quarta-feira, 30 de novembro de 2016

EU E A FOTOGRAFIA: a construção de um olhar.

Um relato, um resgate, uma memória sobre meu caminho com a fotografia.




Minha história com a fotografia talvez tenha começado na infância, observando a relação da minha mãe com o fotografar: filhos crescendo e reuniões de família. 


Lembro de brincar com essa Kodak antiga quebrada.
Essas fotos sempre me trouxeram grande prazer e quem tem família grande sabe como é. Mil fotografias! Tenho um irmão mais velho, convivi com mais ou menos 10 primos/primas e 8 tios/tias. Isso só de São Paulo, boa parte da minha família é do Paraná. 

Na adolescência sempre andava com uma máquina na bolsa e um filme novo para registrar momentos espontâneos: a diversão com os amigos e as viagens em turma. 
Um outro modelo da Kodak que me acompanhou. 

Mais tarde, quando iniciei meu primeiro estágio na área da educação como auxiliar de classe, lembro-me de receber elogios pelas minhas fotos e isso me fez pensar sobre. Continuei a fotografar nas escolas onde trabalhei, mas por documentação, por registro do processo de aprendizagem para complementar os relatórios e mostras de trabalho.

Depois um namorado que fotografava me ensinou a usar uma Nikon profissional e cada vez mais minha paixão pela fotografia aumentava e ganhava novos sentidos. 

Já não era um registro do trabalho ou da diversão com os amigos, era um registro mais pessoal do meu olhar sobre cada lugar que visitávamos viajando: Ubatuba, Pindamonhangaba, Campos do Jordão, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Luiz do Paraitinga, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina, Chile e Deserto do Atacama. Além de experimentações/registros caseiros de objetos, momentos, luzes etc.

Também aprendi sobre o olhar dele em relação ao fotografar, o que me influenciou a quebrar aquele mesmo jeito de sempre olhar e enquadrar o que me chamava atenção, inclusive, a me questionar sobre essas escolhas. Assim cresci nas minhas reflexões e cliques, até que no fim de 2012 resolvi comprar minha própria câmera. 


Canon T3i, minha atual.
Um amigo fotógrafo me ajudou a escolher esse modelo, peguei uns conselhos e com a câmera em mãos, li o manual e me joguei!

Os primeiros registros foram viajando sozinha pelo Brasil de mochilão e viagens internacionais de estudo: Minas Gerais, Espirito Santo*, Itália, Londres, Paris, Curitiba, Pará, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte. 

Acredito que o contato com diferentes histórias, culturas, povos, folclores...contribuíram com a construção do meu olhar. De repente estava eu fotografando a arquitetura das cidades, as flores, os animais, os grafites, as pessoas...Ganhei um olhar investigativo. E também comecei a usar o temporizador da câmera para fotografar paisagens que eu queria aparecer e fazer alguns retratos. Meus gatos também foram modelos importantíssimos nesse processo!

Com câmeras de boa qualidade nos celulares, fotografar tornou-se muito mais acessível e faz pouco tempo que uso esse recurso com frequência. Com duas formas de fotografar (câmera e celular) as experiências e reflexões aumentaram: testar, selecionar, apagar, escolher o que registrar...não precisava mais de um motivo para fotografar, o olhar já estava tornando-se poético, singular, autoral.

Ao mesmo tempo meu olhar fotográfico na escola, com o fazer das minhas crianças também cresceu, evoluiu. Tinha um gosto diferente fotografá-las.



Na parte 2 vou escrever sobre o olhar do professor e fotografia na educação. Já, já fica pronto!






*Entre uma cidade e outra fui de trem e fotografei o Rio Doce inteiro antes da tragédia