domingo, 17 de agosto de 2014

BRINCAR com materiais não estruturados


Nesse artigo escolhi manter o termo sucata ao invés de materiais não convencionais ou não estruturados. 
Sucata é mais simples, é todo material descartado que pode ser reciclado ou reaproveitado. Também gosto do termo "sucata inteligente" como depois passei a chamar entre eu e me minha parceira de trabalho.

Na proposta do período integral no qual atuo, as crianças brincam com esses materiais no momento de entrada. Normalmente elas chegam e a sala já está ambientada, nessa sala não há mesas ou cadeiras por nossa opção (das educadoras), então ha bastante espaço e liberdade de criação, de movimento para espalhar tudo como bem quiserem. Elas montam e depois desmontam para guardar.

Após as construções, muitas vezes nos solicitam para organizar uma "exposição" na própria sala e atendemos o pedido. E como ficam orgulhosos de suas ideias e conquistas! A brincadeira ganha um valor afetivo e coloca as crianças como produtoras de cultura.

Desde o ano passado pedi a minha mãe, que é costureira,  para separar cones e retrozes de linha para reutilizar. Ela veio me visitar e trouxe uma boa quantidade, levei para escola e iniciei a ideia de juntar sucatas interessantes para propormos esse brincar. No inicio do 2o semestre me deparei com uma oficina de conserto (costura) perto de casa e pedi para que guardassem os retrozes de plástico e a cada 20 dias passarei lá para recolhê-los.

Juntando todos materiais temos caixas com retroz de plástico e cone de papelão de linha, conduítes, círculos de papelão (imitando um suporte de bolo), bandejas de isopor, restos de isopor que vem em caixas protegendo algum objeto, refil de café, tampas diversas, rolo de fita durex e crepe, rolo de papel higiênico de diferentes tamanhos e outros rolos de papel e tudo que achamos interessantes para aderir a brincadeira.

São materiais que apresentam plasticidade, ou seja, podem se transformar em muitas possibilidades; eles enriquecem o brincar, ampliam a capacidade inventiva e essa plasticidade junto a exploração e imaginação das crianças. E assim, resultam em construções muito interessantes, elas passam um bom tempo dedicadas neste fazer. Por isso mesmo, nesta construção as crianças precisam de tempo para explorar as possibilidades de cada material, para reencontrar, se apropriar, retomar ideias e testar novas. 

A criança imagina, cria e brinca com esse material, que ora pode ser uma coisa, ora outra ou uma conquista dependendo do objetivo da montagem, por exemplo, montar uma torre até onde os materiais conseguem ficar equilibrados. 




Assim como escrevi no post sobre brincar na areia com sucata, as crianças se mantém concentradas, inteiras naquele fazer, a aparente bagunça demonstra esse envolvimento, essa exploração, esse momento de criatividade, a seriedade do que estão fazendo.

Brincam com pares diferentes, aprendem a trabalhar em grupo ou a se empenharem em um "projeto" (uma pesquisa individual). Elas têm a oportunidade de viver e reviver aprendizados importantes e que se fazem necessários, vivem a experiência com os sentidos e aprendem muitas coisas.

É muito importante que brinquem com esse tipo de material, afinal os brinquedos de hoje em dia já oferecem toda brincadeira pronta. Quando a criança se depara com a possibilidade de construir algo, o interesse e a qualidade do brincar é garantida. Inicialmente,  as crianças podem até estranhar, mas depois se soltam e entregam-se a imaginação.