segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O semanário como instrumento reflexivo do professor

    O cotidiano na escola é complexo e desafiador. Estabelecer uma rotina e lidar com ela podem ser tarefas bastante exigentes para os educadores, que se veem às voltas com dúvidas e dilemas. A definição das atividades, o tempo, o espaço, o registro, a avaliação, são alguns aspectos que devem ser levados em consideração neste contexto, mas nem sempre há muita clareza de como abordá-los e em que momentos abordá-los.[1]

O planejamento semanal, o qual chamo de semanário, prevê o que e como promover as aprendizagens, os objetivos e as propostas com flexibilidade, de forma com que as crianças realmente aprendam e seja uma aprendizagem significativa. Também tem o papel de tornar o trabalho organizado, colaborar com a gestão do cotidiano na sala de aula e a distribuição das áreas de conhecimento na rotina.

O semanário colabora com a preparação dos recursos necessários e ajuda a visualizar as possibilidades; organiza o tempo e o espaço, além de prever os momentos de observação e registros, seja fotográfico ou escrito.

Essa organização da ação educativa é uma prévia ao ensino, permitindo tornar consciente para o professor toda a intencionalidade de cada proposta. É preciso clareza em relação ao que se deseja que as crianças aprendam. Esse planejar supõe um exercício de reflexão, de conseguir antecipar as dificuldades de cada criança, considerando a diversidade entre elas, e fazer as mediações e intervenções necessárias, adaptando-se as necessidades de cada uma. Segundo as autoras BASSEDAS, HUGUET E SOLÉ (1999, p. 113) o planejamento implica “uma reflexão sobre o que se pretende, sobre como se faz e como se avalia”.

Os aspectos organizacionais e de planejamento são essenciais para garantir um trabalho de qualidade. Essas tomadas de decisões são importantes para saber o que se sucederá em sala de aula, são questões dinâmicas que nos proporciona reavaliar a prática a partir dos tempos, espaços, materiais, propostas e encaminhamentos do que tem acertado ou errado.

O planejamento é antecipação do que será posto em sala de aula, considerando que podem acontecer situações inusitadas e como o professor pode aproveitar esse fato interessante que se colocou.

Se o objetivo do planejamento é garantir o desenvolvimento das capacidades das crianças baseado em conteúdos que fazem parte de um documento curricular, é indispensável fazê-lo e garantir a coerência entre o que se pretende e o que de fato se sucede (BASSEDAS, HUGUET E SOLÉ, 1999, p. 113).

Esse planejamento semanal é uma estratégia, um recurso, uma ferramenta do professor para elaborar suas aulas com flexibilidade em relação a possibilidades de escolhas que podem afetar o que havia sido planejado e tudo bem. Algumas situações inusitadas aparecem e é possível aproveitar aquele momento ou inserir no próximo planejamento.

A gestão de sala de aula é fundamental para que o professor dê conta de colocar em prática o que planejou, ter a capacidade de se antecipar e lidar com imprevistos: falta de tempo, aluno atrasado, conflitos, falta de compreensão etc. Segundo Rosaura Soligo em uma reportagem na revista Nova Escola “Ter uma boa gestão da sala de aula ajuda a contornar problemas desse tipo. O professor tem de dar conta do previsto, lidar com o inesperado e administrar a rotina para que todos aprendam”. [2]

Não é uma tarefa simples. Exige do professor organização, dedicação, estudo, registro, troca com a equipe pedagógica e reflexão; exige a consciência da importância dessa tarefa e assim a partir da experiência de sua própria prática e da capacidade de se antecipar, esse fazer se torna cada vez mais aprimorado.




[1] Pátio Educação Infantil – Desafios do cotidiano pedagógico – Ano II No 4 – Abril/Julho 2004.
[2] Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/gestao-sala-aula-voce-seguro-classe-713785.shtml