.


O tempo passou rápido, me diverti demais, foi muito prazeroso. Mais um dia de treino e havia pensado "Uau! Está sendo tão incrível essa experiência, entender os processos e os porquês, mas senti falta de saber um pouco sobre cada pessoa". E assim foi quando entrei na sala e começamos o segundo dia: uma roda bem grandona, alguns minutos para cada um e uma avalanche de informações valiosas. Pessoas com histórias fascinantes, caminhos tão diferentes e ao mesmo tempo que se cruzavam com outras histórias ali apresentadas. Parece que nos encantamos mais ainda enquanto grupo.


Movimentar o corpo, imaginar novas ações, linhas e desenhos no espaço, fazer escolhas, interagir, se afetar, ser afeto, tocar, olhar, se expressar, alterar comportamentos, resistir, ser continente, são tantas coisas ao mesmo tempo. Vários desafios!

Muita exploração, experimentação e descobertas! Muita observação, cooperação, criatividade e desapego. Sim, desconstrução e resignificação do movimento, da dança, do desenho, das relações, do corpo, das propostas.

Nosso corpo é muito perfeito, nele está a expressão de todas as linguagens! Está as sensações, as emoções, as memórias...nossa essência e o impacto que as relações nos causam. 


No nosso corpo está nossa história!  



Agora pretendo multiplicar os saberes e oferecer oficinas com crianças e adultos. Também pretendo compartilhar no blog meus diálogos com o projeto Segni Mossi.

Quem tiver interesse entra em contato comigo ;)

Marcela

https://www.facebook.com/culturainfantilearte


sábado, 4 de agosto de 2018

Palavra de Marcela Chanan: os bebês e as interações na escola*








Agosto está chegando e a escola volta a trabalhar no ritmo do acolhimento e de um processo de “mini-adaptação”. Geralmente nos meses de julho, os pequenos voltam a passar um tempo prolongado com as famílias e, no final das férias, deixar o colo da mamãe não é tarefa fácil para ninguém! Conversamos com a pedagoga e especialista em Educação de 0 a 3 anos, Marcela Chanan, também autora do blog Cultura Infantil, para fazer uma série de postagens, inspiradas em Winnicott, que retoma as questões que cercam o momento delicado da adaptação, tão constituinte das relações da criança no ambiente escolar. Esta é a primeira parte.




Tempo de Creche – Como você vê a escola na constituição da identidade do bebê?

Marcela – O bebê existe a partir da relação com o outro, a mãe ou quem exercer essa função. Donald Winnicott (1896-1971), pediatra e psicanalista inglês, fez várias contribuições para a psicanálise, dentre elas, a concepção teórica que enfatiza a importância das relações do bebê e da criança pequena com o ambiente.

O adulto cuidador é o ambiente facilitador que forma a constituição do eu na criança, seu desenvolvimento emocional e amadurecimento. Pensando no espaço escolar, é preciso considerar que bebês começam a frequentar a creche ainda muito pequenos e, geralmente, em período integral. Então na escola, o educador é o ambiente facilitador que tem papel central no desenvolvimento infantil.

Tempo de Creche – Na escola os professores podem assumir um papel fundamental na construção da identidade dos bebês?

Marcela – Sim. Como disse anteriormente, na escola, o educador é o ambiente suficientemente bom (leia sobre esse conceito no final da postagem). Ou seja, ele é um adulto sensível, que está atento às necessidades da criança e se dedica aos seus gestos e ações. Mas tudo na medida certa! É comum e esperado que pequenas falhas (não negligências!) aconteçam para que o bebê se desenvolva normalmente, num percurso que parte da dependência e ruma à independência.

Assim como em casa, na escola essas falhas acontecem naturalmente, pois o educador trabalha com um grupo de crianças e se adapta à sua diversidade. A falha saudável é aquela em que, por exemplo, o bebê precisa esperar um pouco para receber o que deseja, mas não deixa de receber. Essa falha faz parte do processo de desenvolvimento emocional.

Tempo de Creche – Como os professores devem construir relações com os grupos de bebês?

Marcela – O bebê precisa de um adulto referência para estabelecer um vínculo de confiança. Um ou dois adultos, que podem ser o professor e o auxiliar, devem desenvolver uma rotina que promova constância e previsibilidade ao bebê e à criança pequena.

Um bom educador-ambiente investe numa relação com o bebê em que se mantém presente por inteiro. Abre mão das suas vontades, pré-conceitos e idealizações, se identifica com as crianças, procurando observá-las, escutá-las, sem imposição e rigidez. É um adulto que tem empatia pelas crianças e desenvolve um vínculo afetivo decisivo para o desenvolvimento saudável dos pequenos.

Tempo de Creche – Pode falar um pouco sobre os cuidados com bebês no ambiente da escola?

Marcela – Crianças pequenas são vulneráveis e deve-se zelar por sua tranquilidade, bem-estar e segurança, esta última num sentindo mais amplo, sem superproteção. As experiências sensoriais dos bebês acontecem no corpo todo e vão formando o seu psiquismo. Tudo é novidade e a consciência corporal está em construção. Nesse sentido, a forma de segurar o bebê é um exemplo muito importante de cuidado.

Para Winnicott, todo o acolhimento, proteção e sustento físico e psíquico se chama Holding (leia sobre esse conceito no final da postagem). A rotina dos cuidados corporais, como a troca de fraldas, banho, alimentação, chama-se Handling (leia sobre esse conceito no final da postagem). Como já dissemos, a criança vai aprendendo e se percebendo a partir do outro e o diálogo, por exemplo, enriquece essa interação.


Tempo de Creche – Pensando especificamente na chegada à escola, quais questões estão implicadas nesse processo? Os ambientes da família e da escola se complementam?

Marcela – A partir das experiências com a mãe, o bebê se sente seguro para outras relações, para poder receber o cuidado de um outro adulto e desenvolver confiança no novo ambiente. Por isso, quando a criança chega à escola pela primeira vez, é importante que o educador pergunte à mãe sobre as especificidades dos cuidados corporais, os hábitos e costumes.

Um ambiente com condição favorável considera o âmbito físico e psicológico. É como se ele fosse um outro cuidador. É um ambiente saudável, que atende e respeita as necessidades do bebê e da criança pequena, onde possam viver e ser acolhidos nas suas alegrias e nos seus momentos de agressividade, raiva. Que possam desfrutar de momentos de cuidados privilegiados, do brincar livre, de ser chamados pelo próprio nome e reconhecidos por suas preferências, sentindo-se únicos.


Tempo de Creche – Pode explicar alguns dos conceitos de Winnicott – mãe (cuidador) suficientemente boa; falhas; holding e handling?

Marcela – Uma mãe suficientemente boa, na visão do psicanalista, não é uma mãe perfeita, mas suficiente, devota aos cuidados do filho. A mãe-ambiente se adapta ativamente às necessidades do bebê, reagindo aos seus gestos e expressões.

A falha da mãe suficientemente boa permite que o bebê constitua o seu “eu” (self), impulsionando o desenvolvimento emocional. Por exemplo, a mãe atrasa uma mamada aos poucos, o bebê chora e acaba por receber seu alimento. De modo inverso, quando o cuidador-ambiente, seja em casa ou na escola, oferece o alimento antes mesmo do bebê comunicar a fome, não dá espaço para o bebê ser ele mesmo e requisitar suas necessidades. Quando os gestos do bebê não são considerados, é como se ele precisasse se defender criando um falso “eu” (falso self), que se submete ao que vem do externo.

A vida de um indivíduo saudável é caracterizada por medos, sentimentos, conflitos, dúvidas, frustrações, tanto quanto por características positivas. O principal é que o homem ou a mulher sintam que estão vivendo sua própria vida, assumindo responsabilidade pela ação ou pela inatividade, e sejam capazes de assumir os aplausos pelo sucesso ou as censuras pelas falas.
(Donald Woods Winnicott. Tudo começa em casa. São Paulo: Martins Fontes, 1999)

O Holding é a sustentação do bebê que satisfaz a sua dependência absoluta. É a forma como se segura e toca o bebê, acalenta e acolhe, levando em conta sua fragilidade e proporcionando apoio e firmeza, a fim de transmitir segurança e confiança. Com a continuidade desse cuidado o bebê vai se formando e amadurecendo.

O Handling é a forma como o bebê é manipulado nos momentos de cuidado corporal, que o faz sentir as diferentes partes do próprio corpo por meio do toque das mãos do cuidador. Esse cuidado propicia, processualmente, a consciência corporal.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

MARCAS DE APRENDIZAGEM: a "sujeira" que ensina.



Durante as formações de professores que ministro e as conversas entre profissionais da educação infantil e séries iniciais do fundamental I, é recorrente a discussão sobre realizar propostas no qual as crianças se sujam. 

O que fazer com a reclamação dos pais ou com a instituição que de alguma forma restringe esse fazer que suja? Como lidar com as incoerências existentes nesses dois casos?

Pode, mas não pode sujar o espaço físico; 
Pode, mas não pode manchar o uniforme; 
Pode, mas não tem apoio; 
Não pode, mas também não quer que a criança perca a vivência... 

As vivências que "sujam" são muito saudáveis, mas deixam alguns professores em uma situação complicada: mais preocupados com a roupa da criança e com o espaço do que com a potência dessas experiências. Chegamos até a lavar a camiseta da criança e secar na escola para não ouvir reclamações. Algumas escolas já têm essa questão bem resolvida, muitas outras não.


É preciso refletir sobre até que ponto o exagero da higienização pode privar as crianças de descobrirem o mundo, senti-lo e experienciá-lo. O desenvolvimento dos sentidos acontece a partir do contato com o mundo. Como a criança vai saber sobre as sensações se ela não puder experimentar várias vezes? Essa forma de descobrir o mundo é como a criança aprende.

Existem muitas queixas por parte das famílias que não compreendem, portanto não toleram que seus filhos voltem para casa com a roupa da escola suja, como se o professor fosse descuidado. 

Vamos refletir um pouco sobre essa "roupa da escola": tem uniforme? Para que serve o uniforme? Não tem uniforme? Então qual é a roupa ideal para ir à escola? 

Uniforme serve para ir à escola, é pratico e ajuda com a questão do desgaste das roupas. Se não tem uniforme, precisa ter uma "roupa de ir para escola" que são roupas que já estão bem mais usadas e se manchar tudo bem. 

Roupa nova, assim como calçado novo não são adequados para ir à escola, pois podem manchar e a criança se mostra triste e preocupada quando isso acontece, a outra opção seria ter uma troca de roupa na mochila. 

Essa regra da roupa também vale para os professores, pois nós também nos sujamos: manchamos roupas e essas acabam sendo separadas para trabalhar. Se o profissional usa uniforme, precisará usar o mesmo, lavado, mas com manchas. E quando decidimos ir trabalhar com uma roupa diferente da "de trabalho", já sabemos que corremos o risco.

As manchas nas mãos, pés e unhas acontecem tanto para as crianças quanto para as professoras. Nós também participamos das propostas, depois organizamos tudo, lavamos e inclusive nos arriscamos a fotografar com as mãos sujas.

Dependendo da idade, as crianças nos ajudam a organizar os ambientes e a separar os materiais. Proporcionamos autonomia para que busquem e carreguem alguns materiais, por exemplo, um pote de tinta, um ingrediente da culinária, um recipiente da alimentação e acontece de cair na roupa ou no chão. Faz parte da aprendizagem, de se responsabilizar pelo que faz, querer ajudar novamente, acreditar em si mesmo, se sentir capaz.

No caso das tintas, existem os camisetões e aventais que servem para evitar que manchem a roupa de baixo, mas não é garantia que não vá sujar, afinal trata-se de uma criança! 

Na verdade não gosto muito de nenhuma dessas opções. Sempre ou são grande demais e as mangas vão parar na tinta ou pequenos demais e não protegem tanto. A tinta passa de um tecido para o outro e as próprias crianças limpam as mãos neles. Os aventais também não auxiliam tanto, sempre acontece uma mancha.

Algumas instituições escolares reclamam das professoras que fazem "sujeira": tinta no chão, na parede, nas mesas. A escola precisa ser limpa! Como se essas marcas revelassem sujeira e não aprendizagem, vida!

Já fui repreendida várias vezes, inclusive já me sujeitei a limpar para poder fazer meu trabalho em paz. Também já presenciei professoras que extrapolaram em tamanha desorganização por falta de experiência ou supervisão e acabaram por estragar mesas, móveis, lousa etc. 

As crianças se sujam em diferentes propostas na escola: arte, culinária, parque e alimentação. Elas estão crescendo, estão aprendendo!

Eu não consigo entender essa "sujeira" como uma questão tão grande para chegar a causar problemas entre a escola e o professor ou o professor e a família. Chegamos até a receber bilhetes de reclamação ameaçando tirar a criança da escola (no caso da particular). E a maior reclamação é lavar a roupa, lavar as meias, uniforme manchado...sem pensar no desenvolvimento dessa criança.

As concepções da escola precisam estar de acordo com a concepções do professores e da família para evitar esse tipo de problema. Pode ser interessante uma sensibilização para acessar as memórias de infância tanto da equipe de professores, quanto dos pais, conhecer um pouco sobre cada um: como era o brincar na infância?
Devemos considerar que também é importante fazer um trabalho de reflexão na reunião de pais: a documentação pedagógica, por exemplo, tem um papel fundamental para mostrar como funciona essa sujeira e porque acontece, em prol do que defendemos e não nos preocupamos com ela. 

Algumas crianças também precisam aprender a ser crianças, algumas já foram condicionadas e não gostam de participar de propostas porque (por influência do adulto) não querem se sujar.

A mania do adulto de limpeza e organização pode acabar refletindo na criança, o medo de levar bronca pode causar sofrimento por ela deixar de fazer algo que gostaria, além de se sentir valorizada apenas quando estiver limpa. A exploração, a descoberta e as sensações tornam apenas "sujeira". Com nosso incentivo, aos poucos elas são conquistadas: começam observando e depois em outras oportunidades experimentam de pouco em pouco, ás vezes demorar o ano todo, é um processo de desconstrução que precisa ser respeitado no ritmo de cada uma. 

As crianças são singulares, é fácil observar desde pequeninas que algumas entram por inteiro na tinta, na lama, nas propostas de culinária ou mesmo como se alimentam e outras menos.

A opção de dar banho ou trocar de roupa serve para propostas muito melequentas planejadas pelo professor com essa finalidade mesmo. Agora pequenas sujeiras no corpo lavamos mãos e rosto, pequenas sujeiras na camiseta, vão para casa assim mesmo, damos preferência para trocar roupa molhada ou úmida.

Depois que a criança passa um período na escola cheia de propostas tão atraentes, o difícil é não ter marcas de aprendizagens em seus próprios corpos: tinta, canetinha, giz de lousa, terra, água, molho de tomate, feijão, achocolatado, iogurte, farinha de trigo, calda de fruta, etc. E mesmo que, ao saírem do parque, orientamos a tirarem a areia do corpo, em alguns momentos nos deparamos com montinhos de areia pela sala e ao conferirmos encontramos areia nos calçados, nos bolsos...pistas de que estão se divertindo muito! Sim, as professoras também levam areia para casa em seus corpos, isso para as que, como eu, mergulham com as crianças na brincadeira (quando convidada).

Penso que as famílias deveriam ser convidadas a entrar mais na escola e participarem da rotina, dos projetos, de decisões importantes. Pensar em um dia específico para oferecer propostas aos adultos parecidas com a que oferecemos às crianças, seria maravilhoso para compreenderem melhor. 

Existem estudos, comprovações científicas de especialistas de diversas áreas que defendem o quanto é importante a criança se sujar, que traz muitos benefícios e a bandeira que levanto aqui é o fortalecimento das aprendizagens. Passar por todas essas propostas no seu ritmo, com liberdade para explorar, desenvolve a criança de forma integral.

Acredito que oferecer um espaço para essa exploração do mundo é papel da escola. A sociedade mudou muito, a estrutura familiar, a utilização dos espaços públicos, o avanço da tecnologia, as agendas lotadas, o contato com a natureza...um cotidiano cada vez mais apressado.

Se sujar faz parte! Promove prazer e felicidade!

Os professores devem sempre orientar todas as crianças em relação a essas marcas para se cuidarem, assim aos poucos elas vão aprendendo a usar mais o guardanapo, os paninhos, as pias, etc. E lembrem-se nós professores, também não escapamos e voltamos para casa com essas marcas. 

Marcas de que trabalhamos com uma infância livre e saudável!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações Brinque-Book

Ilustração: Cocoreto
Tradução: Gilda de Aquino

Esse livro para bebês é uma graça! Contei muitas vezes para meu grupo de crianças de 10 a 18 meses. Eles ficaram encantados! E já sabiam todos os dias depois do almoço, durante mais de um mês, era hora da história.

Eles adoram a brincadeira esconder o rosto e aparecer novamente e o livro traz essa ideia só que com animais. A cada página a pergunta "Quem está aí?" entusiasma os pequenos para abrir a aba e ver o animal, também adoram que eu faça o som de cada um. E quando termino a leitura pedem mais e mais....

Boa interação!


Texto: Tino Freitas
Ilustração: Mariana Massarani

Já ouviu a expressão popular "Tem um parafuso a menos na cabeça?" foi dela que lembrei assim que abri o livro.

As ilustrações são belíssimas, cheias de detalhes e cores. Com certeza arrancará muitos risos das crianças. 

O texto é muito divertido! Apresenta a ideia de falta de juízo. A cada página o menino faz uma confusão durante sua rotina e exemplifica o que seria esse parafuso solto. E sabe onde ele encontrou o juízo? Na imaginação! 

No final há um convite para o leitor.

Cuidado para não perder seu parafuso durante a leitura!



Texto e Ilustração: Nicola O'Byrne
Tradução: Gilda de Aquino

A capa  mostra alguns personagens dos contos clássicos...então qual será o escolhido? 

Com um belo texto contemporâneo, o narrador faz pate da história e conversa com os personagens e com o leitor.

Porquinhos, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e Lobo Mau, todos misturados e disputando quem será a última história antes de dormir. Uma grande confusão que resultou em uma história rasgada. Será que isso vai dar certo?

As crianças vão adorar rever os personagens em um contexto diferente do que já conhecem e perceberão as características de cada narrativa misturadas no texto, além dos balões com as falas de cada um.

O final surpreende e é um convite a reinventar outras histórias.

Boa diversão!

Texto: Tim Hopgood
Ilustração: David Tazzyman
Tradução: Gilda de Aquino


Cada um tem suas verdades, seus pontos de vista, mas tem gente que adora omitir alguns fatos ou não assumir o erro.

Arthur fez algo que a mãe avisou que não era para fazer e deu errado. E agora será que ele vai contar a verdade? 

A cada pessoa que perguntava o que havia acontecido, o menino respondia torcendo, esticando, encobrindo, disfarçando, escondendo e ignorando a verdade, nunca ficava satisfeito com os comentários até a última pessoa gostar de uma explicação que começou assim "eu não tenho nada a ver com isso foi..."

A verdade sempre aparece, não adianta tentar enganá-la e foi assim que Arthur resolveu a situação: dizendo a verdade. E não é que tornaram-se grande amigos!

Um ótimo livro para conversar com as crianças sobre mentiras e omissões.

Boa reflexão!


Texto: Bernd Penners
Ilustração: Henning Löhlein
Tradução: Hedi Gnädinger


Vamos brincar de cuidar dos animais? São cinco bichos machucados precisando de carinho, cuidado e curativo!

Ao abrir o livro você encontrará os curativos, um para cada animal. Preste atenção! Ele gruda e desgruda das páginas várias vezes.

O cachorro, o macaco, a ovelha, o elefante e o urso são amigos super ativos e adoram se reunir para brincar. Só que o cachorro sofreu uma torção na pata, o macaco bateu a cabeça, a ovelha arranhou a barriga, o elefante escorregou e machucou a tromba e no cachorro espetou algo em seu bumbum. Como será que tudo isso aconteceu?

Vamos ajudá-los!?


Ilustração: Yu-Hsuan Huang
Tradução: Gilda de Aquino

Fazenda é um tema que a crianças pequenas amam! 

Desde a capa já é possível interagir com o livro por meio de uma aba que sinaliza que devemos puxar, assim o trator anda e aparecem outros bichos.

A cada página novas abas e convites para interagir com cada bicho: imitar a vaca, encontrar o porco, guardar os carneiros e galopar com o pônei. Ufa! São tantas tarefas para realizar na fazenda.

Pronto para ajudar o fazendeiro?

quarta-feira, 25 de abril de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de abril

Texto: Leo Cunha
Ilustração: André N
Editora: Pulo do Gato


A capa causa estranhamento e curiosidade: o que faz esse menino nessa posição, onde ele está? Na contracapa, água límpida e uma criança.

Essa é uma obra dedicada ao Rio Doce. Fiquei emocionada ao ler, pensei que era a história de um menino, mas não é a história do próprio Rio que levava vida por onde passava, ele conhecia cada cantinho do seu percurso, quando algo aconteceu e ele virou lama, tudo desapareceu, "um dia ele foi um Rio" e  a esperança prevalece, assim como toda a natureza ele também renascerá.

Separa o lencinho e boa leitura!

Ilustração: Taisa Borges
Editora: Zit

Uau! As ilustrações já me encantaram! A capa abre uma aba do lado direito e a águia aparece com a duas asas abertas. Só pela capa já dá para convidar as crianças a pensarem do que será que se trata essa história?

Isso porque é um livro sem texto, dependendo da idade da criança, ela pode ir criando com você a narrativa ou mesmo cada um pode contar a sua versão. Esses livros são muito bacanas, pois expandem a imaginação das crianças, elas podem participar da construção e se divertir muito.

Alguns detalhes e expressões das ilustrações podem dar dicas para pensar o que contar a cada página. Quando as ilustrações ganham um "zoom" a beleza é tanta que tenho certeza que as crianças vão grudar os olhos no livro.

Ao final na contracapa...surpresa! Não esquece de dar uma conferida!

Boa aventura!

Texto: Daniela de Brito
Ilustração: Polly Duarte
Editora: Cortez

Tema muito necessário e texto bem interessante para compartilhar com as crianças. 
Lembrei de uma turma de crianças na qual tínhamos muita diversidade: eram negros, ruivos, loiros, castanhos, olhos puxados, cabelos enrolados, cabelos lisos e toda mistura. Trabalhei muito a singularidade de cada um e fizemos uma autobiografia. Era uma oportunidade única aquela sala com crianças tão diferentes e trabalhar com elas foi demais, elas se sentiam um grupo que acima de tudo se gostavam e se respeitavam como eram. Elas valorizavam essas diferenças.
Esse texto traz uma forma de conversar com as crianças sobre o uso do lápis cor de pele que até hoje existe e precisa ser abordado na escola e em casa, essa questão familiar da árvore genealógica também é bem interessante, irmãos gêmeos diferentes, etc.

Boa reflexão!



Texto: Dipacho
Ilustração: Heloisa Jahn
Editora: do Brasil


A capa é bem animada e a leitura também! Partindo do verde, o livro faz uma brincadeira com as palavras usando apenas a letra V e sempre com alimentos verdes.

Há uma acumulação das palavras a cada página, o que pode virar uma brincadeira ou um desafio para os leitores. Crianças em fase de alfabetização que estão lendo algumas palavras já podem se arriscar.

As ilustrações vão ganhando novos personagens acompanhando o texto e se expressam de acordo com as palavras. Parecem um bando de monstrinhos!

As crianças vão se divertir, se antecipar por conta da repetição e se surpreender com o final.

Boa diversão!

Texto e Ilustração: Lúcia Hiratsuka
Editora: Pequena Zahar


Que graça! Um encanto de livro! A suavidade das ilustrações japonesas são incríveis!

Um livro de poesia inspirado nos haicais japoneses, um convite para entrarmos no quintal e na memoria da autora que revela a natureza como fonte de inspiração para ela e para nós a partir dessa leitura.

As crianças vão notar essas ilustrações tão leves e simples, aproveite para conversar sobre os desenhos japoneses, se já viram em outros livros ou lugares, etc. Tenho certeza que as poesias suscitarão perguntas ou comentários por parte dos pequenos.

Adorável!

Texto: Alexandre Azevedo
Ilustração: Rubem Filho
Editora: Escrita Fina

A obra tem a tonalidade marrom, parece antiga, conta a vida de Machado de Assis na infância.

Rio de Janeiro, um vendedor de sonhos saia pela cidade todos os dias a vender sonhos...esses de padaria mesmo.

Um menino pobre que com 10 anos já tinha muitos conhecidos pela cidade. Menino gago, alguns comentavam, mas ele não se importava, o importante era vender! 

Esse menino cresceu e tornou-se um mestre da literatura, continuou a vender sonhos, mas de outro tipo. No final há mais informações sobre a vida do escritor, você imagina como um dos maiores escritores brasileiros realizou suas conquistas?

Leia e se surpreenda!

sábado, 14 de abril de 2018

Protagonismo infantil: como é isso na prática?


Muito se fala sobre o protagonismo infantil e cada vez mais o discurso das escolas propagam que as crianças são protagonistas, porém podem existir algumas confusões: escolher é diferente de ter vez e voz. Então como seria considerar a criança como protagonista das suas aprendizagens?

Em primeiro lugar precisamos rever a concepção de criança para depois compreendermos como o protagonismo infantil acontece. Essa concepção vê a criança potente, capaz, criativa, rica nas suas iniciativas e no seu próprio processo de aprendizagem.

Então para começar leia esse artigo sobre concepção de criança e infância para complementar essa reflexão:




Quando o educador passa a considerar essa perspectiva da criança protagonista de sua aprendizagem, essa visão modifica as formas de relação com elas e de planejamento das propostas. A criança vê o educador como um parceiro mais experiente, atencioso, que caminha com ela e investe em suas ideias. A relação que se estabelece é de respeito, reconhecimento, vínculo e muita satisfação.

O educador planeja para e com as crianças. Essa maneira de planejar interliga os conteúdos curriculares, as escolhas do educador e o interesse (os questionamentos) das crianças, tornando a aprendizagem significativa para todos os envolvidos: ora o educador é protagonista, ora a criança. Tanto o educador, quanto a criança, assumem uma postura mais investigativa: pesquisam e aprendem juntos. Essa prática colabora muito para formação do educador e coloca-o em movimento na situação de aprendizagem.


O protagonismo infantil norteia as ações do planejamento que o educador elabora a cada semana, para que esse conceito seja de fato contemplado, outras perspectivas devem ser levadas em conta: a escuta, a observação, o registro, o espaço e o ambiente, as diversas linguagens, a investigação, as relações, o ensino aprendizagem como processo subjetivo e grupal, a avaliação e a formação profissional.[1]


O educador que atua nessa perspectiva, precisa estar atento e aberto as crianças: as falas, as maneiras singulares de dizer e as necessidades. É uma escuta sensível. É o alimento para seu planejamento que dessa forma torna-se interessante e significativo; e passa a ser construído por todos os envolvidos, não mais programado e centralizado no educador e sim projetado com as crianças e as famílias. Essa projeção emerge do cotidiano, das experiências que as crianças são convidadas a participar ou descobrem por elas mesmas e também do que compartilham com os educadores. 

Dentro de alguns dias voltarei a essa reflexão devido a próxima publicação sobre a abordagem de Reggio Emilia e as cem linguagens das crianças.


[1] Fonte: Disponível em < http://www.estudosdacrianca.com.br/resources/anais/1/1405620534_ARQUIVO_protagonismoeparticipacao.rtf.pdf >. Acesso em 11 abr. 2015.

terça-feira, 20 de março de 2018

LITERATURA INFANTIL: indicações Ciranda Cultural.


Texto: Elisabeth Bagulev
 Ilustração: Gregoire Mabire

A obra trata de assuntos muito interessantes como imaginação, jogo simbólico, criatividade, reaproveitamento de materiais, brincadeira e amizade.

Dois meninos brincam em um quintal cheio de materiais descartados, até a chegada de uma nova criança para brincar. Os meninos achavam que ela não sabia brincar de nada legal, mas a menina insistiu e construiu coisas incríveis, aos poucos os meninos se encantaram com as construções e ficaram amigos, se divertiam muito. Certo dia, a menina precisou ir embora, como será brincar sem ela?

Boa aventura! 

Texto e Ilustração: Rebecca Elliott

A relação afetuosa entre dois irmãos é o tema dessa história. Cleonice não fala, nem anda e seu irmão nos apresenta o mundo deles de forma muito sensível e emocionante. Ele ama a irmã compara com outras relações entre irmãos e diz que ela é sua melhor amiga, a melhor irmã!

Um livro encantador!


Texto e Ilustração: Mark Oliver

Essa é a história de um cão robô chamado Sucata. Por um problema em sua orelha não pode ter um dono e foi parar em um pátio onde fez amizade com outros cães robôs rejeitados e na busca pela enorme vontade de ter um dono e ser feliz, teve uma grande ideia!

Como será que Sucata resolveu essa situação?

Boa leitura!

Texto: Jô Gallafrio
 Ilustração: Sandra Lavandeira

Onde será que fica o Beleléu? É no lombo de uma mula manca que a aventura começa, uma menina que percorre diversas regiões brasileiras e apresenta cada pedacinho do país com muita diversidade e cultura, de forma descontraída e  cheia de curiosidades. 
Em pouco tempo as crianças notam as rimas, como elas adoram!

Boa viagem!