quinta-feira, 27 de junho de 2013

DESENHO INFANTIL: observar, compreender e alimentar!


Durante a infância, o desenho se desenvolve de forma espetacular!
Nesta etapa do desenvolvimento (3 a 6 anos), as crianças já passaram pela fase das garatujas (rabiscos) com as quais procuram o controle dos movimentos e dos materiais. Suas marcas começam a se modificar, conquistam formas de novelos, círculos, bolinhas e ganham mais espaço na folha. Depois disso, os desenhos começam a conquistar novas formas com figuras fechadas e inscrições por dentro e por fora; e assim inicia-se a construção da representação humana e, a partir daí, a representação de formas variadas. 




Acredito na necessidade do desenho fazer parte da rotina todos os dias. Um aspecto que norteia essa ideia é que trata-se de um fazer cultivado: desenhar diariamente, apreciar as próprias produções, as dos colegas ou de artistas são formas de ampliar o repertório gráfico.

Essa forma de trabalhar baseia-se em propiciar o fazer, o apreciar e o refletir. As possibilidades podem acontecer individualmente ou em grupo.

As propostas não determinam o percurso criador, ao contrário, alimentam-no e colocam novas questões e desafios para que ele se transforme. Considero uma boa proposta é aquela que revela a forma como cada aluno se expressa. 

Procuro observar os desenhos ressaltando o percurso de cada um, as conquistas, as ideias e os elementos novos. Valorizando também os que não figuram.

Algumas práticas reprimem a criança: dizer-lhe que ela não desenhou nada ou que são rabiscos pode bloquear ou romper o desenvolvimento de sua criatividade. Comentar apenas que está lindo não diz nada, porque o conceito de bonito e feio é diferente para cada ser humano.

Cada criança tem uma relação com o desenho. Algumas investem na repetição de alguns temas, outras evocam coisas que fazem parte do mundo dos desenhos, filmes, brinquedos e de suas paixões por certos objetos, animais ou formas. Cada uma tem uma intimidade estabelecida com essa linguagem, desenhar é uma aventura onde eles ampliam suas possibilidades de olhar e produzir.

Na criação as crianças demonstram muita ludicidade: brincam, jogam, inventam, narram, conversam, trocam. São capazes de permanecer um bom tempo envolvidos com seus traçados. 

Considero que o contato regular com a diversidade de materiais favorece o conhecimento mais profundo de cada um deles e permite a criança se concentrar em sua ação e não apenas com o que fazer. Pensando em desenho, há diversas possibilidades:


Desenho livre ou espontâneo



Quando a proposta é livre, o objetivo é que tenham um momento de criação a partir de seu próprio repertório e da utilização dos elementos da linguagem que trabalhamos no cotidiano.



Desenho a partir de uma apreciação


Apreciar ilustrações de livros infantis, as próprias produções, as dos colegas ou as de artistas são formas de ampliar o repertório gráfico. Ao apreciar, a criança pode estabelecer uma correlação com suas experiências pessoais.

Essas apreciações contribuem para observar e identificar imagens diversas, conhecer a diversidade de produções, artistas e linguagens, observar os elementos da linguagem apresentada e a diversidade de possibilidades, assim como ampliar seu conhecimento de mundo e de cultura.

Contribui para que as crainças deixem de lado as figuras padrões e percebam que não há uma única forma de representar determinada coisa.

A exposição dos trabalhos nos murais é muito importante, pois valoriza e propicia a leitura da própria produção, das dos demais colegas e até as de outros grupos.


Desenho com interferência



Essa modalidade desenho pretende provocar, subsidiar a produção das crianças. Essa interferência pode ser um traço, uma linha, colagens ou diversos fragmentos, que a criança usa como parte do seu desenho. Quando a interferência oferece parte de uma representação – apenas uma cabeça, por exemplo -, ela sugere que a criança faça um desenho específico – neste caso, uma figura humana. 

Os suportes também fazem parte das interferências: diferentes tamanhos de papéis, formatos variados, papéis vazados, etc. Se divertem com as novas possibilidades de seus próprios desenhos estimulando a criatividade e a imaginação.

Desenho temático 
Neste o professor junto com as crianças determinam o tema: brincadeira, monstros, família, autorretrato, personagens de histórias etc.

Desenho gêmeo 
É a cópia de um outro desenho de um amigo. Um desenha e o outro copia.

Desenho da imaginação 


A criança cria algo novo ou pode ser estimulada como, por exemplo, enfiar a mão dentro de um saco de tecido e tentar descobrir com o toque o que objeto tem lá dentro, depois desenhar e por último conferir o que era.



Desenho de observação

Quando penso no desenho de observação considero a observação de um modelo real. Conversamos muitas vezes sobre este tipo de desenho e eles percebem que assim aprendem a desenhar  e investigar coisas que não sabiam. Não se trata de fazer uma cópia, mas de criar uma situação que torne observável detalhes, formas e cores.


Desenho de memória
Neste me refiro a imagens guardadas na mente. Por exemplo, lembrar-se de algum evento ou situação passada e desenhar.

E outras possibilidades de desenho que a diversidade de materiais proporciona aliada a criatividades do professor.


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*Todos os direitos autorais das imagens e texto reservados para Marcela Chanan. É proibida sua cópia sem autorização prévia. O compartilhamento da publicação na íntegra diretamente do blog (link e via redes sociais) é livre.

Para saber mais...
  • Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil - Volume 3. Brasilia: MEC/SEF, 1998.
  • IAVELBERG, Rosa. O desenho cultivado da criança: prática e formação de educadores. São Paulo: Zouk, 2006.            
  • MEREDIEU, Florence De. O desenho infantil. São Paulo: Cultrix, 2006.
  • ALBANO MOREIRA, Ana Angélica. O espaço do desenho: a educação do educador. São Paulo: Loyola, 2008.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

CULTURA POPULAR BRASILEIRA: a Festa Junina e suas manifestações regionais*

*O projeto foi realizado em 2012 e foi incluído ao currículo da escola. Foi apresentado no ICLOC - 2013.


No mês de Junho, as crianças são convidadas a ensaiar uma dança para se apresentarem na Festa Junina da escola e permanecem envolvidas pela alegria de participar e recordar o quão prazeroso é esse momento.

Por esse motivo refleti sobre a necessidade e a oportunidade de se trabalhar com a Cultura Popular Brasileira em um período mais amplo, aproveitando os conhecimentos que aprendi na formação de professores do Instituto Brincante.

Escrevi um projeto com 2 meses de duração, comecei a colocar em prática e complementá-lo a cada nova ideia, pesquisa e/ou apontamentos das crianças. Priorizei mantê-lo 3x por semana.

Como era professora de duas salas de 1º ano (matutino e vespertino) proporcionei as vivências nos dois períodos: no 1º B com 18 crianças e no 1º D com 20 crianças, sendo que uma das crianças tinha necessidades especiais, mas não foi necessário grandes adaptações.

Retomando aos festejos, todo mês de junho lembramo-nos dos quitutes de Festa Junina, da alegria dessa celebração e também dos trajes especiais para essa data, porém, esquecemos de nos perguntar: 

Qual o significado dessa festa? Quais são suas origens? Quais são as comidas e as danças típicas? E na escola, o que as crianças aprendem sobre os festejos? A escola contribui para aprendizagem das crianças ou só comemoram esta data?


Retomei por alguns instantes quais eram minhas lembranças das Festas Juninas que vivenciei: Em que lugares elas aconteciam? Como eram as brincadeiras? Tinha fogueira? Balão? Bombril com fogo? Quais danças? . Depois de pensar em todas estas questões, voltei para atualidade e me perguntei: Qual a ideia que as crianças têm sobre a Festa Junina? Qual o contato real delas com essa celebração? Será que seria se vestir de caipira e gastar dinheiro com brincadeiras para ganhar as prendas?

Então acreditei ser uma ótima oportunidade para que os pequenos conhecerem as origens da festa e sua história, começando por perguntar o que sabiam sobre a festança - conhecimentos prévios.

As crianças de seis anos, já têm condições de compreender parte da origem dessa festa - como as influências de outras culturas e parte de sua simbologia. E para que possam iniciar a reflexão sobre essa festança e suas transformações, ter contato com diferentes manifestações e perceberem a riqueza de capricho, semelhanças e diferenças entre os costumes das regiões; o Projeto oportunizou refletir sobre a diversidade das manifestações, percebendo semelhanças e diferenças regionais.

As crianças puderam vivenciar boa parte dessas manifestações, conhecer as características da festa junina valorizando e incentivando o trabalho cooperativo, levando-os a conhecer os costumes e as tradições.

A descrição das etapas de desenvolvimento do projeto é a forma mais clara para compartilhar o caminho deste estudo.

Primeiramente, compartilhei com as crianças que iniciaríamos um projeto em que estudaríamos sobre a Festa Junina, a partir da lista que fizemos na primeira roda de conversa e que iríamos conhecer diversas manifestações. Contei à elas que essa era uma festa tradicional do Brasil e se mostraram surpresas em ser evento tão especial.

Primeiro, quis saber o que eles sabiam (conhecimentos prévios) e depois deixamos a lista no mural para confirmarmos as hipóteses e acrescentar ou excluir elementos.

Após apresentar o projeto, retomei a lista do mural e em roda destrinchamos alguns elementos que listamos anteriormente, por exemplo, no item DANÇAS perguntei "Quais vocês conhecem?" E assim, item por item (Músicas, brincadeiras, comidas, instrumentos, trajes etc).

Feito isso, o objetivo agora era registrar por meio do desenho o que já sabiam sobre a festa ou que mais gostavam. Para uma turma ofereci folha de sulfite A4 e bandeirinhas recortadas de papel lumipaper e para outra deixei que os pequenos recortassem as bandeirinhas de papel color set. Os grupos produziram desenhos cheios de saberes: registros de danças, brincadeiras e vestimentas.



O próximo passo, foi iniciar a leitura do livro Bandeira de São João do autor Ronaldo Britto e Assis Lima. Apresentei o livro, contei que não era uma narrativa e sim uma peça teatral, então a organização e como se conta seria de um jeito diferente. E para cada personagem projetei uma voz diferente, foram 15 cenas lidas em 3 aulas, os grupos gostaram muito da contação e da história que foram descobrindo.

Na etapa seguinte, fomos ao auditório apreciar obras de arte NAIF  - selecionadas no google.  Contei a eles que esse tipo de arte é feita por pessoas comuns (sem cursos ou técnicas aprendidas em escolas) que pintam e seguem um tema (manifestações populares), um estilo (muitas cores e elementos, contorno etc). Quando mostrei a primeira imagem eles reagiram com surpresa, acharam muito bonito, cheio de informações e detalhes. 

Observaram cerca de 6 obras e tirei algumas dúvidas sobre elementos que apareciam e não sabiam o que era, por exemplo, a brincadeira de pau de sebo. Terminada a apreciação perguntei: Quais elementos novos vocês estão reconhecendo como de festa junina observando essas obras? Retornei as imagens e fui passando uma a uma para me responderem: igreja, balão, fogueira, bois, fogos de artifício etc.


Em outro dia, realizamos uma leitura compartilhada de um texto organizado por mim sobre a origem da festa e tradições. Com este texto em mãos pudemos conversar sobre a origem, o porque da celebração, as diferentes manifestações pelo país, as tradições e os costumes. Foi gostoso vê-los interessados, questionando, refletindo e criando ideias sobre o assunto. Acredito que ficaram mais próximos do sentido dessa festa, pois o texto foi bem esclarecedor. Um dos assuntos que trouxe curiosidade foi: "então o que exatamente são as comidas típicas?" E com este texto pudemos conhecer um pouco mais.

Como essa leitura também tinha deixado certa curiosidade sobre as danças, na próxima semana, convidei-os a assistir alguns vídeos no auditório. Na primeira vez, assistimos a lenda do Bumba-meu-Boi, uma reportagem sobre Festas Juninas e a dança da Carambola – filmada no ano anterior - que eles ensaiariam para se apresentar na festa da escola. Na segunda vez, assistimos uma apresentação de Baião, Dança de Fitas (RS) e Quadrilha. É impressionante o quanto elas gostaram, mantiveram-se atentas, participativas e questionadoras.

Uma criança me perguntou o que era cultura e fizemos uma roda para discutir. Algumas crianças quiseram falar o que era: canal de TV, livraria, música e artes. Depois, contei que cultura era o conhecimento (todos os hábitos, os costumes, celebrações etc ) que o povo inventa e vai passando de geração em geração, tem a ver também com o passado do nosso país, com a história do nosso povo. Na leitura compartilhada sobre as origens da festa conversamos um pouco sobre quem eram os europeus, os indígenas e os africanos.

Aproveitei e comuniquei as crianças que durante alguns momentos da rotina ouviriam cds com ritmos presentes na Festa Junina ( CD Recreio, Forró para crianças, Luiz Gonzaga e outros). Foi encantador ver como as crianças se interessavam em ouvir, cantar e se divertir com as músicas.

A etapa seguinte, foi contar que no Nordeste faz parte da cultura do povo aproveitarem sucata, elementos naturais e objetos do cotidiano para criar brinquedos, além de materiais como papel crepon e seda. E que eu tinha aprendido no curso que faço, construir um Bumba-meu-Boi com caixa de papelão, caixa de leite e de suco. Assim, construí o boi com as crianças em roda, mostrando passo-a-passo e contei que depois que o enfeitarmos, o utilizaríamos para brincar de pega-pega. Essa construção durou mais 3 etapas: pintá-lo todo de preto, decorá-lo com tinta de várias cores e depois prender o rabo e a saia de tecido chita.

As crianças participaram com muito ânimo, em grupos pequenos cada um ajudou de uma forma, todos participaram, ansiosos para o dia do boi ficar pronto e poderem brincar. Quando esse dia chegou, a alegria tomou conta desses pequenos e aproveitamos para organizar o pega-pega com passos da dança. Pura diversão!

Retomei em roda, que iriamos descobrir mais informações sobre o Bumba-meu-Boi, lendo um trecho do livro Festas e Tradições da autora Nereide S Santa Rosa, que falava sobre os outros nomes que o boi ganhou ao espalhar-se pelo país: Boi Barroso (RS), Boi-de-Mamão (SC), Caprichoso e Garantido (AM) e Boi-Bumbá (PE). 

A descoberta ganhou suspiros, pois quando as crianças aprendem uma coisa, elas se apegam aquele jeito como se não existisse outro, e quando li sobre a existência desses bois, rompi a ideia de que só havia um tipo. E é perceptível o quanto é agradável, perceberem que não é sempre que há uma única forma.






Em uma próxima etapa, apresentei o Boi-Bumbá que eu tinha em casa de cerâmica e contei que iríamos modelar um também, mas não era para ser igual aquele, era só um "modelo", e que depois enfeitaríamos de outro jeito para ficar bem especial do jeito de cada um. Apreciamos diversas imagens de "bois juninos" da internet.

Separei um pedaço de argila para cada um e antes deles começarem, modelei o meu em roda e dei dicas para dar certo: puxar o pescoço direto do corpo, o chifre ser um pouco grosso e não ter emendas porque depois que seca desgruda. Todos puderam contar com minha ajuda e da auxiliar de classe.

A modelagem passou por várias etapas: modelar e secar, apreciar imagens de bumba-meu-boi e escolher a cor, escolher a estampa do tecido para saia e colar junto com o rabo, decorar com fitas de cetim, usar tinta guache e pincel fino para detalhes do olho e do chifre; e para finalizar enfeitar com cola glitter e lantejoulas. Foi com muita satisfação, que as crianças produziram cada etapa, empenhadas e envolvidas até o término.





Ajudar a colar as bandeirinhas de papel de seda da escola, também fez parte do projeto para que os pequenos participem da organização da festa, outra tarefa foi confeccionar bandeirinhas com sacolas de papel trazidas de casa, envolvendo as famílias nesse processo.

Ensaiamos durante 6 dias a dança da Carambola para se apresentarem no dia da Festa Junina  e como elas encaram com seriedade essa aprendizagem!

Retomei em roda a apreciação das obras de arte NAIF que observamos anteriormente e selecionei algumas para deixar expostas no mural da sala, relembramos observações sobre essa pintura e logo depois, a proposta era fazer uma pintura na cartolina A4. Primeiro pensaram em um tema da Festa Junina, depois traçaram suas ideias com pincel e tinta preta, terminado os contornos começaram a colorir com cores bem fortes e alegres. As crianças produziram pinturas muito ricas e detalhadas.




Em outra roda, li uma história de uma revista Recreio com tema de Festa Junina: falava de uma festa em uma quermesse e as crianças conheceram novos elementos como a brincadeira do correio elegante, a cadeia, as argolas etc.

Outro item da lista para pesquisarmos, eram as comidas típicas e as brincadeiras. Em rodas as crianças escolheram 2 receitas para fazermos na escola: bolo de fubá e pipoca. Elas trouxeram os ingredientes, conversamos sobre de onde vem o fubá e preparamos juntos. A pipoca foi feita com um pouco de margarina e não colocamos sal, me questionaram sobre essa decisão e disse que na margarina já tinha sal e o excesso dele faz mal para saúde, logo uma criança falou “Então é pipoca saudável!”, eles estão acostumados com pipocas de microondas ou de pipoqueiro que vem com muito sal e se deram conta que realmente não precisava de mais, estava gostosa assim.

Já nas brincadeiras, pensei em algumas que não fossem as que normalmente têm nas festas e resgatei em um site na internet algumas ideias.  Brincamos de corrida do saco, corrida do ovo na colher, passa chapéu, estoura bexiga e encontre os sapatos. Essa parte foi pura empolgação! Todas as brincadeiras menos a passa chapéu (parecido com batata quente), precisavam de duas equipes, foi importante perceberem que a cooperação é boa para todos. Não houve desrespeito, choro ou discussões. Participar e se divertir foi o maior objetivo deles.

A etapa final do estudo, corresponde à confecção de estandartes.  Utilizamos materiais como: papelão, tecido estampado e cru, caneta de ponta porosa, miçangas, lantejoula, cola glitter, bandeirinhas de fita de cetim e formas de docinhos.

Em roda, retomei a utilização dos estandartes, mostrei algumas imagens impressas da internet como esta abaixo e também apresentei os santos celebrados, neste caso não me aprofundei na questão religiosa, apenas mostrei as imagens e disse que eram como anjos, eles lembraram a simbologia das bandeirinhas e eu disse que tinham pessoas que acreditavam na realização dos pedidos e outras não. Depois da conversa, cada um escolheu qual santo representaria, e pontuei que para desenhar São Pedro, precisava ser um “velhinho” com barba e a mão levantada para cima, São João  tinha um menino de cabelos enrolados e um carneiro no colo e Santo Antônio um homem “meio careca” com um bebê no colo. Perguntei se eles sabiam o que era aquela luz envolvendo a cabeça deles e alguns me disseram que eram as auréolas e eu disse que era como se fosse, mas um pouco diferente e que quem quisesse poderia acrescentar ao desenho. Foram 4 etapas: escolha do tecido, desenho do santo, decoração e colar as fitas de cetim. Foi um sucesso! Cada estandarte feito com  maior capricho! Pude perceber o quanto em todo momento do projeto eles se envolveram e realizaram as produções com muito carinho, cuidado e respeito aos demais. Terminamos no último dia de aula.


Além disso, fez parte deste projeto atividades de Língua Portuguesa. Aproveitei o tema, para desenvolver lições de  leitura e escrita, não era o foco, mas como atuo com alfabetização as atividades puderam contribuir para melhor reflexão e compreensão do assunto tratado. Também tiveram outras situações não descritas como uso do mapa brasileiro, o contato com um instrumento musical (triângulo), a brincadeira do Boi-de-mamão etc.



Combinamos que parte deste projeto será compartilhado com as famílias na Mostra de Trabalhos do 2º semestre, depois disso levariam a modelagem de boi e o estandarte para casa.

Apresentei este trabalho para equipe pedagógica da escola onde trabalhava e foi um sucesso e a escola decidiu incorporar este projeto na grade curricular 1º ano.

Ao finalizar o projeto com as crianças tive certeza de que elas conheceram e se encantaram com nossa cultura, foi muito prazeroso realizar este projeto e vê-los envolvidos como eu sou pela cultura brasileira e fazê-los refletir sobre a diversidade cultural.

A intenção deste estudo era justamente aproximá-los da Cultura Popular Brasileira e esta tarefa foi realizada satisfatoriamente, o olhar para Festa Junina já não era mais o mesmo de antes e pude perceber isso durante os comentários realizados por eles durante o projeto, a intensa curiosidade, o prazer da descoberta.

Finalmente, percebi que a realização desse projeto propiciou a todos - a professora, a escola e as crianças -, um conhecimento maior sobre o porque dessa festança ou a motivação por procurar saber.

Para minha formação foi muito importante desenvolver e vivenciar o projeto, e para elaboração do mesmo precisei aprofundei meus estudos em ciências sociais e nas diversas maneiras que poderia trabalhar essa área do conhecimento com meus alunos, sempre pensando em alternativas de ensino que fossem significativas e lúdicas. 

Uma outra turma de 1o ano foi contagiada e com apoio de um material que tinha sobre Boi de mamão, também trabalharam a temática.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

INTERVALO, RECREIO, PARQUE: HORA DE SE DIVERTIR!


Conceito de recreio[i]

“Com origem no termo latino recreatio, a palavra recreio define a ação e o efeito de recrear. Por conseguinte, pode referir-se ao ato de
criar ou de produzir algo de novo. Também se refere ao divertimento, prazer ou deleite como forma de distração relativamente ao trabalho e às obrigações do dia-a-dia.
O recreio é, portanto o uso do tempo que se considera como um ‘refresco’ terapêutico do corpo e da mente. O recreio implica uma participação ativa por parte do sujeito, ao contrário do ócio que envolve, por norma, o
descanso ou outra forma de entretenimento mais descontraída.
Os especialistas afirmam que a
diversão é importante para manter um equilíbrio entre os deveres e a saúde física e mental. Entre as atividades recreativas mais tradicionais, podem ser mencionadas aquelas que se realizam ao ar livre.”




O recreio...

Quem não se lembra da felicidade de ouvir o sinal bater?

É um momento muito esperado pelos pequenos e quando chove se o espaço é aberto, logo se mostram tristes.

Alguns tomam o lanche rapidamente ou até escondem parte dele para sobrar mais tempo de brincadeira.

O recreio é a hora predileta da rotina: compartilhar, inventar, correr perigos, ter um grande espaço com diferentes possibilidades e desafios, interagir com outras crianças, reencontrar colegas e professoras. Meninos e meninas brincam juntos e separados, tem repertórios e jeitos diversos de brincar, mas um ponto em comum é a capacidade de transpor a imaginação para o real: o jogo simbólico.

Brincando a criança produz sua cultura lúdica
[ii]:

“...o repertório de suas brincadeiras, incluindo os brinquedos, suas histórias, fantasias e traquinagens criadas, aprendidas, repassadas, adaptadas e transformadas entre as mais velhas e as mais novas, entre os meninos e as meninas, num determinado lugar, num determinado contexto histórico-social.”

Observando os alunos é perceptível o tempo de cada um ou de cada brincadeira, o quanto entrar e saem delas, trocam, reinventam, aceitam nova propostas, ritmos etc.

O recreio pode ter diferentes sentidos: brincar, provocar, descansar, ler, observar, conversar, jogar futebol, reencontrar amigos de outra salas, irmãos, primos etc.

É possível observar como as crianças gostam de reinventar este espaço, modificá-lo e dar novo sentido.

Os professores e auxiliares acompanham os pequenos nessa hora para garantir que as interações e conflitos sejam adequados – evitando situações desagradáveis e acidentes. O educador também observa seu grupo e como se da à relação entre eles: quem já resolve os conflitos com autonomia e quem precisa de ajuda. Também pode propor novos desafios e combinar algo com as crianças antecipadamente etc.

Nesse tempo os professores também passam a conhecer melhor seus alunos, perceber suas preferências, seus medos, como se relacionam, se respeitam os outros adultos etc.

Em uma entrevista para Revista Nova Escola, a especialista em Psicologia da Educação Catarina Iavelberg nos revela que
[iii]:

“Muitas vezes, é só no pátio que se percebe a atuação de um líder ou o isolamento de um aluno. A investigação das áreas ocupadas e das vazias também traz informações importantes.”

Os adultos fazem um rodízio para descansar, tomar lanche e assim as crianças também interagem com outros professores.

O espaço deve possibilitar liberdade e criatividade. Há propostas livres com pouca intervenção do professor e momentos em que há necessidade de propor algo mais dirigido.


Recriar o recreio?

O recreio tem um espaço e um uso bem diferente dos outros espaços da escola e é um momento privilegiado para o brincar.

E como tem sido o recreio? Brincadeiras livres ou direcionadas? Já falei um pouco sobre esse tema em outro artigo chamado “Brincar do quê? Para brincar ou aprender?” publicado em outubro de 2012, seria interessante realizar a leitura antes de continuar esta:
http://culturainfantilearte.blogspot.com.br/2012/10/brincar-do-que-para-brincar-ou-aprender.html

Como as crianças veem este recreio: um espaço totalmente livre para fazer o que quiser? O recreio determina quais serão as escolhas ou elas são realmente livres?

Em cada escola o recreio possibilita diversas oportunidades a depender do espaço - que é determinante (tamanho, coberto, aberto, cimentado, grama, terra, areia, plantas), do tempo, da faixa etária, das relações interpessoais, de materiais oferecidos etc.

Se não há alternativas interessantes as crianças procuram brincadeiras com vivências corporais ou arrumam algo para fazer normalmente fugindo das regras.

Segundo a psicóloga Rosely Sayão
[iv]:

“...agem assim, talvez, porque não sabem o que fazer com esse período livre. Porque não sabem brincar, compartilhar um espaço. Agem assim, principalmente, porque ninguém as ensina que pode ser diferente.Criança tem energia e precisa gastá-la. Pode ser correndo, sim, mas pode ser de outras maneiras. Hoje, consideramos que criança precisa correr, gritar, pular. Não precisa. Aliás, fica mais agitada quando assim se comporta.(...) Muitas têm. Essas sabem o que é preciso: oferecer propostas, tutelar a convivência entre os alunos, mesmo à distância, e determinar locais para os que querem ficar tranquilos e para os que querem brincar com mais liberdade são alguns exemplos (...)" 


O recreio é importante para que as crianças escolham seus colegas e as atividades que desejam fazer. É
 um espaço de formação que envolve aprendizagens diferentes da sala de aula, um espaço em que muitos conflitos acontecem e é um espaço de liberdade também. É um momento da rotina fundamental para a adaptação e a interação entre as crianças e a escola, além de possibilitar observações sobre como se mostram: integradas ou isoladas, respeitosas ou agressivas, livres ou oprimidas, entusiasmadas ou medrosas, alegres ou desanimadas.

Planejando algumas propostas, o professor intervém para que as crianças avancem nos repertórios de brincadeiras, nos conflitos, nas relações e aprendizagens no que se refere a como e do que brincar. Nessas propostas livres e planejadas elas aprendem a brincar, descobrindo um novo mundo. O adulto interage e ajuda os que estão se arriscando pouco a conhecer o ambiente, dá ideias etc. As crianças precisam se apropriar do espaço, é preciso pensar na organização e na intencionalidade. Devemos considerar a escola como um espaço de relação, como um educador.

Para que possa intervir no brincar de seus alunos, o educador precisa, em primeiro lugar, reconhecer nas brincadeiras e jogos um espaço de investigação e construção de conhecimentos sobre diferentes aspectos do meio social e cultural em que as crianças vivem. É necessário também que ele veja a criança como um sujeito ativo e criador no seu processo de construção de conhecimento[v].

O professor pode mediar esse espaço do brincar ao ensinar maneiras seguras de subir em locais perigosos, montar ambientes que possibilitem o jogo simbólico, fornecer materiais (capas, espadas de jornal, kit escritório, tecidos, kit cozinha, bolas, barbantes, caixas de papelão etc) para incrementar os jogos e propor desafios motores pelo parque (cones de trânsito, bancos para saltar, colchões, cordas, pneus etc) dentre várias opções. Outros materiais também podem ser usados: mesa de pingue-pongue, mesa de pebolim, tabela de basquete, jogos de tabuleiro, jogos de cartas, boliche de garrafas PET, jogo de dama com tampinhas de garrafa e outros brinquedos que eles mesmos podem fazer de sucata, revistinhas em quadrinhos etc.

Dessa forma este horário tão esperado pode se tornar mais atraente e prazeroso.

Fátima Schenini
[vi] comenta em seu artigo do MEC:
“Desde que o aluno não seja obrigado ou dirigido para a atividade. Qualquer possibilidade que o aluno tenha de exercitar sua criatividade, de demonstrar suas potencialidades e de vivenciar o convívio com o outro é positiva, desde que seja por opção, as crianças sempre tinham uma saída criativa. Muitas vezes as pedras, as folhas de árvores e até os pilares do pátio eram usados como elementos nas brincadeira. Colaborar muito para que essa vivência seja lúdica e criativa. Sem esquecer, é claro, que o não fazer deve ser uma das escolhas possíveis.”
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*Todos os direitos autorais das imagens e texto reservados para Marcela Chanan. É proibida sua cópia sem autorização prévia. O compartilhamento da publicação na íntegra diretamente do blog (link e via redes sociais) é livre.

Bibliografia

· VILA, Centro de estudos da Escola da. Movimentos e Brincadeiras. Grupo de formação de professores de 3 a 6 anos. 2005.

·
http://www.intermeio.ufms.br/revistas/32/32%20Artigo_06.pdf

·
http://conceito.de/recreio

· Brincar: Um baú de possibilidades
http://www.pelodireitodesercrianca.com.br/Biblioteca

·
http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/orientador-educacional/hora-recreio-licoes-intervalo-relacionamento-relacoes-pessoais-539212.shtml

·
http://culturadobrincar.redezero.org/o-recreio-e-a-culpabilizacao-do-movimento/

·
http://www.univates.br/files/files/univates/editora/livros/recreio-escolar.pdf

·
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1810201122.htm

·
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=1005

·
http://educador.brasilescola.com/orientacoes/recreio-organizado.htm

· A importância do recreio
http://pt.scribd.com/doc/52055483/As-caracteristicas-do-recreio-escolar-e-os-comportamentos-agressivos-das-criancas

[i] http://conceito.de/recreio[ii] http://www.intermeio.ufms.br/revistas/32/32%20Artigo_06.pdf[iii] http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/orientador-educacional/hora-recreio-licoes-intervalo-relacionamento-relacoes-pessoais-539212.shtml

[iv] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1810201122.htm

[v] VILA, Centro de estudos da Escola da. Movimentos e Brincadeiras. Grupo de formação de professores de 3 a 6 anos. 2005.[vi] http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=1005

domingo, 4 de novembro de 2012

RODA DE BIBLIOTECA na Educação Infantil e 1º ano.


As crianças têm acesso a empréstimos de livros na biblioteca semanalmente. A professora seleciona os livros previamente para apresentá-los ou os alunos têm livre opção de escolha.
O grupo é responsável pela organização do espaço utilizado e também no cuidado em colocar sua carteirinha e guardar o livro na caixa de empréstimos. Em algumas escolas anota-se o número do tombo e ainda em outras o empréstimo é informatizado.
Quem não traz o livro para a troca no dia, pode escolher o que gostaria de levar e o livro fica separado na classe.
Desde pequeninas as crianças sao incentivadas a cuidar dos livros: não amassar, não riscar, cuidar do local onde será colocado o livro, não jogar, não pisar em cima, não colocar na boca etc.
Este artigo traz um resumo sobre como podem acontecer as rodas de biblioteca focando na diversidade de encaminhamentos, pela necessidade de abordar vários aspectos do processo leitor. 

Objetivos gerais[i]
  • Ampliar o repertório literário
  • Interagir com livro de maneira prazerosa reconhecendo-o como fonte de múltiplas informações e entretenimento
  • Compartilhar experiências leitoras
  • Confrontar interpretações
  • Estabelecer relações com outros textos
 Objetivos específicos[ii]

  • Ampliar os conhecimentos acerca de um determinado autor, utilizando-os como critério de seleção na escolha dos livros a serem retirados e enriquecendo as possibilidades de antecipações e interpretações;
  • Ampliar os conhecimentos acerca de um determinado gênero, utilizando-os como critério de seleção na escolha dos livros a serem retirados e enriquecendo as possibilidades de antecipações e interpretações;
  • Conhecer diferentes ilustradores e ilustrações, compartilhando o efeito que uma ilustração produz, confrontando interpretações e considerando tais conhecimentos na seleção de livros;
  • Conhecer diferentes coleções, ampliando os conhecimentos acerca das características deste tipo de publicação e utilizando-os como critério de seleção na escolha dos livros a serem retirados.
 Tarefas do professor[iii]

  • Intervir no sentido de possibilitar que os alunos relacionem seus conhecimentos prévios com as informações que a leitura traz, apurando cada vez mais as previsões que realizam acerca de textos;
  • Dar oportunidades para que digam o que sabem e evidenciar as diferenças de interpretação;
  • Tornar observável a diversidade textual, vinculando texto e contexto: o que dizem e como dizem os diferentes gêneros textuais;
  • Atuar como modelo que amplia o repertorio argumentativo dos alunos, expondo seus próprios critérios e gostos como leitor experiente: realizando comentários pessoais sobre o que considera relevante num texto, explicitando seus critérios de escolha, lendo um trecho que aprecia e esclarecendo o motivo da escolha;
  • Garantir e promover a discussão dos “direitos imprescindíveis do leitor”: o direito de pular páginas, de não terminar o livro, de reler, de ler uma frase aqui e outra ali, de ler em voz alta, de calar.
 Intervenções

  • Explicitar para as crianças que cada um deve comentar, á sua maneira, mas não se trata de recontar a história.
  • Mediar os comentários quando necessário, atuar como modelo: “é um livro de medo, engraçado, triste...”, “fala sobre bichos, família, amizade...”, “quem de nossa sala gostaria de levar? Ou para quem você indicaria?...”
  • Pedir  para uma criança ajudar a outra que não está conseguindo falar sobre a história que levou: “quem mais já levou este livro e se lembra de algo interessante para comentar?”
  • Solicitar que tentem comentar um pouco sobre a narrativa sem se apoiar no livro, deixando-o fechado. Isso ajuda a não contar a história textualmente.
     Conteúdos

  • Atitudinais: ouvir e respeitar os comentários dos colegas, usufruir da leitura, desenvolver progressivamente a expressão oral, observar as diferentes maneiras de comentar as mesmas histórias.
  • Procedimentais: cuidar dos livros, responsabilizar-se com a ajuda dos pais, por algo que é de uso coletivo, escolher autonomamente algo para ler em casa.
  • Conceituais: conhecer os livros de diversos gêneros, ilustrações distintas, autores diferentes  etc. Saber o nome de alguns autores, títulos e/ou editoras.
     Algumas possibilidades de roda:
Conversar sobre os critérios para escolha dos livros – cada criança pode falar o seu;
Apreciar ilustrações – diferentes ilustradores, estilos, materiais utilizados, sintonia entre texto e    desenho;
  Apreciar autores – conhecer novos autores, modo de escrever de tal autor;
  Apreciar determinado gênero literário – roda de poesia, de histórias de medo, com bichos,de princesas, com repetições, coleções, contos de fadas, lendas, fábulas, cordel etc.

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[i] Fonte: VILA, Centro de estudos da escola da. Momentos de prazer, apreciação e construção de conhecimentos sobre a Língua.
[ii] Fonte: VILA, Centro de estudos da escola da. Momentos de prazer, apreciação e construção de conhecimentos sobre a Língua.
 [iii]Fonte: VILA, Centro de estudos da escola da. Momentos de prazer, apreciação e construção de conhecimentos sobre a Língua.

domingo, 14 de outubro de 2012

QUE TAL ARGILA?


A modelagem com argila faz parte do trabalho na área de artes. Modelar é um procedimento referente a produção tridimensional. O foco do trabalho com as crianças, inicialmente, é a aprendizagem de procedimentos de modelagem, depois momentos de experimentação, tentativas de representar o que se desejam e uso dos procedimentos aprendidos com autonomia, nas suas produções livres. Também se pode trabalhar com figura humana, animais, monstros, objetos diversos etc.

Sentir a umidade, reconhecer que o material gruda um pouco na mão e se acostumar com essa sensação são vivências importantes: achatar, apertar, amaciar, alisar, enrolar, fazer bolas grandes e pequenas. Trabalhar com os dedos separadamente descobrindo as possibilidades de cada um deles no contato com o material. Também aprendem procedimentos para secagem, emendas, pintura e como deixá-la brilhante ou fosca.

A sequência apresentada é um recorte do trabalho realizado na Educação Infantil, utilizando a criatividade pode-se criar muitas propostas interessantes.

Objetivos:
  • Explorar estes movimentos (amassar, alisar, enrolar, fazer bolas grandes e pequenas, dar socos, empurrar, esticar, torcer;
  •  Administrar diferentes quantidades nas mãos;
  • Sentir umidade, observar que ela seca e fica dura, sentir e conversar sobre as características físicas do material;
  •  Aprender o tempo de secagem da argila;
  • O controle das mãos, a grossura das cobrinhas para não quebrar, os diferentes tamanhos, puxar para dar forma, alisar, etc.
ATIVIDADES

Exploração da argila: cada um modela "famílias" de bolinhas e cobrinhas e pensa em um nome para elas. Em outro momento, pintá-las toda de branco para depois serem pintadas com as cores escolhidas.


Amaciar e aprender a modelar uma placa: ensinar as crianças que quando recebem a argila podem brincar e amassá-la como se fosse massinha, assim ficará macia e mais fácil de manejar, depois devem formar uma grande bola e arremessá-la em cima da mesa. A placa já estará pronta! Agora é só colocar os objetos, podem ser botões, canudos, miçangas, contas etc.


Gravura com placa de argila: novamente modelar uma placa cuidando para que não fique excessivamente fina, depois desenhar utilizando palitos de churrasco, de dente e de sorvete. Feito isso deixe-as secar, no outro dia passar tinta preta e carimbar em uma folha A4 de sulfite e assim conseguirão identificar seu desenho carimbado no papel.

Modelagem de frutas: realizar uma apreciação com frutas de verdade, de brinquedo ou imagens na internet e possibilitar que as crianças observem bem as características de cada uma. Nessa atividade espero que utilizem as aprendizagens até aqui conhecidas. 
É importante considerar a facilidade ou dificuldade de se modelar determinada fruta e assim cada um escolher a sua. Durante a modelagem a professora vai observando e pontuando o processo das crianças para que considerem os aspectos básicos de cada fruta. Depois de seca, pintar com tinta branca para que ao aplicar as cores, as mesmas se tornem mais vivas; outra etapa são os detalhes com tinta preta e marron: pintas, sementes etc. E por último passar uma camada de cola branca para que fique mais resistente e com brilho.


Modelagem livre com palitos


Modelagem de vasos: apreciar imagens de diversas formas de vasos, modelar um para que as crianças visualizem como podem começar e o que precisam considerar se querem mais gordinho, mais magrinho, lonho, baixo etc. Ao final decorar com cacos de azulejo, fixar com a argila ainda mole e depois se  algum soltar, colar com cola branca.

Modelagem de bustos: cada criança modela o seu e a professora, como modelo, também. Mostrar e contar aos alunos o que é um busto. 

O primeiro passo é fazer a marca de onde será o pescoço e depois ir modelando a cabeça. Feito isso puxar o nariz com as pontas dos dedos, fazer os olhos com a ajuda de palitos ou bolinhas de argila e riscar a boca com palitos ou deixar para fazer com tinta. A orelha é opcional, os cílios e a sobrancelha são pintadas depois. 
Segundo passo é com a argila já seca. Pintar de branco, secar e depois pintar da cor da pele. Nesse caso eu apenas aproximei as crianças dessa ideia para identificarmos a diversidade de cores de pele na sala de aula, e foi muito curioso, elas mesmas o tempo todo foram nomeando qual é igual a qual, quem é mais claro ou mais escuro... Por fim, escolher a cor da lã e colar nas cabeças.



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