domingo, 4 de novembro de 2012

RODA DE BIBLIOTECA na Educação Infantil e 1º ano.


As crianças têm acesso a empréstimos de livros na biblioteca semanalmente. A professora seleciona os livros previamente para apresentá-los ou os alunos têm livre opção de escolha.
O grupo é responsável pela organização do espaço utilizado e também no cuidado em colocar sua carteirinha e guardar o livro na caixa de empréstimos. Em algumas escolas anota-se o número do tombo e ainda em outras o empréstimo é informatizado.
Quem não traz o livro para a troca no dia, pode escolher o que gostaria de levar e o livro fica separado na classe.
Desde pequeninas as crianças sao incentivadas a cuidar dos livros: não amassar, não riscar, cuidar do local onde será colocado o livro, não jogar, não pisar em cima, não colocar na boca etc.
Este artigo traz um resumo sobre como podem acontecer as rodas de biblioteca focando na diversidade de encaminhamentos, pela necessidade de abordar vários aspectos do processo leitor. 

Objetivos gerais[i]
  • Ampliar o repertório literário
  • Interagir com livro de maneira prazerosa reconhecendo-o como fonte de múltiplas informações e entretenimento
  • Compartilhar experiências leitoras
  • Confrontar interpretações
  • Estabelecer relações com outros textos
 Objetivos específicos[ii]

  • Ampliar os conhecimentos acerca de um determinado autor, utilizando-os como critério de seleção na escolha dos livros a serem retirados e enriquecendo as possibilidades de antecipações e interpretações;
  • Ampliar os conhecimentos acerca de um determinado gênero, utilizando-os como critério de seleção na escolha dos livros a serem retirados e enriquecendo as possibilidades de antecipações e interpretações;
  • Conhecer diferentes ilustradores e ilustrações, compartilhando o efeito que uma ilustração produz, confrontando interpretações e considerando tais conhecimentos na seleção de livros;
  • Conhecer diferentes coleções, ampliando os conhecimentos acerca das características deste tipo de publicação e utilizando-os como critério de seleção na escolha dos livros a serem retirados.
 Tarefas do professor[iii]

  • Intervir no sentido de possibilitar que os alunos relacionem seus conhecimentos prévios com as informações que a leitura traz, apurando cada vez mais as previsões que realizam acerca de textos;
  • Dar oportunidades para que digam o que sabem e evidenciar as diferenças de interpretação;
  • Tornar observável a diversidade textual, vinculando texto e contexto: o que dizem e como dizem os diferentes gêneros textuais;
  • Atuar como modelo que amplia o repertorio argumentativo dos alunos, expondo seus próprios critérios e gostos como leitor experiente: realizando comentários pessoais sobre o que considera relevante num texto, explicitando seus critérios de escolha, lendo um trecho que aprecia e esclarecendo o motivo da escolha;
  • Garantir e promover a discussão dos “direitos imprescindíveis do leitor”: o direito de pular páginas, de não terminar o livro, de reler, de ler uma frase aqui e outra ali, de ler em voz alta, de calar.
 Intervenções

  • Explicitar para as crianças que cada um deve comentar, á sua maneira, mas não se trata de recontar a história.
  • Mediar os comentários quando necessário, atuar como modelo: “é um livro de medo, engraçado, triste...”, “fala sobre bichos, família, amizade...”, “quem de nossa sala gostaria de levar? Ou para quem você indicaria?...”
  • Pedir  para uma criança ajudar a outra que não está conseguindo falar sobre a história que levou: “quem mais já levou este livro e se lembra de algo interessante para comentar?”
  • Solicitar que tentem comentar um pouco sobre a narrativa sem se apoiar no livro, deixando-o fechado. Isso ajuda a não contar a história textualmente.
     Conteúdos

  • Atitudinais: ouvir e respeitar os comentários dos colegas, usufruir da leitura, desenvolver progressivamente a expressão oral, observar as diferentes maneiras de comentar as mesmas histórias.
  • Procedimentais: cuidar dos livros, responsabilizar-se com a ajuda dos pais, por algo que é de uso coletivo, escolher autonomamente algo para ler em casa.
  • Conceituais: conhecer os livros de diversos gêneros, ilustrações distintas, autores diferentes  etc. Saber o nome de alguns autores, títulos e/ou editoras.
     Algumas possibilidades de roda:
Conversar sobre os critérios para escolha dos livros – cada criança pode falar o seu;
Apreciar ilustrações – diferentes ilustradores, estilos, materiais utilizados, sintonia entre texto e    desenho;
  Apreciar autores – conhecer novos autores, modo de escrever de tal autor;
  Apreciar determinado gênero literário – roda de poesia, de histórias de medo, com bichos,de princesas, com repetições, coleções, contos de fadas, lendas, fábulas, cordel etc.

[i] Fonte: VILA, Centro de estudos da escola da. Momentos de prazer, apreciação e construção de conhecimentos sobre a Língua.
[ii] Fonte: VILA, Centro de estudos da escola da. Momentos de prazer, apreciação e construção de conhecimentos sobre a Língua.
 [iii]Fonte: VILA, Centro de estudos da escola da. Momentos de prazer, apreciação e construção de conhecimentos sobre a Língua.

domingo, 14 de outubro de 2012

QUE TAL ARGILA?


A modelagem com argila faz parte do trabalho na área de artes. Modelar é um procedimento referente a produção tridimensional. O foco do trabalho com as crianças, inicialmente, é a aprendizagem de procedimentos de modelagem, depois momentos de experimentação, tentativas de representar o que se desejam e uso dos procedimentos aprendidos com autonomia, nas suas produções livres. Também se pode trabalhar com figura humana, animais, monstros, objetos diversos etc.

Sentir a umidade, reconhecer que o material gruda um pouco na mão e se acostumar com essa sensação são vivências importantes: achatar, apertar, amaciar, alisar, enrolar, fazer bolas grandes e pequenas. Trabalhar com os dedos separadamente descobrindo as possibilidades de cada um deles no contato com o material. Também aprendem procedimentos para secagem, emendas, pintura e como deixá-la brilhante ou fosca.

A sequência apresentada é um recorte do trabalho realizado na Educação Infantil, utilizando a criatividade pode-se criar muitas propostas interessantes.

Objetivos:
  • Explorar estes movimentos (amassar, alisar, enrolar, fazer bolas grandes e pequenas, dar socos, empurrar, esticar, torcer;
  •  Administrar diferentes quantidades nas mãos;
  • Sentir umidade, observar que ela seca e fica dura, sentir e conversar sobre as características físicas do material;
  •  Aprender o tempo de secagem da argila;
  • O controle das mãos, a grossura das cobrinhas para não quebrar, os diferentes tamanhos, puxar para dar forma, alisar, etc.
ATIVIDADES

Exploração da argila: cada um modela "famílias" de bolinhas e cobrinhas e pensa em um nome para elas. Em outro momento, pintá-las toda de branco para depois serem pintadas com as cores escolhidas.


Amaciar e aprender a modelar uma placa: ensinar as crianças que quando recebem a argila podem brincar e amassá-la como se fosse massinha, assim ficará macia e mais fácil de manejar, depois devem formar uma grande bola e arremessá-la em cima da mesa. A placa já estará pronta! Agora é só colocar os objetos, podem ser botões, canudos, miçangas, contas etc.


Gravura com placa de argila: novamente modelar uma placa cuidando para que não fique excessivamente fina, depois desenhar utilizando palitos de churrasco, de dente e de sorvete. Feito isso deixe-as secar, no outro dia passar tinta preta e carimbar em uma folha A4 de sulfite e assim conseguirão identificar seu desenho carimbado no papel.

Modelagem de frutas: realizar uma apreciação com frutas de verdade, de brinquedo ou imagens na internet e possibilitar que as crianças observem bem as características de cada uma. Nessa atividade espero que utilizem as aprendizagens até aqui conhecidas. 
É importante considerar a facilidade ou dificuldade de se modelar determinada fruta e assim cada um escolher a sua. Durante a modelagem a professora vai observando e pontuando o processo das crianças para que considerem os aspectos básicos de cada fruta. Depois de seca, pintar com tinta branca para que ao aplicar as cores, as mesmas se tornem mais vivas; outra etapa são os detalhes com tinta preta e marron: pintas, sementes etc. E por último passar uma camada de cola branca para que fique mais resistente e com brilho.


Modelagem livre com palitos


Modelagem de vasos: apreciar imagens de diversas formas de vasos, modelar um para que as crianças visualizem como podem começar e o que precisam considerar se querem mais gordinho, mais magrinho, lonho, baixo etc. Ao final decorar com cacos de azulejo, fixar com a argila ainda mole e depois se  algum soltar, colar com cola branca.

Modelagem de bustos: cada criança modela o seu e a professora, como modelo, também. Mostrar e contar aos alunos o que é um busto. 

O primeiro passo é fazer a marca de onde será o pescoço e depois ir modelando a cabeça. Feito isso puxar o nariz com as pontas dos dedos, fazer os olhos com a ajuda de palitos ou bolinhas de argila e riscar a boca com palitos ou deixar para fazer com tinta. A orelha é opcional, os cílios e a sobrancelha são pintadas depois. 
Segundo passo é com a argila já seca. Pintar de branco, secar e depois pintar da cor da pele. Nesse caso eu apenas aproximei as crianças dessa ideia para identificarmos a diversidade de cores de pele na sala de aula, e foi muito curioso, elas mesmas o tempo todo foram nomeando qual é igual a qual, quem é mais claro ou mais escuro... Por fim, escolher a cor da lã e colar nas cabeças.



terça-feira, 2 de outubro de 2012

BRINCAR DO QUÊ? PARA BRINCAR OU APRENDER?


“A brincadeira ajuda a construir a imaginação da criança, junto com vários elementos de outras culturas, por meio de um processo de aprendizado que permita comunicação, tomar decisões, compreensão de regras, expressão linguística e socialização.”

Na escola as crianças têm diversas oportunidades de brincar:

Na chegada...
Com os brinquedos de casa...
Na brinquedoteca...
No recreio...
No pátio...
Na quadra...
Livremente...

...enfim, brincam de diversas maneiras! Na educação infantil o tempo para o brincar tem eixo central.

O jogo simbólico está intensamente presente no cotidiano. A diversão fica cheia de imaginação, criatividade, mistérios, descobertas e encantamento. 

Nessas brincadeiras a representação do mundo adulto e de personagens animados ganha um destaque especial. As crianças recriam essas experiências brincando de casinha, cinema, teatro, dentista, médico, veterinário, mercado, escolinha etc. E passam a atuar como se realmente fossem determinadas pessoas: se subordinam as regras, imitam, mudam a voz e o corpo.

Já as brincadeiras tradicionais acontecem nos espaços abertos e/ou recreio: brincadeiras com bola, com as mãos, com os pés, de roda; pega-pega, esconde-esconde, corda, amarelinha, elástico etc. Com o passar do tempo essa rica cultura infantil tem se perdido: os pequenos têm acesso direto a tecnologia (vídeo games, ipads, ipod etc), as famílias se deparam com o consumismo infantil e o espaço de natureza na escola cada vez mais desaparece. Mesmo  asssim alguns alunos procuram as plantas que existem no espaço para criarem mandalas e composições com elementos da natureza e outros quando oferecemos sucata nas aulas de artes, criam seus próprios brinquedos sem que tenhamos falado como fazer ou o que poderiam fazer, essa necessidade dos pequenos vem à tona espontaneamente.

Agora assista estes vídeos: http://aiue.com.br/video/40889334 e http://youtu.be/NtX-lOAdvRM, depois entre neste site http://pelodireitodesercrianca.com.br/Biblioteca e com a barra de rolagem desça a tela até o fim e no subtítulo "Pesquisas" clique em Criança e Natureza, abra o arquivo e leia.








As crianças precisam brincar na escola por simplesmente brincar, elas necessitam movimentar o corpo: pular, fazer gestos, correr etc. É importante cuidar para que as propostas não sejam apenas direcionadas, com os objetivos do que aprenderão. Brincar é extremamente importante na infância não porque há objetivos pedagógicos, mas por se tratar de crianças pequenas, é uma necessidade física, psíquica e relacional.

Pense no parquinho da escola antigamente como era desafiador: gangorra, trepa-trepa, escorregador, gira-gira, balanços diversos, tanques de areia, natureza etc. Pense um pouco na sua infância, do que você brincava? Como eram esses momentos de brincadeira? Quem brincava com você?

Retome sua infância, com certeza trará boas lembranças e muitas brincadeiras de rua e terra. Machucados, interação com diferentes idades, às vezes apenas observávamos porque o irmão mais velho não deixa brincar, existiam brincadeiras de menino e de menina etc. E o repertório? Passávamos horas envolvidos, a melhor parte do dia era chegar da escola e sair na rua ou na terra para brincar: subir em árvores, entrar em contato com animais, inventar e construir brinquedos etc.

No Brasil, a mesma brincadeira em cada região pode ter um nome diferente ou uma variação de regra e em outros países segue a mesma observação. Como diz minha professora Lucilene Silva “O brincar é universal, o mundo todo brinca da mesma coisa”.


Nos momentos de brincadeira o papel do professor é realizar intervenções que ajudem as crianças a pensar como se brinca, do que se pode brincar e como se pode resolver os conflitos que aparecem. Além de garantir os materiais e os espaços que podem utilizar e apresentar novas brincadeiras.

Outro viés dessa reflexão partiu de um seminário internacional que participei onde a argentina Ana Malajovich fala sobre o brincar: 


“As crianças, ao se encontrarem com outras crianças e com os docentes, terão a oportunidade de ampliar suas capacidades de se comunicar, de brincar com os outros, de desenvolver a confiança em si mesmas e nos demais, de respeitar e valorizar as pessoas reconhecendo-se em suas semelhanças e diferenças, de ampliar sua curiosidade, suas possibilidades de exploração do ambiente, de fazer perguntas e encontrar respostas acerca de sua realidade, de estabelecer novas relações, de descobrir que pode se expressar usando não só movimentos, mas também palavras, imagens plásticas ou produções sonoras. Essas aprendizagens, para a maioria das crianças, hoje, só podem ser adquiridas na Educação Infantil.”[2]


A brincadeira e o jogo têm sido muito utilizados como meio educativo, como se os conteúdos devessem ser ensinados e organizados dessa forma na educação infantil: de uma forma lúdica e que as crianças se divirtam ao mesmo tempo. Sendo que não é possível garantir que todo conteúdo seja ensinado dessa forma.

A palavra jogo pode ser interpretada como brincadeira livre, brincadeira espontânea ou jogo dirigido, uma estratégia de ensino (bingo, por exemplo). Nestes três âmbitos o jogo dirigido é sempre mais valorizado do que a brincadeira livre, a espontânea então é vista como bagunça fora de hora.

É esperado claro que haja na escola o tempo dedicado ao ensino e aprendizagem de determinados conteúdos, mas eles não precisam ser trabalhados sempre através do jogo e/ou do brincar.

Segundo MALAJOVICH
[3] a brincadeira deve ser considerada com seriedade pelos profissionais da educação:

“(...) a brincadeira como atividade específica, que supõe compromisso, intenção dos que participam, risco, aventura, possibilidade de exploração e de fracasso, sem graves consequências, deve encontrar na dinâmica cotidiana tempos e espaços próprios de desenvolvimento, e um docente observador dessa brincadeira, que determine como e quando intervir para enriquecer as possibilidades lúdicas dos pequenos. Entretanto, defender a presença da brincadeira não deve supor que basta fazer com que eles brinquem.”

A brincadeira é ensinada de geração para geração, é um conhecimento construído socialmente, são produtos culturais que se adquirem com a interação com outros parceiros mais experientes.

O professor deve assegurar que seus alunos desfrutem da brincadeira na infância, lutem por isso nas suas escolas e apliquem cotidianamente, traga novos saberes que agreguem aos pequenos, que não fiquem apenas no repertório deles e sim enriqueça esses momentos.


Dicas:

www.territoriodobrincar.com.br

www.mapadobrincar.com.br

http://www.escolaoficinaludica.com.br/brincadeiras/index.htm

http://www.caleido.com.br/publicaccedilotildees.html

http://arteivancruz.blogspot.com.br/

http://pt.scribd.com/doc/7284403/Brincadeiras-Rua

http://pelodireitodesercrianca.com.br/Biblioteca


Cd Pandalelê

Cd Abre a Roda Tin dô lê lê

Cd Bela Alice

Livro com Cd Brinquedos Cantados Ed Callis

Livro Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil

Livro Brincadeiras para crianças de todo o mundo

Livro A arte de brincar Ed Vozes
[1] Fonte: Brincadeiras para crianças de todo o mundo (pág. 9)[2] Texto: Jogar ou aprender: as duas caras da mesma moeda?[3]Texto: Jogar ou aprender: as duas caras da mesma moeda?

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

POESIA PARA OS PEQUENOS...



“Poesia é a descoberta das coisas que eu nunca vi”. 
Oswald de Andrade 


Você já se perguntou: "Qual a diferença entre poema e poesia?". 
Basicamente a poesia emociona, sensibiliza e toca por meio da linguagem. Já o poema é a forma do texto composto por verso e estrofe. Mas considere, nem todo poema é poesia! 

Que tal incluir a leitura de um texto poético na roda de história? 

As crianças poderão se aproximar de um novo texto literário, ampliar seu repertório e complementar sua formação leitora. E nas salas de alfabetização, os poemas também contribuem na observação de aspectos da linguagem escrita. 

De forma lúdica este gênero encanta e diverte: brinca com as palavras, oferece rimas, temas interessantes e adequados às idades. É importante que o professor seja criterioso na escolha dos livros; uma dica é começar pelos autores Lalau e Laurabeatriz: os textos fazem sucesso com os pequeninos! 

A partir do contato com a poesia as crianças brincam com as palavras, as sonoridades, os ritmos e aos poucos podem perceber as diferenças entre cantar, recitar e falar. 

Até os alunos que falam pouco podem se arriscar a conversar sobre o assunto da poesia que se interessaram, muitas vezes pedem para que leiamos novamente as preferidas. 

Pode-se aos poucos apresentar novos poemas e poesias, começando pelas mais fáceis de memorizar. Também é importante manter uma biblioteca da sala de aula com os livros apresentados, para que sejam manuseados. E não se esqueça de apresentar o título, autor e editora! Outras fontes revelam novas formas poéticas: livro com cd de áudio ("Ou isto ou aquilo" de Cecília Meireles) e músicas em que a letra é de um poema, por exemplo "As Borboletas" de Vinicius de Moraes interpretada por Adriana Partimpim. 

Este trabalho tem como objetivo desenvolver a oralidade, ampliar o universo cultural - já trabalhei até com Haicai - e o interesse pela leitura. Também garante um contato inicial com o gênero, que ajudará a criança futuramente na vida escolar. 

Pode-se apenas incluir essas leituras na roda de história ou elaborar projetos: recital, livros confeccionados pelos alunos etc. 

Na minha primeira postagem “Literatura Oral na roda de história do 1º ano”; comento sobre a importância da roda de história na formação do leitor contribuindo para as escolhas do professor; caso não tenha acessado, é interessante que se leia. 



terça-feira, 21 de agosto de 2012

OFICINA DE PERCURSO CRIADOR: vivenciar, alimentar e cultivar.


“Sabemos que uma criança absorvida num desenho ou em outra atividade criativa qualquer é uma criança feliz. Sabemos, pela simples experiência diária, que auto-expressão é auto-desenvolvimento. Por essa razão é nosso dever reivindicar uma grande parcela do tempo da criança para atividades artísticas (...)”( Read, 1986)










Como funciona essa oficina?1


A oficina de percurso acontece a cada 15 dias. É um momento reservado para a criação autônoma e pode durar 40 minutos a uma hora.

O espaço utilizado pode ser a sala de aula ou o ateliê – o que não impede de ser planejada em outro espaço, organizada de modo que a proposta seja realizada com espontaneidade. As crianças precisam saber onde estão todos os materiais (que podem ficar dispostos em cadeiras ao redor das mesas encostadas nas paredes, em outras mesas ou mesmo no chão) podem trabalhar em pé ao redor das mesas ou no chão para facilitar a circulação: a troca de materiais, a observação das produções dos colegas e a troca de experiências. Enquanto produzem algumas crianças silenciam, outras conversam e até cantam se houver música.

Um dos focos do trabalho é a autonomia: a escolha do que irá fazer e dos materiais. Assim, cada criança desenvolve seu percurso criador pessoal.

Conforme o tempo da oficina, é possível fazer mais de uma produção, é preciso considerar um determinado espaço para secar os trabalhos. Um segundo foco dessa proposta está em explorar e aprofundar as possibilidades dos diversos materiais, para isso o combinado é que mesclem no mínimo duas das linguagens oferecidas.

Para que construam um percurso próprio, as crianças trabalham somente com materiais e procedimentos que já manejam com autonomia: giz, lápis de cor, caneta hidrocor e de retroprojetor, guache, anilina, diferentes suportes (papéis), pincéis, cola, fita crepe, barbante, pequenos objetos tridimensionais para colagem e outros. Além das linguagens da arte, também considero os materiais não estruturados. 

A oficina é um momento propício a criação: descoberta de possibilidades, de associações, combinações, reorganizações e reinvenções. Portanto, devem dominar bem as linguagens e os materiais para que possam transgredir e reapresentá-los com sua marca individual.

As aprendizagens são exclusivas dessa forma de produzir, de pesquisar.

Durante todas as propostas de artes enfatizo que é preciso respeitar o jeito de cada um se expressar, assim como é preciso acatar os procedimentos diários como cuidar dos materiais que usam e ajudar a organizar o espaço, lavar os pincéis, não sujar o uniforme (mesmo com a camiseta de artes), colocar sua produção para secar e cuidar das demais.

Ao planejar considerar...

- A organização do espaço 
- Frequência das oficinas (quinzenal ou semanal)
- Tempo de duração 
- Organização do espaço 
- Apreciação dos trabalhos (fazer uma roda)
- Escolher modalidades que as crianças dominam
- Escolha dos materiais

Sugestões em relação aos materiais:

Meios: carvão, lápis grafite, lápis de cor, lápis aquarelável, giz de cera, giz pastel seco e oleoso, giz para tecido, caneta para tecido, hidrocor grossa e fina, anilina, guache, tinta acrílica, guache com farinha, anilina com cola, giz de lousa seco e molhado, cola e areia, areia colorida, serragem colorida, caneta retroprojetor, caneta futura, tintas caseiras, corantes naturais, aquarela, terra, nanquim, sagu, carga de hidrocor, caneta esferográfica colorida, lã, cola relevo etc.
Suportes: sulfite, cartolina, color set, papel cartão, papel de presente, papel espelho, camurça, papel de seda, craft, jornal, revistas, partituras e folhas de livros velhas, talagarça, plástico bolha, acetato, plástico com 4 furos para pasta, crepon, papelão, caixas, tecido estampado, tecido cru, cartolina espelhada, papel vegetal, celofane, lumi paper, bloco criativo, canson, lixa, E.V.A, etiquetas, bandeja de isopor, saco de pão, feltro, forminha de papel para doces, papel reciclado, papel ondulado etc. Também é importante oferecer diversas formas e tamanhos.
Ferramentas: pincel chato, trincha, pincel comum redondo, brocha, vassourinhas, rodo, escovas de todos os tipos, rolinho pequeno, esponjas, buchas, pincel para nanquim, pena, cotonete, retroprojetor, tesoura, palitos, esteca, palitos etc.
Elementos de ligação: cola em bastão, cola líquida, fita crepe grossa e fina, durex, cola quente, fios, barbante, fita de cetim, fitas de presente, canudo etc.
Podem-se incluir elementos da natureza: pedras, folhas, corantes naturais, sementes, galhos etc.


Outras considerações importantes...


O contato regular com a diversidade de materiais favorece o conhecimento mais profundo de cada um deles e permite a criança concentrar-se em sua ação e não apenas com o que fazer.

No processo de aprendizagem em Artes Visuais, a criança traça um percurso de criação e construção individual, que envolve escolhas, experiências pessoais, aprendizagens, relação com a natureza, motivação interna e/ou externa.

O percurso individual pode ser, significativamente, enriquecido pela ação educativa intencional, porém, a criação artística é um ato exclusivo da criança.2

Cada uma cria seu caminho para construir conhecimentos em arte. As mediações do educador, incentivam as crianças e mantêm a criatividade: 


  • se errar, o desafio é transformar o erro em outra coisa, já que procuro não oferecer a borracha.
  • ao me mostrarem suas produções, comento sobre as cores, as linhas, o espaço, as marcas, os detalhes e peço para que me contem o que desenharam, algumas vezes me respondem “nada!” e digo “Ah, então você estava testando os movimentos, as cores e a caneta? e respondem "Não quis desenhar, só experimentar!” e se mostram satisfeitos por eu ter apreciado o resultado do trabalho, mesmo que não contenha uma representação da realidade. Reprimir a criança, dizendo-lhe que ela não desenhou nada ou que são rabiscos, pode bloquear ou romper o desenvolvimento de sua criatividade. Dizer apenas que está lindo não diz nada, repito que o conceito de bonito e feio é diferente para cada ser humano. 
  • e nada de perfeccionismo, as crianças bagunçam e sujam o espaço, é assim o processo, a não ser que queira que elas te agradem o tempo todo e produzam sem sentido.


O professor, não precisa se omitir durante a oficina de percurso com receio de bloquear a produção. Deve dialogar com as crianças, perguntar suas intenções, como pensou nesse ou naquele trabalho, colocar novos desafios, mostrar aspectos recorrentes em diferentes trabalhos tornando a marca pessoal observável e cada vez mais consciente.

É importante que o professor se planeje para acompanhar todos da turma mais de perto, observando como cada um trabalha, qual é seu estilo, a modalidade que mais procura trabalhar, em que precisa de maior apoio... Por isso é importante saber a hora de intervir para não queimar ou excluir etapas.3

A proposta não determina o percurso criador, ao contrário, alimenta-o e colocam novas questões e desafios para que ele se transforme. Uma boa proposta é aquela que revela mais a individualidade e as características de cada criança, suas diferenças e peculiaridades.

Na criação, as crianças demonstram muita ludicidade: brincam, jogam, inventam, narram, conversam, trocam etc.

Na oficina a proposta é livre, o objetivo é que as crianças tenham um momento de criação a partir de seu próprio repertório e da utilização dos elementos da linguagem que trabalhamos em sala.

Para oficinas com crianças de 2 e 3 anos coloque as modalidades progressivamente, mas no mínimo comece com 2, até que eles manipulem os materiais com autonomia. O importante é que eles estejam participando e se familiarizando com esta nova proposta de arte.

Cuidado com o tipo de música escolhida, pois pode agitar muito as crianças. O gostoso é que se mantenham no embalo da canção e o grupo trabalhe.

Pensar e conversar sobre como cada produtor de arte tem suas ideias, qual o ponto de partida para se fazer um trabalho, se é pelo tema ou o assunto, partindo do que quer fazer ou é escolhendo e mexendo no material que surgem as ideias é revelador do fato de que não existe um único caminho nos processos de criação. Assim, as crianças podem identificar e comparar seu jeito pessoal de produzir com o de outros e também se inspirar ou experimentar um ou outro ponto de partida, ajudando aquelas crianças que na oficina de percurso têm dificuldade de começar um trabalho alegando: ‘Não tenho ideia!’.4

Apreciação


Neste momento o professor elege alguns trabalhos de acordo com o objetivo pré-estabelecido e pensa boas perguntas para o grupo.

Sugestões 5:


• conversar sobre as possibilidades de combinação de modalidades e mistura de materiais, ou seja, o caráter experimental da atividade;
• debater sobre o tempo de realização de cada trabalho, enquanto em uma oficina alguns alunos realizam mais de um trabalho, outros podem levar algumas aulas para finalização, o que precisa ser reconhecido entre os alunos como marca pessoal;
• conversar coletiva sobre o processo de cada um, como tiveram a ideia do trabalho, mudanças no percurso;
• selecionar um trabalho de cada modalidade, de alguns alunos, para debater sobre as suas características, os materiais utilizados, outras possibilidades;
• selecionar alguns trabalhos na mesma modalidade, de diferentes alunos, para observar semelhanças e diferenças, e trocar possibilidades dentro da mesma modalidade;
• selecionar vários trabalhos do mesmo aluno para observar marcas pessoais.


A apreciação ajuda o aluno a falar sobre o que fez, sobre como pensou em usar os materiais, explicar suas escolhas etc.

Avaliação

Pode ser realizada mensalmente. O professor observa a cada aula e conhece melhor sobre o percurso de cada um, assim pode fazer intervenções significativas para cada aluno, por exemplo, sugerir novos materiais se percebe que usa sempre os mesmos etc.


Bibliografia


Disponível no site revistaescola.abril.com/arte/fundamentos/oficina-de-percurso-426096.shtml acesso em 19/8/2012.

VILA, Centro de Estudos da Escola da. Para saber mais: Oficina de Percurso, 2005. 
MEC, SEF. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Volume 3, Brasília: 1999.

Para saber mais sobre criatividade...


• Arte e conhecimento: ver, imaginar, criar – Jacob Bronowski
• Arte e ciência da criatividade – George Knerller

• Desenvolvimento da capacidade criadora – Viktor Lowenfeld
• Imaginação e arte na infância – Vygotsky
• Psicologia da criatividade – Maria helena Novaes
• Criatividade e processos de criação – Fayga Ostrower
• A educação criadora nas artes – Robert Saunders
• A redenção do robô: meu encontro com a educação através da arte – Herbert Read


[1] A oficina de percurso que apresento neste artigo se refere ao modo como eu trabalho. Cada professora organiza como desejar.

[2] Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil.

[3] e [4] VILA, Centro de Estudos da Escola da. Para saber mais: Oficina de Percurso, 2005.

[5] Disponível no site revistaescola.abril.com/arte/fundamentos/oficina-de-percurso-426096.shtml acesso em 19/8/2012.



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ACOLHIMENTO, CANTOS, CANTINHOS: um novo olhar para organização da sala de aula



          Na medida em que ampliamos os conhecimentos sobre a rotina da classe e sobre a faixa etária, o olhar vai se apurando em relação as demandas e interesses das crianças, o que permite novas construções acerca da organização do espaço e dos cantos como importante momento do dia.

Como foi um assunto que me instigou a pesquisar mais sobre, procurei referências que pudessem me ajudar e encontrei:

·Sabores, cores, sons, aromas – A organização dos espaços na Educação Infantil da autora Maria da Graça Souza Horn
·Educação Infantil: fundamentos e métodos - capítulo XIV “Os ambientes de aprendizagem como recursos pedagógicos” - da autora Zilma Ramos de Oliveira
· Aprender e Ensinar na Educação Infantil das autoras Isabel Solé, Teresa Huguet e Eulália Bassedas.

Planejar, observar e intervir...

Diariamente, as crianças colaboram com a organização dos cantos no momento de guardar e se tornam responsáveis por essa tarefa, existindo um comprometimento.

Os cantos compõem um ritual importante de chegada à escola: trata-se de uma chegada gradativa ao ambiente escolar. As crianças podem escolher as propostas disponíveis, se aproximar dos amigos e dos não tão amigos, conversar e se divertir. Em seguida, a roda centra atenção de todos e segue uma atividade que exige ainda maior concentração e empenho. 

As crianças aguardam os cantos com ansiedade. Enquanto brincam, conversam, interagem com os amigos, contam novidades, desenham, jogam...

A partir da observação do professor, é possível perceber as preferências de cada um, a forma de se relacionar e de resolver conflitos. É possível verificar a frequência e a qualidade das intervenções, com quais crianças foram necessárias, como se dá a troca de brinquedos/jogos tanto como objeto quanto de significação,  e a circulação no espaço.

É muito importante considerar que o ato de brincar/jogar é algo muito sério para as crianças, ela dá o seu melhor participando, aprendendo, explorando e conhecendo o mundo.

HORN cita que segundo Vygotsky (1984) o ato de brincar proporciona um suporte básico para as mudanças das necessidades e da consciência. Tudo surge ao brincar, o que se constitui assim no mais alto nível de desenvolvimento pré-escolar, a atividade de brincar é considerada condutora que determina o desenvolvimento da criança. A autora ainda complementa que para Vygotsky, o papel do adulto é o parceiro mais experiente que promove, organiza e prevê situações de interação que promovem o desenvolvimento, sendo o espaço que se constitui um cenário onde tudo acontece, mais nunca é neutro. Ainda sim o papel do professor é intervir na zona de desenvolvimento proximal das crianças, provocando avanços que não aconteceriam espontaneamente.

Os cantos precisam saciar essa vontade de brincar, de falar, a ansiedade de começar o dia na escola, assim facilita os momentos como roda e atividades, porque as crianças já não estão muito eufóricas.

A organização dos cantos requer uma atenção especial. A elaboração desse momento deve ser bem pensada, porque não adianta somente organizar é preciso que o espaço permita a movimentação, a autonomia das crianças e a descentralização do adulto, o professor pode circular pela sala atendendo pequenos grupos. Além disso as propostas também são desafiadoras para quem as planeja, considerando esses critérios citados acima. 

      É preciso que tenham propostas interessantes e instigantes e que ao mesmo tempo, permitam atuações autônomas. É preciso variar, mas também considerar preferências. É preciso assegurar uma diversidade. Planejar as atividades dos cantos é uma tarefa bem mais complexa do que parece inicialmente!

HORN cita que na teoria de Piaget, ser autônomo é governar a si mesmo, tanto na esfera moral como intelectual, ser autônomo no âmbito moral significa decidir por si próprio entre o certo e o errado. Nesse entendimento, quando ameaçamos crianças com punições ou a manipulamos com subornos, reforçamos sua heteronomia, ou seja, se submeter. No âmbito intelectual, a autonomia é construída no momento em que encorajamos as crianças a pensarem de seu próprio modo, em vez de obrigá-las a darem respostas certas (KAMII, 1991).

O professor deve considerar que a forma como é organizado os cantos e a sala de aula, possibilite ou não interações, o meio social desempenha um papel fundamental na construção do conhecimento (Vygotsky), tendo a formatação da sala uma extrema importância pelo peso que esse tipo de proposta precisa ter no planejamento do professor e na rotina da educação Infantil. Imagine que há muitas escolas que apenas consideram esse momento favorável para a recepção das crianças e atendimento aos pais. Tendem a colocar qualquer brinquedo ou jogo apenas para que as crianças se entretenham enquanto as professoras cuidam da chegada.

É muito importante sabermos olhar o ambiente, pois pode acontecer de perdemos coisas ou interpretarmos de maneira errada. Dependendo de como se organiza esse espaço podem aparecer comportamentos ditos inadequados e que não esperamos das crianças. Quando alteramos a configuração as crianças dizem o que percebem podendo até mudar encaminhamentos e falas, influenciando o modo de agir.

Esse espaço deve possibilitar que as crianças interajam com um número menor de amigos, melhorando a coordenação de suas ações e a criação de novos enredos nas brincadeiras, o que aumenta a troca e o aperfeiçoamento da linguagem. Esse espaço permite o estabelecimento de outros vínculos e até de vínculos por afinidades - preferências por um tipo de proposta podem aproximar as crianças.

HORN diz também que deve haver também conexão entre desenvolvimento e a aprendizagem, entre deferentes linguagens simbólicas, entre o pensamento e a ação, entre a autonomia individual e interpessoal. O professor é responsável por organizar este ambiente e intervir quando necessário para que a aprendizagem e as relações sejam produtivas. Essa organização da sala de aula é essencial para o desenvolvimento das crianças, o ambiente torna-se um instrumento, um parceiro do professor na prática educativa, não apenas sendo desafiador, é necessário que eles interajam nesse espaço vivenciando-o intencionalmente e se descentralizando da figura do adulto, onde o controle passa a ser do ambiente.

Sendo preciso que ao planejar esse espaço se leve em conta a faixa etária para adequar o espaço e contribuir para o seu desenvolvimento. O espaço deve ser um aliado, planejado e estabelecido para facilitar encontros, trocas e interações, garantindo o bem-estar de cada criança e do grupo como um todo. A organização espacial merece tanta atenção quanto a seleção de atividades. Não basta colocar as propostas sobre a mesa, sem considerar a disposição que terão ou a possibilidade de uso de outros recursos materiais. O próprio chão pode ser um espaço bastante rico.

O professor pode propor para as crianças que planejem a organização dos cantos, compartilhando as regras de funcionamento e criando vínculos de confiança, as crianças poderão expressar suas ideias e opiniões. Os cantos também podem ser alterados de acordo com o projeto desenvolvido ou interesse das crianças. E dependendo da faixa etária, a organização pelas crianças é possível, sobretudo pela experiência vivida nas séries anteriores. 

        O canto temático também é outra forma interessante de se planejar: pode ser de artes, de jogos matemáticos, de projeto, de jogo simbólico etc. O professor pode usar desse planejamento para garantir algumas aprendizagens fora dos momentos específicos para serem trabalhados. Pode também planejá-lo junto com outra sala, assim as crianças podem transitar pelos dois espaços, ampliando suas possibilidades de interação tanto com crianças que não brinca tanto da mesma série, quanto para brincar com crianças de faixa etária diferente. O importante é que as salas sejam próximas e pode ser feito algum “caminho” no chão para demonstrar o acesso entre as salas.

HORN concorda que segundo MALAGUZZI (1999) considera que o modo como nos relacionamos com as crianças é fundamental, pois isso influencia nossas motivações e nossas aprendizagens, sendo que o ambiente deve ser preparado de forma a interligar o cognitivo ao relacionamento e a afetividade.

Como as crianças estão num mesmo ambiente, deve-se sempre planejar o que estimule a interação para que ela assuma diferentes papéis, aprendendo a se conhecer melhor, tornando-se um ambiente acolhedor convidativo, podendo utilizar os cantos de uma forma integrada. O professor tem que saber que tipo de desafio cada canto propõe a criança. E também por que razão considera importante aquele tipo de proposta naquele momento do ano e para aquele grupo de alunos.

Toda essa organização facilita também que o professor observe as ações das crianças sem ser o centro da prática pedagógica, mas isso não quer dizer que ele não continue atuando, depende da relação que se da entre controle e emancipação.

Segundo HORN a metodologia Montessoriana, dá um destaque especial para o equipamento, os materiais e o mobiliário, tudo é adequado ao tamanho das crianças, existindo harmonia, colorido, valoriza a arte e a estética, fazendo com que o ambiente seja convidativo e as crianças não necessitem do adulto para tudo, podendo ser mais autônomas. Porém, o foco deles está na relação com os materiais, enquanto recursos para a aprendizagem. Talvez a interação entre crianças tenha menos espaço nessa linha.

Vejo a importância desses planejamentos dos cantos, é necessário que exista algo educativo, de socialização e de aprendizagem, suprindo as necessidades das crianças.

É muito mais enriquecedor oferecer qualidade de materiais do que quantidade ou semelhanças, cada objeto posto no espaço deve conter por si próprio um potencial de aprendizagem único e diferente dos outros. Os materiais que permitem múltiplos usos oportunizam uma interação mais prolongada.

É relevante considerar que esse planejamento deve ser flexível a alguns pedidos dos pequenos, por exemplo, se um aluno pede para desenhar sentada ou deitada no chão e a opção se mostra possível porque não?! Neste caso as crianças são vistas não apenas como quem usufrui do espaço, mas como quem pode também contribuir para sua organização em uma atividade.

A autora ainda diz que MALLAGUZZI (1999) afirma que os relacionamentos e a aprendizagem coincidem em processo ativo de educação por meio de expectativas e habilidades das crianças, da competência profissional dos adultos e do próprio processo educacional.

Uma concepção pedagógica revela-se ao ver como a professora planeja suas aulas, no seu cotidiano, na organização da sala de aula, na forma como lida com as crianças e nas escolhas teóricas que faz.