quarta-feira, 21 de maio de 2014

LITERATURA INFANTIL: O URSO RABUGENTO







A capa e a folha de rosto dão uma dica sobre parte da história: um urso grande e bravo, e uma ovelha, uma zebra, um leão e um alce fugindo dele. 
Durante a leitura as ilustrações trazem a sensação do movimento e da expressão dos personagens,  complementando e dando dicas sobre a narrativa. 
A parte mais divertida é quando os três amigos resolvem agradar o urso e lhe dar algo para animá-lo, eles entram na gruta e depois saem correndo do urso rabugento, que aparece muito engraçado. O fim é inesperado, mas se sabe que falta a ação de um personagem, que resolve o mal humor do urso com gentiliza e sensibilidade.
Se você baixar um App QR code, pode ouvir  a história no seu celular! Eu ouvi e achei muito bom, tem sonorização e você pode acompanhar página por página.



Autor: Nick Bland
Ilustrador: Nick Bland
Tradução: Gilda de Aquino
Editora: BRINQUE-BOOK

sábado, 12 de abril de 2014

O BRINQUEDO E O BRINCAR: opções que ensinan e resgatam valores.

 
Tenho percebido o quanto as pessoas estão preocupadas com as crianças em relação a alguns aspectos: o consumismo, a alimentação, os direitos, a violência sexual, a primeira infância, o tempo e as tarefas, a educação integral, o brincar, as famílias, a escola etc. São muitas instituições, projetos e organizações empenhadas em divulgar cada vez mais informações que demonstram o quanto a sociedade está se mobilizando para essas questões e o quanto é importante que a população tenha acesso a esse novo paradigma. 

Acompanhando essas publicações, me deparei com uma novidade: feiras de brinquedos e sites que trocam ou alugam brinquedos. Essa novidade me despertou curiosidade, interesse e reflexão.

Como educadora muitas vezes na escola percebo as crianças vinculadas aos brinquedos de forma a se gabar "Eu tenho, vc não tem" ou "Eu tenho todos"  ...enfim falas que demonstram uma preocupação maior com o ter do que com o se divertir.  Algumas não tem cuidado e pouco se preocupam se vai quebrar ou não, esquecem o brinquedo pela escola e ás vezes nem se importam, enquanto outros sofrem de tão apegados. Outras revelam ganhar brinquedos o tempo todo, basta pedir, fazer uma birra. Ouço frequentemente "Eu tenho meu ipad, meu ipod, meu.." a criança dentro de uma família tem o dela separado, falo de crianças de 4 a 7 anos de escolas particulares.

A moda de brinquedos também é muito insana, vejo-as com brinquedos caríssimos e que muitas vezes empobrecem a brincadeira, porque só pode ser aquilo mesmo. Uma semana depois está largado e já não gosta mais, gostava enquanto era novidade e destaque entre os colegas, depois que todos obtiveram, não tem mais graça. Outras crianças não trazem porque não querem ou se esquecem e é motivo de choro, normalmente com uma conversa do educador elas se confortam, eu costumo dizer "Já tem tanto brinquedo na escola, tudo bem não trazer!" ou peço para a criança escolher um brinquedo da escola mesmo para ficar naquele dia ou ainda um colega que trouxe mais de um pode emprestar.

Alguns mantém uma postura solidária e se desapega para emprestar, outros precisam de uma condição "Só empresto se você...". Muitas vezes esse brinquedo dá poder, digo esse brinquedo consumista que passa nos comerciais manipulando desejos nos pequenos.

Também já observei que acontece do brinquedo permanecer na mochila o tempo todo por ter outras coisas mais interessantes para explorar ou porque tem medo de estragar e não quer que ninguém toque.

Lembrei até das festas de aniversário: já presenciei crianças cobrando presente do colega que não deu e outras vezes até se queixando do que ganhou. Já presenciei cenas de crianças prometendo dar brinquedos aos colegas no dia do aniversário para conseguir ser amigo ou brincar junto, para se sentir querido pelo outro. Que valores são esses que as crianças estão aprendendo? Que o objeto material manipula as pessoas?

Considerando que o brincar propicia o desenvolvimento saudável das crianças e muitos aprendizados sociais. Precisamos todos, pais e educadores, nos conscientizarmos para que possamos mudar esse quadro no qual nos vemos atualmente: o consumismo infantil.

Apresento abaixo algumas opções que proporcionam uma nova forma de brincar e de se relacionar com os brinquedos:


Feiras de troca de brinquedos

 

 As feiras de troca de brinquedos acontecem em todo Brasil e o Instituo Alana colabora com a organização, divulgação e um manual de como fazer a sua feira. O princípio é o exercício do desapego e  a formação de valores menos materialista em uma sociedade tão consumista. As crianças se divertem, interagem, podem trocar brinquedos que não mais lhes interessam e escolher outro usado, dar um significado, sem precisar de dinheiro para se relacionar com os outros. Site http://mobilizacao.alana.org.br/#!/ 

Confira alguns vídeos que contam mais sobre a importância dessa iniciativa:
 

 

O Quintal de trocas tem como princípio a brincadeira sustentável, o cuidado com os brinquedos e o não consumismo exagerado. Com essa troca a criança valoriza o ato de brincar, o que aquele brinquedo lhe proporcionará de prazer e diversão e não o preço, o status de ter determinado brinquedo. Além de aprenderem a abrir mão de um brinquedo e que ele precisa estar em boas condições para trocar; aprendem a negociar, a desapegar, a compartilhar e a ceder para conquistar outro. Essa prática ajuda o planeta a produzir e as desperdiçar menos.

Confira um vídeo de como participar do Quintal de trocas:

https://www.youtube.com/watch?v=EEGcsYG_4Q4

A vantagem de trocar brinquedos é que o foco fica na brincadeira e não no comprar. Um brinquedo comprado pode se transformar em vários e que depois de brincar e se divertir muito, a criança pode desenhar ou escrever uma carta contando como foi essa experiência para outra criança que receberá este brinquedo.
 
Maria Brincadeira
 
 
 
A Maria Brincadeira tem a ideia de compartilhar não comprar brinquedos e sim ter muitos amigos. O segredo é trocar, compartilhar, emprestar e dividir com crianças do mundo todo. Tem a proposta de consumo colaborativo, ou seja, ter acesso a diferentes tipos de brinquedo, sem que haja a compra do produto.  
 
Confira um vídeo de apresentação dessa proposta:
 
 

Joanninha aluguel de brinquedos
 



A Joanninha oferece aluguel de brinquedos muito interessantes, a maior parte deles de madeira, para brincar em casa. Tem como princípio a valorização do brincar como forma de desenvolvimento infantil e possibilitar a construção de valores como o companheirismo e a cidadania, reaproveitar e compartilhar.

Confira o vídeo institucional com as crianças se divertindo com brinquedos que propiciam o desenvolvimento de suas habilidades:

https://www.youtube.com/watch?v=LT8KEO1CeaA
 
 
 
 

domingo, 23 de março de 2014

O OLHAR DO EDUCADOR: contribuições da antropologia da criança.

"A criança não sabe menos, sabe outra coisa". 
Clarice Cohn

" Que se escute o que ela tem a dizer, que se veja o que ela faz, que se seja sensível ao que ela sente, que se acolha o quela expressa" 
Aracy Lopes da Silva


Conheci a antropologia da criança por meio da pós-graduação e esse conhecimento me ajudou muito a ampliar a forma como observar os pequenos. Esse artigo é fruto de reflexões geradas durante as aulas, as leituras e a minha prática educativa.

Para se aproximar mais da infância e entendê-la, é preciso se desvencilhar de nossas idealizações sobre a criança e olhar para elas a partir do  mundo delas, da visão delas...
Olhar, observar sem quaisquer teoria, sem tentar antecipar as ações infantis classificando-as. Se faz necessário entrar no mundo infantil e ouvi-las. Mas, antes de começar a leitura tenho duas perguntas : O que é ser criança? E o que é ter infância?.

Antes de responder assista o documentário "Babies" em  http://vimeo.com/67691334 talvez ajude a pensar mais sobre como cada cultura lida com a criança.


 
O olhar é uma forma muito intensa e primária de comunicação. Com o olhar o educador estabelece uma relação com o seu grupo de crianças e vice-versa, assim como os pais têm um jeito de olhar que o filho já sabe o que significa. 

A maneira como nos comunicamos com os pequenos diz também o que consideramos sobre a criança, por exemplo, se há autoridade ou autoritarismo. Como você conversa com uma criança? Como é sua postura corporal?

A antropologia da criança analisa o que significa ser criança em diferentes culturas e sociedades. Quando pensamos o que é ser criança o melhor é considerar que não existe uma ideia definida; com a antropologia há uma mudança de paradigma e considera-se  as infâncias e as crianças, porque elas não têm as mesmas experiências, o mesmo valor em cada parte do mundo, o filme "Babies" nos apresenta muito bem porque esse novo paradigma. 

Segundo COHN (2009)
"Fazer antropologia é tentar entender um fenômeno em seu contexto social e cultural. É tentar entendê-lo em seus próprios termos. (...) não podemos falar de crianças de um povo indígena sem entender como esse povo pensa o que é ser criança e sem entender o lugar em que elas ocupam naquela sociedade - e o mesmo vale para crianças de uma metrópole".
Uma das metodologias de coleta de dados usada por diversos antropólogos é a etnografia: o pesquisador vive com povo que ele vai estudar. Observa, ouve e vivencia aquela realidade tentando compreender a cultura daquele grupo social, a participação é ativa. Portanto utilizando-se da etnografia é possível compreender a criança do seu ponto de vista sobre o mundo em que esta inserida. A etnografia é uma imersão total, o observador vira um aprendiz, entra na cultura, e cada experiência é diferente. A observação deve ser desapegada de quaisquer teoria, porque o conhecimento ás vezes atrapalha a real percepção. Há confiança no que vê, percebe e sente.

O filme "A invenção da infância" http://vimeo.com/64661145 também nos ajuda  a continuar nessa na reflexão. Agora pense: Quais são suas memórias de infância? Qual seu lado criança/infantil? 

É muito importante para o educador pensar sobre si mesmo, sobre sua infância e suas experiências (o que foi ruim, o que foi bom etc) para aceitar a criança que tem dentro de si e entender-se melhor para lidar mais adequadamente com as crianças e consigo mesmo. Neste caso, a psicanálise tem um papel muito importante. É valoroso entender suas próprias escolhas e porque não aceita tão bem algumas situações, conhecer sua singularidade, sua história.

Lembrei desse livro, apresentado na pós, que achei muito interessante da autora Beatrice Alemagna, editora WMF Martins Fontes:


De acordo com COHN (2009)
"Em outras culturas e sociedades, a ideia de infância pode não    existir, ou ser formulada de outros modos. O que é ser criança, ou quando acaba infância, pode ser pensado de maneira muito diversa em diferentes contextos socioculturais, e uma antropologia da criança deve ser capaz de apreender essas diferenças".
Acredito na concepção de criança como um sujeito social atuante na sociedade e com seus direitos, ela não é um mini adulto ou um ser em treinamento para vida adulta.   Ela é produtora cultura: dá novos sentidos e significados ao mundo que a rodeia e a suas experiências. Quantas vezes nos surpreendemos com o universo simbólico infantil: argumentações elaboradas e pontos de vista que muitas vezes sem elas não chegaríamos a imaginar. São crianças potentes e capazes no seu processo de aprendizagem e os adultos precisam provocar a curiosidade, a indagação; incentivar a investigação, a tomada de decisão, as escolhas, é preciso estar com a criança, apoiá-la, orientá-la e não impor tudo. Já a infância é uma fase da vida.

Considerando essa reflexão, é possível transformar o olhar para cada um dos seus alunos e para as diferentes situações que acontecem no decorrer da rotina escolar. 

Nós pedagogos determinamos quando falamos "essa criança é assim..." O quanto de riqueza se perde por automatizar o olhar para o avaliar, a rotina, as demandas, os planejamentos...Faz falta o olhar para este ser humano criança, ele não é somente aluno. 

Acho muito possível a mudança desse olhar, dessa postura. Fiz observações da minha e de outras práticas e percebi que nós professores perdemos cenas riquíssimas ao, por exemplo, pedir para uma criança parar de fazer algo sem antes observar porque ou o que ela está fazendo. Que cortamos as brincadeiras porque é hora de guardar, que às vezes a criança que você considera a mais agitada ou sapeca tem um outro lado encantador, etc. E ainda há outras perguntas que envolvem o olhar do professor:  o que é oferecido para o grupo faz sentido para elas? Há uma conexão com o conhecimento da criança, entre você e seu grupo de alunos?

A criança atribui significados que não conhecemos, um simples objeto pode se transformar em qualquer coisa, ela simboliza, dá um sentido e isso conta quem ela é.


A criança escuta, observa e quer entender. É curiosa por natureza e conhece o mundo pesquisando tudo ao seu redor.


Esse olhar que comento até aqui caminha junto com o protagonismo infantil e a escuta dos pequenos, mas essas outras duas formas de ver a criança será um outro artigo que tratarei de refletir.

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*Todos os direitos autorais das imagens e texto reservados para Marcela Chanan. É proibida sua cópia sem autorização prévia. O compartilhamento da publicação na íntegra diretamente do blog (link e via redes sociais) é livre.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

COHN, Clarice. Antropologia da criança. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

FRIEDMANN, Adriana. História do percurso da sociologia e da antropologia da infância. Disponível em < http://media.wix.com/ugd/27072f_dc9482db8987290f70de8078851b63b6.pdf > acesso em 11-01-2014.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O GRAFITE das ruas na escola de educação infantil







Volta às aulas, decidi fazer uma roda de conversa sobre as férias. Uma das crianças comentou sobre sua viagem de férias no qual havia observado grafites nas ruas, esse assunto suscitou uma interessante conversa e na outra semana li uma reportagem sobre crianças que grafitavam, assim iniciei o planejamento da proposta de levar a arte das ruas para escola.

O grupo se empenhou em aprender algumas técnicas do grafite, estavam ansiosos com a ideia. Começamos com a apreciação de um livro de grafite, depois troquei ideias com um amigo grafiteiro e assim dei uma forma para essa proposta.

A inspiração para o tema do mural partiu da leitura de um livro chamado "Com- fusão" do autor Ilan Brenmam. O grupo decidiu que cada um criasse seu bicho (metade um, metade outro) e iniciaram os desenhos em uma folha de sulfite A4 que depois foi ampliado para uma cartolina.

 O próximo passo foi passar esse desenho para o mural: primeiro traçaram com pincel fino e tinta cinza, depois pintaram o fundo do mural e pintaram os bichos. O acabamento foi dado com tinta preta usada para contornar os bichos esquisitos. Também espirraram um pouco de tinta com um borrifador e cada um fez sua “tag” (que é uma assinatura) ao lado da sua criação. Pronto, foi um sucesso!!! As outras salas também se encantaram e apreciaram durante a semana enquanto se divertiam no parque.









Outra experiência com outro grupo...

Visitei uma exposição sobre Grafite no Masp e a característica de um artista em especial, me chamou a atenção por criar muitas relações com o desenho infantil. Perguntei as crianças se sabiam o que era grafite, se já tinham visto em algum lugar na cidade e tivemos uma conversa bem produtiva.

 Disse a eles que iríamos conhecer as obras de um artista grafiteiro chamado Carlos Dias. Nós apreciamos os desenhos e um mural que o grafiteiro elaborou utilizando tinta, giz pastel, retratos velhos, partituras, bandejas de bolo de aniversário, páginas de livro, pedaços de materiais que diríamos...ser lixo.

O grupo se inspirou com a apreciação e criou o seu mural. Conversamos sobre os materiais, selecionamos alguns e colamos fragmentos como: craft, jornal, bandejas descartáveis, caixinhas etc. As crianças gostaram muito da experiência e ficaram apaixonados pelo próprio trabalho. A partir daí foi comum ouvir durante o ano todo comentários sobre a observação dos grafites na cidade.


*Trabalho realizado em 2008 e 2009.


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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

REPETIÇÃO DE SIGNOS: uma experiência com crianças de 4 anos*

*Em 2012 esse trabalho foi finalista do XIII Prêmio Arte na Escola Cidadã e apresentado em 2014 no 7º Encuentro Internacional de Educación Infantil OMEP Argentina - Arte en la Primera Infancia.




Esse projeto teve a duração de 2 meses. As produções foram expostas em uma mostra de trabalhos de artes da escola chamada ”Bienal”, onde toda comunidade escolar foi convidada a apreciar todos os trabalhos realizados por todas as séries.

A proposta partiu de uma observação dos desenhos das crianças desde grupo. Do quanto já tinham começado a figurar, a se interessar mais pela representação da realidade e o quanto alguns estavam se arriscando a produzir novos traços que representassem algo que os demais reconhecessem, buscando se aproximar da figuração. Sendo assim me pareceu um bom momento, pois para os que se sentiam inseguros, poderiam criar bolinhas, linhas, formas etc.

Este projeto teve o objetivo de estimular as crianças a utilizarem processos de construção de desenhos de uma forma diferente - eles gostam bastante de repetição de signos e cópias de desenhos - e também oferecer um suporte diferente que traga uma nova experimentação, estão acostumados a desenhar frequentemente em suportes planos (bidimensional) e nesta atividade precisarão desenvolver estratégias para desenhar em um cilindro (tridimensional).

A ideia partiu com o grupo em que eu fui professora titular, mas como havia outra sala da mesma série em período diferente, eu, a outra professora do período da manhã, a professora de artes e a coordenadora nos juntamos e pensamos na outra sala participar e produzir uma repetição em um tecido para que fosse a porta da casinha já que minha turma faria as paredes. Então, esse outro grupo seguiu os mesmos passos, utilizando apenas o suporte diferenciado. O desafio deste era controlar a orientação de seus traços, já que era um tecido grande que seria utilizado por todos colegas da sala.


O tema foi escolhido pelas crianças, propus apenas a ideia da repetição de signos e cada um pode criar seu padrão, considerando o que era fácil para cada um desenhar. As crianças observaram várias repetições para que pudessem criar as suas: estampas de roupas, repetições em tapetes, azulejos, imagens da natureza, padrões indígenas e obras de arte.





Contei aos pequenos que precisariam se empenhar nestes desenhos para que cada um ficasse o mais parecido do outro, então era preciso considerar uma representação simples, sem muitos detalhes para não ser cansativo. A expectativa era que eles atingissem este objetivo.

Os conteúdos e objetivos de cada etapa:




Levantamento de conhecimentos prévios - Conversa inicial sobre estampas de roupas: Como são? O que elas têm em comum? Quais tipos de estampas estão observando? (Flores, listras, nuvens etc) Que as crianças percebam as repetições e as variações, por exemplo, a repetição é de coelho, mas tem coelho cinza e coelho listrado - mais de um tipo do mesmo signo.



Apresentar os suportes que usaremos para esta atividade – cilindros de papelão que são usados nas fábricas de roupas com tecidos enrolados neles (solicitei que uma fábrica separasse alguns para mim e cortei-os ao meio). Contar que cada um vai inventar uma estampa (uma repetição de desenho) para aplicar nos cilindros, que estarão fixos em quadrados de argila, para que depois parem em pé.

Apreciar imagens. Identificar as repetições nas imagens. Questioná-los sobre o que estão observando: do que são as imagens? O que elas têm em comum?.


Edney Antunes 











Desenvolver qual será a sua repetição: Criatividade e expressão.






Escolher qual a cor de fundo vai pintar o cilindro (tecido) e fazê-lo.







Aplicar a repetição ao cilindro (tecido) e o professor verifica as dificuldades, se estão conseguindo cumprir a repetição.




Para elaborar este projeto contei com Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, um livro chamado Grafismo Indígena do organizador Lux Vidal da Editora Edusp, somado a minha experiência e criatividade na área artística, a ideia partiu também de uma experimentação pessoal como artista, onde eu me empenhava em pensar repetições de signos.

Os materiais utilizados foram: cilindros de papelão, argila, tinta guache, caneta hidrocor e caneta retroprojetor. Utilizamos a sala de aula em todas as etapas, é organizada com 4 mesas e 4 cadeiras em cada mesa e um espaço para realizarmos as rodas. Os materiais de artes ficam em uma estante específica acessível a eles.

A avaliação deste projeto se deu por meio de observação das etapas passo a passo e as intervenções realizadas, por exemplo, as crianças foram orientadas a não exagerar nos detalhes, a encontrar estratégias para facilitar a produção, o cuidado com os materiais, a concentração para não “errar” (Pois eles ficam muito chateados quando isso acontece), o capricho pelo que se faz, o incentivo, o elogio, o apoio etc.

A pesquisa foi importante para que o projeto pudesse acontecer. As roupas - para observação das estampas - foram possíveis de se trazer à escola, mas as demais imagens busquei na internet, as crianças participaram de outra maneira desta pesquisa: elas ficaram atentas as repetições e combinamos que me chamariam caso identificassem alguma na escola. E várias vezes isso aconteceu ao observarem ilustrações de livros, paredes, chão, grades, janelas e até a tartaruga que mora no pátio! Além de lembrarem-se de roupas que tem em casa, como um menino que comentou na primeira roda de conversa e apreciação de estampas “Eu tenho uma camiseta de futebol que tem uma listra vermelha e outra azul, uma vermelha e outra azul,...!”.

O projeto desenvolvido ampliou o repertório artístico e cultural dos alunos na medida em que puderam observar que a inspiração artística pode surgir de diferentes fontes inclusive da natureza e de observações do cotidiano, conhecer artistas contemporâneos, identificar que não necessariamente precisa ser um desenho figurativo, que há muitas formas de combinar linhas, por exemplo, e criar novas tramas, e assim essa experiência permitiu que as crianças acessassem este conteúdo, fizessem relações e criassem suas próprias representações.

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