sexta-feira, 3 de abril de 2015

PERÍODO INTEGRAL E EDUCAÇÃO INTEGRAL: uma breve, ativa e inacabada reflexão...

Compartilho com vocês um assunto, polêmico, no qual tenho experiência e trabalho atualmente. Pesquiso e estudo sobre educação integral, lançando-me aos poucos nesse emaranhado de descobertas, parcerias, batalhas etc.

Cresce cada vez mais, o número de instituições educativas que oferecem a opção de passar mais tempo na escola. E as escolas que não oferecem essa possibilidade, se têm espaço, estão interessadas.

A ampliação do tempo na escola, é uma demanda social e educacional. Muitas famílias trabalham o dia todo,  e é sabido que 4h30 não é um tempo de qualidade para desenvolver as crianças integralmente.

É preciso considerar que para o desenvolvimento saudável de uma criança, o tempo de qualidade que ela tem em casa com seus familiares é de extrema importância, também não adianta deixa-la somente na escola, pois ficarão lacunas que só o amor e a presença dos pais, são capazes de suprir.

Algumas escolas particulares e públicas desenvolvem o tempo integral com qualidade, mas o buraco é fundo...se a educação no geral não vai bem em meio período, quem dirá o dia todo. É preciso um grande investimento, uma reforma na educação pública e o mesmo para as escolas particulares, que continuam com uma pedagogia arcaica e tradicional, centrada no adulto e  no assistencialismo. A discussão vai longe...

A educação integral que atualmente é discutida, traz um novo conceito que quebra a ideia de ser um período onde as crianças são ocupadas com um monte de aulas extras, sem tempo para elas mesmas ou abandonadas em salas brincando livremente. Então qual é o conceito de educação integral? 


 " O  que é educação integral?

(...) Para educar um indivíduo é preciso envolver e articular diversos outros indivíduos, tempos e espaços. Afinal, somos todos sujeitos completos, totais, com as mais diversas características, necessidades e possibilidades de aprendizagem ao longo da vida.
Compreende-se, então, que:

- A educação é por definição integral na medida em que deve atender a todas as dimensões do desenvolvimento humano e se dá como processo ao longo de toda a vida. Assim, educação integral não é uma modalidade de educação, mas sua própria definição;
-    Espaços, dinâmicas e sujeitos são objeto de aprendizagem e também seu fim, o sentido próprio para o qual converge a construção de qualquer conhecimento. Assim, mais do que um conjunto de espaços a cidade é compreendida como território educativo e o binômio escola-comunidade é sua síntese.
Nessa perspectiva, todos – escola, família, comunidade e a própria cidade –, são educadores e aprendizes de um mesmo e colaborativo processo de aprendizagem. Fundamentalmente, a educação integral reconhece oportunidades educativas que vão além dos conteúdos compartimentados do currículo tradicional e compreende a vida como um grande percurso de aprendizado e reconhece a própria como uma grande, permanente e fluída escola."
Confira o texto (e imagem) na íntegra neste link http://educacaointegral.org.br/conceito/


Já trabalhei em diversas escolas, particulares e públicas, com diferentes propostas de período integral. E ano passado, ao receber o convite de implementar essa proposta, que tem como o eixo principal o brincar e o lúdico, nas séries iniciais do Fundamental I, fiquei muito feliz. Em 2014, atuei como professora, esse ano assumi a coordenação do integral e novos desafios me movimentam.

Durante o ano passado, pude observar o quanto as crianças das séries iniciais continuam com uma demanda grande em relação ao brincar e ao lúdico. Depois comecei a pesquisar sobre educação integral e me interessei muito.

Passei a refletir sobre a responsabilidade que carregava como educadora e a importância de reformular a ideia de período integral, tentando uma aproximação com a educação integral.

Esse diálogo com a educação integral é imprescindível. Se o desejo é uma educação de qualidade, é preciso estudar os documentos oficiais e verificar as possibilidades de dialogar o período integral da escola particular com o conceito de educação integral.




Algumas palavras-chaves que norteiam a proposta do Gracinha: brincar, ludicidade, protagonismo, observação, interesse, curiosidade, flexibilidade, contemplação, descobertas, investigação, liberdade, escolhas, coletivo...

Para um novo tempo e espaço de aprendizagem, precisamos de um novo educador, é preciso renovar-se, transformar-se, sair da zona de conforto.
Esse período, acontece no contra turno escolar na parte da manhã. A rotina é organizada para contemplar diferentes momentos de brincadeira e oficinas lúdicas ministradas pela professora da turma, com algumas aulas ministradas por especialistas. A alimentação, lanche e almoço, é fornecida pela escola.
O foco desse trabalho é observar tanto situações espontâneas, quanto propostas planejadas  para a partir dessa observação,  planejar as oficinas de acordo com os objetivos de cada uma e com o documento curricular. Propostas inusitadas são muito bem-vindas!

Quer saber mais sobre essa experiência?  Iniciaremos uma nova turma dia 9 de abril, confira:

http://www.gracinha.g12.br/index.php/calendario/view/372



 

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de abril

 
 
Recontada por: Wendy Jones
Tradução: Monica Stahel
Ilustradora: Su Blackwell
Editora: WMF Martins Fontes

Esse livro é encantador, tanto pela arte com papel da artista Su Blackwell que ilustrou os contos, quanto pelas narrativas da tradição oral, recontadas pela autora.
 
A obra contempla sete histórias clássicas: Cinderela, O príncipe sapo, As doze princesas dançarinas, A princesa e a ervilha, Branca de Neve, Rapunzel e Bela Adormecida.
 
Os textos são de excelente qualidade e considera grandes autores como: Os irmãos Grimm, Perrault e Andersen.
 
No meu ponto de vista, as ilustrações contribuem com a imaginação das crianças em relação ao estereótipo de princesa. A arte cumpre seu papel com muita criatividade, aguça novos olhares e amplia o repertório de linguagens artísticas. Traz a simplicidade do material e da forma como representar.
 
É um ótimo livro para trabalhar com as crianças na escola, em projetos que abordam os contos de fadas. Boa apreciação!
  

 
Autor: Ilan Brenman
Ilustradora: Ionit Zilberman
Editora: Escarlate
 
Mais uma obra de sucesso para completar a coleção 14 Pérolas. São 5 títulos com narrativas da tradição oral de diversas culturas: Indiana, Budista, Judaica, Sufi e Grega.
 
Eu, particularmente, gosto muito de contar histórias do mundo todo para meus alunos. É muito importante conhecer e ter acesso à outras culturas, conversar, dialogar e aprender.
 
Da mesma maneira como temos na nossa cultura brasileira os mitos e as lendas do folclore, que cumprem o papel de transmitir seus ensinamentos, valores e crenças, é preciso expandir esses saberes, aprender com a diversidade em um país que acolhe o multiculturalismo.
 
Já trabalhei com mitos gregos na educação infantil e 1o ano do Fundamental I. Gostei muito dos textos: a adequação da linguagem para os menores, a narrativa mais curta e a ampliação  desse universo da mitologia grega. Boa aventura!
 
  

 Autor e ilustrador: Fernando Vilela
Editora: Brinque-Book

A beleza das cores e das ilustrações me chamaram muito a atenção, depois quando li que a história trata do cotidiano e dos costumes das populações ribeirinhas do Amazonas, fiquei muito curiosa, foi um convite à leitura.
 
Conheço outros livros desse autor e me encanto, cada vez que me deparo com suas técnicas criativas e seu talento.
 
Nesse livro, repare no reflexo na água, na sua transparência, cada detalhe me estimulou a imaginar como é esse lugar e como é a vivência das pessoas que moram lá.
 
Com certeza as crianças, também, irão gostar dos animais, de como os personagens vão à escola, do que acontece a cada estação e da aventura final. Boa diversão!
 

 

 
 
Autora e ilustradora: Emily Hughes
Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges
Editora: Pequena Zahar

Um livro delicado, cheio de detalhes e um traçado especial. A narrativa lembrou-me das histórias reais sobre crianças que foram criadas por animais, a diferença é que essa tem um final feliz.
 
Cada animal tem seu papel em relação ao que ensinar aquela criança que apareceu na floresta, depois que é encontrada por humanos, tentam fazer com que aprenda uma nova cultura, um novo jeito de ser. Será que vai dar certo?
 
Acho que é uma história muito interessante para contar às crianças, além de ter uma ilustração maravilhosa e rica na sua representação. Tanto o texto, quanto as imagens, são surpreendentes.
 


Autor: Dilan Camargo
Ilustrador: Joãocaré
Editora: Projeto
 
Venha BRINCAR! Venha RIR! Venha CRIAR! Esse é um convite do autor e do ilustrador, então vamos lá!
 
Esse é um livro para se divertir, ler e brincar. A cada página o leitor encontra uma brincadeira em forma de poesia, as ilustrações complementam essa brincadeira com palhaçadas, maluquices e muita diversão.
 
Você pode ler para as crianças e brincar com as palavras, com as rimas, criar novas, ampliar seu repertório de brincadeiras e se divertir muito.
 
 

 
Autora: Rosana Martinelli
Ilustradora: Clara Gavilan
Editora: Quatro Cantos


As crianças adoram conversar com os colegas sobre os sonhos e contar para os professores. Já em casa, acordam assustados no meio da noite e querem colo.
 
Essa obra retrata uma menina que tem um pesadelo e a mãe resolve explicar como fabricamos os próprios sonhos, mas essa explicação bem elaborada e baseada em conceitos da psicanálise, precisa ser adaptada de forma que a filha entenda e os próximos sonhos não a amedrontem tanto.
 
Narrativa baseada em fatos reais. Se você tem essa questão com seus filhos, confira!