terça-feira, 7 de agosto de 2012

A literatura oral brasileira na RODA DE HISTÓRIA do 1º ano*

*Trabalho apresentado no Simpósio da Escola da Vila em 2007.

“A cultura popular não é uma coisa morta que precisa ser relembrada. Ela é viva, imensa e ocorre o tempo todo, em todos os lugares, todos os dias do ano”.
Ricardo Azevedo
Introdução

O meu tema de estudo é A literatura oral brasileira com crianças de 6 anos. Trata-se da apresentação de uma seqüência de leitura de lendas e contos tradicionais que planejei e encaminhei. O texto abordará algumas questões sobre as ilustrações, o diálogo, a censura e a leitura; destacará o envolvimento deste trabalho e a contribuição da literatura oral para as crianças desta faixa etária e também a ação do professor na roda de história. 

O que é literatura oral?

       Existem duas fontes vivas que diz respeito ao que é literatura oral: uma que está estritamente relacionada ao oral (histórias, danças, canto, rodas, jogos, cantigas, anedotas, lendas, adivinhações, etc) e outra que são as reimpressões de antigos livrinhos vindos da Espanha e Portugal, que nos trazem assuntos da época, política, fábulas, criações de gênero sentimental, etc.
A literatura oral brasileira reúne todas as manifestações da recreação popular, mantidas pela tradição, e é composta por elementos trazidos por três povos: indígenas, portugueses e africanos. Dentro da literatura oral não está somente presente a oralidade, mas também a escrita, que une a tradição oral a cultura escrita.
Diante deste estudo tive uma dúvida em relação a tradição oral e a literatura oral. Qual é a diferença?
A literatura oral já foi definida acima. A tradição oral é transmitida oralmente, conservada pelo costume, divulga e transmite o conhecimento popular, onde a memória falhava entrava a imaginação para suprir-lhe a falta; é antiga, não tem textos nem livros, sua característica é a fala, o vocal, o oral, produções orais; essa oralidade existe antes do homem ter acesso à cultura escrita. É um costume da existência humana, a tradição oral é mundial.
A expressão oral pode existir – e na maioria das vezes existiu – sem qualquer escrita; mas nunca a escrita sem a oralidade.[1]
Sendo assim, a tradição oral sempre existiu, por conta da cultura escrita foi definida a literatura oral que tem o folclore como o patrimônio e dentro dele temos o mito que deu origem a lenda; e o conto popular, dentre outros (refiro-me somente a esses três que se tornaram objetos de meu estudo).
O que é o folclore então?
Todos os países do mundo, raças, grupos humanos, famílias, classes profissionais possuem um patrimônio de tradições que se transmite oralmente e é definido e conservado pelo costume; esse patrimônio é milenar e contemporâneo. Cresce com os conhecimentos diários desde que se integrem nos hábitos grupais, domésticos ou nacionais. Para conhecermos melhor um povo precisamos conhecer o seu folclore.
Cascudo[2] explica que o folclore é popular, mas nem todo popular é folclore, é preciso que:
                  “O motivo, o fato, a ação, seja antigo na memória do povo, anônimo em sua autoria, divulgado em seu conhecimento e persistente nos repertórios orais ou no habito normal. Que sejam omissos nos nomes próprios, localizações geográficas e datas fixadoras do episódio no tempo”.
O mesmo autor define como características principais de tais contos a antiguidade, o anonimato, a divulgação e a persistência. Valendo também de apoio para a seleção de versões que lemos e autores que elegemos.
Então me pergunto quais as características principais para diferenciarmos o conto popular, o mito e a lenda?
Os contos populares transmitem valores éticos, conceitos morais, modelos de comportamento e concepções de mundo. São contos transmitidos pela tradição oral das várias regiões do Brasil, relatos dos povos que compõe a etnia brasileira, de certa forma mais uma fuga do homem para satisfazer seus sonhos e fantasias.
Cascudo fez uma divisão do conto popular por assuntos: Contos de encantamento (sobrenatural), de exemplo (moral), de animais (fábulas), religiosos (divino), etiológicos (explica formas curiosa de animais e plantas), de adivinhação (vitória por descoberta de um enigma), acumulativos (o assunto é uma serie encadeada de motivos), natureza denunciante, demônio logrado, ciclo da morte (ela sempre vence) e contos sem fim.
Já os mitos trazem animais fabulosos e seres fantásticos. Suas características individuais, mas possuem costumes que vão mudando, adaptados as condições do ambiente em que agem, em diferentes regiões podem ter características diversas.
As lendas são relatos contados como fatos verídicos acontecidos em lugares concretos, explica o surgimento de algo no universo, ensina e fixa hábitos e crenças de determinados lugares, normalmente está ligada ao religioso.  
Cascudo[3] define que o mito é uma explicação imediata, em sua essência é ação nitidamente personalizadora e a lenda é um ponto imóvel de referência e tem como uma outra característica a coletividade.
Toda essa fantasia do folclore serviu de fonte de inspiração de muitos artistas plásticos como: Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero dias, Mário de Andrade, dentre outros. Estarão sempre presentes também no trabalho de músicos, poetas, escritores e contadores de histórias.

A roda de história: o seu papel na formação do leitor

Na roda de história, o professor compartilha esse momento prazeroso mostrando as crianças o quanto é gostoso ler: estabelecendo um vínculo entre o livro e o leitor, a criança participa, presta atenção na narrativa e vai percebendo que existem novas formas de linguagem, amplia seu vocabulário e estabelece relações entre o que já sabe e o que encontra de novo nestas leituras. As rodas permitem às crianças familiarizar-se e querer aprender a ler, passando o sentimento de desejo, anseio, aventura, tristeza, alegria, medo, etc.
Compartilhar leituras com os pequenos é importante porque torna possível beneficiar-se da competência dos outros para construir sentido e obter o prazer de entender mais e melhor os livros, também porque permite experimentar a literatura em sua dimensão socializadora, fazendo com que a pessoa se sinta parte de uma comunidade de leitores com referências e cumplicidades mútuas.[4]
Uma experiência com o adulto fazendo uma leitura em voz alta, é o momento certo, onde elas observam com atenção a gesticulação, a postura, os recursos da voz, se estão lendo rápido ou devagar, se gostamos do que estamos lendo, se lemos com vontade, se existe prazer na leitura, se paramos para ouvi-las, se mostramos imagens; aprendem sobre diferentes modos de lidar com o texto literário e até sem ele, num caso de contação, por exemplo.
COLOMER e CAMPS[5] dizem que
                  “A condição básica e fundamental para um bom ensino de leitura na escola é a de restituir-lhe seu sentido de prática social e cultural, de tal maneira que os alunos entendam sua aprendizagem como um meio para ampliar suas possibilidades de comunicação, de prazer e de aprendizagem e se envolvam no interesse por compreender a mensagem escrita”.
As crianças vão formando um conhecimento sobre a linguagem escrita também por meio dessas leituras, estabelecendo uma relação do que já se ouviu com que está ouvindo. A roda de história oferece a oportunidade de se pronunciar, de argumentar, de exercitar o ouvir e falar sempre que a achar necessário.
A oralidade também está constantemente presente nesses momentos, tanto pelo professor que faz a leitura quanto pelos alunos que, quando julgam necessário, se expressam. É importante que eles tenham esse direito de falar e que saibam usá-lo diante da situação de leitura;  eles entram nesse momento num intercâmbio de conhecimentos, tomam uma posição diante do que falar e em que momento, contribuindo para ampliar e enriquecer seus conhecimentos, entusiasmo e emoção, tanto para quem esta acostumando com esse mundo da leitura quanto para que tem poucas oportunidades desta natureza.
Os pequenos podem se encantar com o ato de ler ou não. Isso depende muito das experiências que possuem em relação à leitura, inclusive no âmbito familiar, onde elas observam os gostos, o comportamento e o interesse dos leitores, mas é papel da escola fomentar esse interesse nos pequenos, a escola deve investir para que as crianças não sejam despojadas de nossa herança literária.
Algumas das vantagens de se ler em voz alta: desenvolve a capacidade de dar seqüência lógica aos fatos; esclarece o pensamento; educa a atenção; desenvolve o gosto literário; fixa e amplia o vocabulário; estimula o interesse pela leitura; desenvolve a linguagem oral e escrita; a capacidade de recontar, de ouvir, de se concentrar e de expandir o imaginário.
Segundo Colomer e Camps: desenvolve esquemas narrativos progressivamente complexos ou diversificados; enriquece a bagagem cultural do aluno e acrescenta ainda o conhecimento receptivo das formas lingüísticas próprias do escrito, como a utilização de determinadas estruturas sintáticas ou de um léxico mais variado e amplo.
Este hábito de leitura é favorecido quando existe na rotina um momento especifico para ele; neste sentido, não importa se é na sala de aula ou na biblioteca, essencial é ter este tempo reservado com este propósito.
A organização das crianças tem sido sempre em roda para facilitar a troca e a discussão, assim quando um fala todos olham para ela, assim elas já sabem também como se portar na roda. E as mesmas têm sido na sala de aula ou na sala de leitura.
Colomer e Camps consideram, ainda, que
“A leitura literária deve receber um tratamento especifico na escola, porque, diferentemente das demais leituras, destina-se a apreciar o ato de expressão do autor, a desenvolver o imaginário pessoal a partir dessa apreciação e a permitir o reencontro da pessoa consigo mesma em sua interpretação”.
Deve-se criar uma consciência nessas crianças sobre a leitura, para que consigam ser sujeitos críticos, autônomos e competentes, conhecendo o que é “bom” não se deixando seduzir apenas por imagens e personagens “comerciais”, é importante existir um momento onde possamos discutir, apreciar, conversar, falar sobre as narrativas e recontá-las, para que fiquem mais presentes em suas vidas e não passem como somente mais uma historia esquecida. Podem existir algumas atividades que favoreçam esse momento de memória, recordação, comentários, descrições, diálogo etc.
No currículo argentino[6] as crianças precisam colocar em prática alguns procedimentos e atitudes no primeiro ciclo que fazem parte dos momentos de roda de história como: Escutar e compreender textos narrados e lidos por um docente; ler textos com muitas ilustrações e textos que são auto suficientes; perguntar sempre o vocabulário quando não entendido e o professor consultar o dicionário e fazer correspondências lexicais; prestar atenção na história contada e ser sensível em relação a como esta sendo contada; o professor deve apresentar o livro, situando as crianças como gênero, editora, autor e ilustrador; oferecer narrativas mais elaboradas que desenvolvam a capacidade de interpretações mais complexas, com mais de um protagonista, por exemplo; o contato direto e diário com diferentes livros e textos literários; que lhes sejam trabalhados com leitura de imagens; livros de contos extensos, antigos, novos, de outros lugares; jogos com palavras, canções, rimas; leitura freqüente de textos selecionados e leituras que as crianças conhecem e querem repetir.
Olhando um pouco mais para as crianças, Daniel Pennac em um de seus livros[7] esclarece várias dúvidas, atitudes e valores que nos ajudam a repensar o que é positivo e o que é negativo para formar um leitor. Ensina-nos os direitos do leitor, talvez nunca pensados por nós dessa forma, mostrando que não é “pecado”, não somos piores que outros leitores caso nos venha acontecer de querermos abandonar a leitura, pular páginas, reler, ler qualquer coisa, ler onde quiser, devorar leituras, ler em voz alta, calar e ler uma frase aqui outra ali; cada leitor é um ser que tem sua individualidade, não precisamos seguir fórmulas da sociedade.
Seguem[8] alguns dos critérios levantados por Teresa Colomer para selecionar as leituras em voz alta, que se encaixaram perfeitamente no que pensei para minha seqüência:
·         Escolher contos ou livros que suponham uma bagagem cultural importante;
·         Apresentar as leituras;
·         Relacionar a obra com outras que conheçam as crianças pelo tema, autor, ilustrador, época, etc;
·         Reler as leituras de maior êxito;
·         Escolher obras, que o próprio professor aprecie e
·         Escolher contos ou livros que estejam mais além das possibilidades de leitura autônoma das crianças.
Um critério para se escolher esse gênero é que a leitura pode ser complexa, os textos são mais extensos e normalmente são escritos com caixa baixa dificultando a leitura das crianças. O professor deve ser o narrador ampliando a referência literária das crianças e por vezes dando vida às histórias com gestos e sons. As crianças ainda vão precisar do professor por algum tempo para entrar nesse mundo da literatura e, a depender da complexidade do gênero, da obra ou até do autor, demandarão o apoio do professor em outros momentos da escolaridade.
Os livros a serem compartilhados também devem ser aqueles que ofereçam alguma dificuldade ao leitor, para que valha a pena investir neles, assim as crianças se mantêm atentas e essa dificuldade trará um desafio para ela de compreensão e busca para antecipar a narrativa, que pode trazer ambigüidades para despertar o interesse e as interpretações diversas. A idéia está em apresentar textos um tanto além da possibilidade de leitora autônoma das crianças, reiterando um dos critérios citados por Colomer.

Segundo artigo divulgado no site de AZEVEDO[9]:
               “O texto literário por definição, pode e deve ser subjetivo; pode inventar palavras; pode transgredir as normas oficiais da Língua; pode criar ritmos inesperados e explorar sonoridades entre palavras; pode brincar com trocadilhos e duplos sentidos; pode recorrer a metáforas, metonímias, sinédoques e ironias; pode ser simbólico; pode ser propositalmente ambíguo e até mesmo obscuro. Tal tipo de discurso tende a plurissignificação, à conotação, almeja que diferentes leitores possam chegar a diferentes interpretações. É possível dizer que quanto mais leituras um texto literário suscitar, maior será sua qualidade”.

Algumas descobertas...

Notei que algumas vezes me questionei ao ler alguns trechos por questões de censura (da minha parte claro), ao mesmo tempo em que pensava “nossa será que leio isso?” Imediatamente meu cérebro respondia “Ora, mas eles não têm o mesmo olhar que nós adultos, não tem malícia e se está escrito é para ler”. O livro é adequado para crianças e sendo assim minha postura foi sempre ler, nunca vedei nada, só me questionava e olhava a reação deles depois do que lia... e a reação era normal, claro! O que eu esperava?... O professor se depara com cada questionamento! Para as crianças tem coisas que passam desapercebido e estão presas mais na narrativa do que em alguns outros aspectos.
 Entendi que ao escolher um livro infantil deve-se valorizar o conteúdo e não restringir é importante; sempre fazer uma pré-leitura e levar em conta que algumas frases fazem parte da história, da cultura e muitas vezes é a identidade da narrativa, não ler significa descaracterizar essa literatura.
A maioria dos livros que utilizei tinha ilustrações e percebi que fez bastante diferença principalmente quando é um mito em eles pedem muito as imagens; quando é um conto tradicional, querem prestar atenção na história para entender o que está acontecendo e não se prendem as imagens.
A importância das ilustrações está em considerar que segundo AZEVEDO[10]:
                           “É impossível negar que todo o texto ilustrado vai, necessariamente, receber interferência de suas ilustrações. A energia, a leitura (ilustrar é interpretar), o imaginário, a linguagem, as cores, o clima, a técnica, as referências icônicas, tudo o que o ilustrador fizer, vai alterar e interferir na leitura (e no significado) do texto”.
A imagem nesse caso (dos mitos) alimenta e complementa a imaginação das crianças, é prazeroso vê-las, como não vêem estes monstros por ai, a curiosidade é grande de ver como eles são. Ampliando a linguagem visual das crianças, porque eles comparam com outras que já viram ou que mostro de outro livro.
A narrativa explica como é tal monstro, eles imaginam e logo querem ver como está no livro. Algumas vezes parece ser difícil imaginar algumas coisas, isso porque existe uma discrepância sobre o que alguns sabem e o que outros não sabem. Por conta disso, quando alguém pergunta, dou abertura sempre para quem quiser responder e depois eu complemento se precisar ou respondo se ninguém souber.
É muito importante educar esse olhar dos pequenos, trabalhar em sala de aula com a inteligência viso-espacial, buscar estratégias para eles se tornarem observadores, aprendendo a olhar para aquela imagem, apreciar e não apenas ver, desenvolver essa capacidade o ajudará a melhor atribuir significado ao que é estético. Alguns livros exploram mais que os outros a fronteira entre a compreensão e a atração nos livros infantis.
AZEVEDO[11] complementa que:
                   “Levar em conta a existência, dentro de livros, de diferentes graus de relação entre o texto escrito e as imagens pode, apesar disso, contribuir para uma melhor compreensão desse território rico e complexo que é o livro ilustrado”.
Nesta seqüência tentei apresentar as crianças diferentes livros, ilustrações, textos e formas de contar. Algumas das apresentações foram “contação” sem o apoio do livro, mas a maioria delas com o livro, livros somente com textos, livros ilustrados com diferentes técnicas, colorido, preto e branco, pequenas ilustrações que dão luz a imaginação das crianças e outras mais explícitas, gostaria de ter apresentado diversas configurações em relação ao formato do livro (pequeno, grande, grosso, fino, quadrado, retangular, etc).
Diferentes finais de história foram muito importantes para se distanciarem do final de sempre, que é o de felizes para sempre ou sempre positivo ou que o bonzinho ou herói sempre vence, contribuindo para desmistificar algumas convicções.
As ilustrações complementam o texto e vice-versa. Alguns livros de qualidade trazem um paralelo entre texto e imagem; não sobrecarregando o livro, a imagem proporciona o caminho para chegar a histórias mais complexas, possibilitando diminuir a linearidade do discurso, por meio das imagens a criança pode chegar a entender melhor a história complementando o texto se estiver muito difícil de compreender. O texto ficaria em segundo plano para tal criança e ela se concentraria mais na ilustração para melhor interpretação. A ilustração é uma referência visual podendo dar dicas sobre a historia. Também pode complicar a interpretação, é um recurso que permite estabelecer divergências de significados.

Algumas Considerações

A literatura oral popular do Brasil tem o sentido de divertir e emocionar fazendo com que as crianças conheçam outros mundos e os comparem com a própria realidade, nos revela informações históricas e sociológicas, apresentando costumes, idéias, decisões e julgamentos, ambos de fonte popular. As crianças acessam a outros mundos lhes permitindo diferenciar a própria, realidade do que é ficção, interpretando a cultura.
Acredito que deve haver um investimento maior na escola com esse gênero, uma vez que as crianças conhecem muitos contos fadas e não conhecem textos específicos de nossa própria cultura, que é muito rica e merece investimento tanto quanto as de outros países. O folclore apresenta narrativas  que seduzem esses pequenos leitores.
Os registros da cultura popular que expressam as tradições de nosso povo devem ocupar um vasto espaço em nossas bibliotecas, permitindo que nossos alunos possam vivenciá-las em toda sua riqueza, permitindo que as crianças entrem em contato com que foi construído culturalmente. Sugiro que se tenha mais livros de folclore para acesso das crianças mesmo que sejam mais simplificados a intenção é formarmos leitores críticos, autônomos e competentes e esse tipo de titulo ajuda nessas escolhas. E que esta seqüência, complementada pela equipe da série, passe a fazer parte do currículo do 1º ano.
Os textos literários apresentados para as crianças de 6 anos tiveram um contexto de trazer a diversidade de textos, onde notei que pude ampliar a experiência leitora e contribuir para aquisição de novos esquemas narrativos.
A importância da roda é socializar o conhecimento, as crianças não nascem leitoras, apreciadoras, dia a dia vão avançando  neste sentido por meio de uma outra pessoa, pais ou professores. Os alunos progridem quando a leitura é compreensiva, interpretativa, quando os elementos internos são explorados, entrando num intercâmbio com os conhecimentos externos.
O diálogo na roda foi uma intervenção acertada e significativa que mudou meu olhar em relação a contar histórias e a como deve ser encaminhado esse momento. A questão da censura ficou bem clara, que a interpretação infantil nunca será a mesma de um adulto; as crianças mantêm seu olhar infantil e, sobre as ilustrações, ela tem o papel de ampliar a interpretação e imaginação, fazendo com que as crianças percebam a relação do texto com a imagem e a compreendam de modo integrador.

Texto de autoria: Marcela Chanan

Referência bibliográfica

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3. Era uma vez. Ed. Fundo de cultura, 1967.
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PENNAC, Daniel. Como um romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
ROSA, Nereide Schilaro Santa. Lendas e Personagens. São Paulo: Moderna, 2001.
TEBEROSKY, Ana; COLOMER, Teresa. Aprender a ler e a escrever – Uma proposta construtivista. In: Livros infantis na sala de aula. Porto Alegre:       ,     .
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VILA, Centro de Estudos da escola da. Práticas de leitura e os procedimentos do leitor, 2007.
________, A formação do leitor, 2007.
________, As rodas de leitura, 2007.
________, Critérios para selecionar as leituras em voz alta, 2007.


[1] ONG, Walter. Oralidade e cultura escrita. In: A oralidade da linguagem. São Paulo: Papirus, 1998.

[2] CASCUDO, Luis da Câmara. Folclore do Brasil. In: 1.Cultura popular e folclore,
3. Era uma vez. Ed. Fundo de cultura, 1967.

[3] CASCUDO, Luís da Câmara. Literatura oral no Brasil. São Paulo: Global, 2006.

[4] COLOMER, Teresa. Andar entre os livros – A leitura literária na escola. São Paulo: Global, 2007.

[5] COLOMER, Teresa; CAMPS Anna. Ensinar a ler ensinar a compreender.         : Artmed, 2002 (Capitulo 4).

[6] LÓPEZ, Amelia de los Milagros. Un lugar para la lengua y la literatura en nuestras escuelas. Disponivel em < www.cba.gov.ar/imagenes/fotos/me_vlcanon.doc - > acesso em 12/10/2007.
LERNER, Delia. Lengua – Documento de trabajo nº4. In: Um lugar para la literatura em la escuela. Disponível em
MENDOZA, Silvia (org.). Diseño Curricular para la Escuela Primaria. In: Prácticas del lenguaje – Práctica de la lectura. Disponível em < www.buenosaires.gov.arareaseducacioncurriculaprimaria.php>  acesso em 12/10/2007.

[7] PENNAC, Daniel. Como um romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

[8] Apostila curso CEEV
[9] AZEVEDO, Ricardo. Formação de leitores e razões para a literatura. Disponível em < http://www.ricardoazevedo.com.br/artnew03Mfim.htm > 12/10/2007

[10]AZEVEDO, Ricardo. Texto e imagem: diálogos e linguagens dentro do livro. Disponível em  <http://www.ricardoazevedo.com.br/Artigo05.htm> acesso em 12/10/2007.

[11] AZEVEDO, Ricardo. Pensando em ilustrações de livros. Disponível em  <http://www.ricardoazevedo.com.br/Artigo16Pensando.htm> acesso em 12/10/2007.